Estávamos no princípio do ano de 2005, quando numa tarde vi passar, em frente do edifício da Câmara Municipal de Sardoal um auto reboque, carregando um Jeep Range Rover cheio de poeira e com a carroçaria disforme e amolgada.
Por apresentar características similares ao veículo que a Firma responsável pela construção da Barragem da Lapa havia entregue ao Município do Sardoal (viatura destinada à Fiscalização da Construção da Barragem) imediatamente percebi que, possivelmente, aquela viatura acidentada e o Jeep Range Rover entregue ao Município eram a mesma viatura.
Diante de tal cenário, a prioridade dos meus pensamentos foi tentar saber se alguém havia ficado ferido. Não foi preciso esperar muito para ficar a saber que, quando o acidente ocorreu havia uma única pessoa no interior da viatura (era o seu condutor) e que miraculosamente não havia sofrido qualquer lesão.
Ultrapassada a apreensão sobre eventuais danos corporais que o acidente pudesse ter provocado a alguém, a curiosidade seguinte foi saber o que poderia ter estado na origem do acidente, tanto mais que já havia publicamente anunciado a minha candidatura à Presidência da Câmara Municipal de Sardoal, eleições que teriam lugar em Outubro desse ano. De igual modo também não foi preciso esperar muito para ficar a saber que o acidente tinha tido lugar num caminho de terra batida entre Foros do Arrão e Ponte de Sôr e… o acidente aconteceu.
Foi o facto de se colocar a viatura acidentada num canto da oficina da Câmara e tapada com um oleado que me despertou a curiosidade. Porquê tapar e não proceder ao seu arranjo?
O tempo passou. As eleições Autárquicas aconteceram e delas resultou a minha eleição de Vereador da Oposição.
Durante este tempo continuo a manifestar alguma curiosidade sobre aquela viatura acidentada que muita falta tem feito aos serviços da Autarquia e que um oleado continua a esconder num canto da oficina da Autarquia. Ao longo deste tempo tenho inquirido o Presidente da Câmara sobre o assunto. Eis as suas respostas:
- “O que se passa com a viatura que sofreu um acidente há cerca de uma ano é que estou a tratar do assunto pessoalmente. Dei instruções ao mecânico para tirar as peças para ver se há hipóteses de a recuperar. Se não se conseguir será para vender em hasta pública.” (Reunião do Executivo Municipal em 17 de Maio de 2006).
- “Quanto ao Land Rover é possível ser recuperado o que será feito nas oficinas da Autarquia. Está a tentar encontrar-se a melhor solução e a mais barata. Entretanto já foram desmontadas as peças estando em curso a avaliação dos danos, para avaliar a recuperação.” (Reunião do Executivo Municipal em 7 de Fevereiro de 2007).
- “Quanto ao Land Rover estão a ser pedidos orçamentos para arranjar a carroçaria.” (Reunião do Executivo Municipal em 18 de Julho de 2007).
- “Quanto ao Land Rover já contactei a Oficina da Autarquia sendo possível a sua recuperação. O motor não sofreu qualquer dano, apenas deverá ser feito um levantamento das peças necessárias, tanto mais que trabalha na mesma um mecânico credenciado, o que até aqui não acontecia. Logo que seja feito um levantamento das peças necessárias e que a viatura se encontre em posição de circular a mesma será adstrita ao Serviço das Obras.” (Reunião do executivo Municipal em 20 de Fevereiro de 2008).
Diante destas intervenções faço duas perguntas:
- Quem é capaz de decifrar os esclarecimentos que o Presidente da Câmara tem dado até ao momento? Eu não consigo.
- Se a viatura ainda não circula, quem arrisca adivinhar se o oleado que há três anos foi utilizado para cobrir a viatura acidentada já foi levado para outro sítio ou ainda se encontra em funções?
Já não é novidade para ninguém que o Jogo predilecto do Presidente da Câmara Municipal do Sardoal é o Jogo das Escondidas.
Tudo isto vem a propósito por não ter sido difícil esconder a viatura acidentada há 3 anos. Foi fácil encontrar no mercado uma cobertura com as dimensões do Land Rover.
Acontece porém que neste Jogo das Escondidas o Presidente da Câmara precisa de esconder, urgentemente, algo muito maior que um Jeep. Desde o dia 11 de Setembro que procura uma lona, um oleado, um tecido opaco ou outro, que deverá ter um comprimento aproximado de 45 metros e uma largura de 35 metros. Alguém consegue informar onde pode ser encontrada tal cobertura?
sábado, 27 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
As Festas do Concelho do Sardoal
Amanhã, dia 22 de Setembro, o Município de Sardoal comemora o 477º aniversário da elevação do lugar do Sardoal a Vila.
Para relembrar o longínquo dia de 22 de Setembro de 1531, a Autarquia Sardoalense decidiu promover, uma vez mais, um conjunto de iniciativas que se prolongam entre os dias 19 e 22 de Setembro, intituladas de Festas do Concelho.
Desde que tomei posse como Vereador da Autarquia em Novembro de 2005, sempre me abstive de aprovar os Programas das Festas apresentadas pelo Presidente durante as reuniões do Executivo Municipal e sempre me contive em comentar o sucesso ou insucesso das mesmas.
De entre as várias razões porque o não faço, é porque entendo que os ovos que são entregues aos organizadores directos das Festas não chegam para as omoletas que lhes são pedidas. Os ovos que lhes faltam têm de ser gastos noutros doces, ainda que para estes só seja aproveitada a gema enquanto a clara é atirada para um qualquer esgoto.
Julgo não haver qualquer tipo de dúvida por parte de qualquer Sardoalense um pouco mais atento que o figurino das Festas do Concelho, tal como vem sendo implementado, precisa de mudanças. Todos somos necessários para darmos o nosso contributo apresentando propostas que possam contribuir para uma maior valorização das Festas do nosso Concelho.
Não resisto à tentação de aqui dar o meu contributo inicial, suscitando uma questão que julgo ser pertinente:
- Quem deverá explorar os designados “comes” e “bebes” das Festas?
- Serão as Associações?
- Serão todos aqueles que desenvolvem tal actividade durante todo o ano?
- Serão os particulares que, a coberto de um regime de isenção fiscal, decidem, durante estes três ou quatro dias, obter alguns dividendos adicionais?
Senão vejamos…
- As Associações, para poderem dar resposta às solicitações dos seus associados e levarem a cabo os seus projectos associativos, obrigam os seus dirigentes a travarem uma luta titânica para poderem suprir as profundas debilidades financeiras que se lhes deparam. A saída, na maioria das vezes, é bater à porta da Autarquia. Raras vezes os pedidos são aceites, porque a própria Autarquia também se debate, ainda que a, outro nível, com as mesmas dificuldades. As Festas do Concelho têm potencialidades que permitem às associações amealhar algumas verbas para mais tarde utilizarem. Talvez por ser mais fácil receber o peixe da mão de alguém do que o ir pescar são poucas as que aproveitam esta oportunidade que o Município anualmente concede.
- Os empresários do ramo hoteleiro e similares têm sido estóicos resistindo à crise que grassa num Município que é sujeito a uma dupla crise, que há muito perdura: nacional e local. O fim do mês chega mais depressa e há necessidade de pagar a fornecedores, impostos e salários. As ondas humanas que “desaguam” todos os anos nas Festas, são uma oportunidade de ouro para esses empresários criarem alguns “balões de oxigénio” que lhes permitam resistir às contrariedades empresariais de uma débil conjuntura económica.
- Quanto aos particulares são variadas as motivações que os possam levar a tirar dividendos económicos dos “comes e bebes” na altura das Festas. Dispenso-me de apreciar essas motivações e só me ocorre formular uma questão: -Porque não optam por essa actividade comercial durante os outros 361 dias do ano e apenas decidem fazê-lo durante estes quatro dias?
Mesmo que isto possa ser entendido como politicamente incorrecto o meu pensamento nesta matéria é que neste barco só cabem os pescadores das Associações e os profissionais do ramo hoteleiro e similar.
Para relembrar o longínquo dia de 22 de Setembro de 1531, a Autarquia Sardoalense decidiu promover, uma vez mais, um conjunto de iniciativas que se prolongam entre os dias 19 e 22 de Setembro, intituladas de Festas do Concelho.
Desde que tomei posse como Vereador da Autarquia em Novembro de 2005, sempre me abstive de aprovar os Programas das Festas apresentadas pelo Presidente durante as reuniões do Executivo Municipal e sempre me contive em comentar o sucesso ou insucesso das mesmas.
De entre as várias razões porque o não faço, é porque entendo que os ovos que são entregues aos organizadores directos das Festas não chegam para as omoletas que lhes são pedidas. Os ovos que lhes faltam têm de ser gastos noutros doces, ainda que para estes só seja aproveitada a gema enquanto a clara é atirada para um qualquer esgoto.
Julgo não haver qualquer tipo de dúvida por parte de qualquer Sardoalense um pouco mais atento que o figurino das Festas do Concelho, tal como vem sendo implementado, precisa de mudanças. Todos somos necessários para darmos o nosso contributo apresentando propostas que possam contribuir para uma maior valorização das Festas do nosso Concelho.
Não resisto à tentação de aqui dar o meu contributo inicial, suscitando uma questão que julgo ser pertinente:
- Quem deverá explorar os designados “comes” e “bebes” das Festas?
- Serão as Associações?
- Serão todos aqueles que desenvolvem tal actividade durante todo o ano?
- Serão os particulares que, a coberto de um regime de isenção fiscal, decidem, durante estes três ou quatro dias, obter alguns dividendos adicionais?
Senão vejamos…
- As Associações, para poderem dar resposta às solicitações dos seus associados e levarem a cabo os seus projectos associativos, obrigam os seus dirigentes a travarem uma luta titânica para poderem suprir as profundas debilidades financeiras que se lhes deparam. A saída, na maioria das vezes, é bater à porta da Autarquia. Raras vezes os pedidos são aceites, porque a própria Autarquia também se debate, ainda que a, outro nível, com as mesmas dificuldades. As Festas do Concelho têm potencialidades que permitem às associações amealhar algumas verbas para mais tarde utilizarem. Talvez por ser mais fácil receber o peixe da mão de alguém do que o ir pescar são poucas as que aproveitam esta oportunidade que o Município anualmente concede.
- Os empresários do ramo hoteleiro e similares têm sido estóicos resistindo à crise que grassa num Município que é sujeito a uma dupla crise, que há muito perdura: nacional e local. O fim do mês chega mais depressa e há necessidade de pagar a fornecedores, impostos e salários. As ondas humanas que “desaguam” todos os anos nas Festas, são uma oportunidade de ouro para esses empresários criarem alguns “balões de oxigénio” que lhes permitam resistir às contrariedades empresariais de uma débil conjuntura económica.
- Quanto aos particulares são variadas as motivações que os possam levar a tirar dividendos económicos dos “comes e bebes” na altura das Festas. Dispenso-me de apreciar essas motivações e só me ocorre formular uma questão: -Porque não optam por essa actividade comercial durante os outros 361 dias do ano e apenas decidem fazê-lo durante estes quatro dias?
Mesmo que isto possa ser entendido como politicamente incorrecto o meu pensamento nesta matéria é que neste barco só cabem os pescadores das Associações e os profissionais do ramo hoteleiro e similar.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Zona Industrial de Sardoal. ZONA QUÊ?
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Zona Industrial de Sardoal. ZONA QUÊ?
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Os Moinhos de Entrevinhas
A Rota do Pão
Corria o segundo mandato do actual Presidente da Câmara (1997-2001) quando este decidiu, uma vez mais, sonhar. Sonhou, e muito bem, em colocar o Município do Sardoal num circuito turístico Nacional. Vai daí, “arregaçou mangas” e dá início ao projecto denominado “Rota do Pão”.
O projecto era constituído por duas fases:
- A Fase 1 passava pela recuperação total de dois dos moinhos de vento existentes no alto de Entrevinhas (dos quatros ali existentes), com a criação de uma zona de lazer na área envolvente, aproveitando-se os outros dois moinhos para a instalação de algum equipamento de apoio.
- A Fase 2, concluída a Fase 1, passaria pela criação de um circuito turístico em torno do que se poderia chamar de “Rota do Pão” que incluiria, também, as azenhas ainda em funcionamento ou que poderiam ser facilmente recuperadas na Ribeira das Sarnadas (Vale do Cabril), para onde estava prevista a construção de uma praia fluvial e na Ribeira do Vale Formoso que confluía próximo da Lapa, constituindo a partir daí a Ribeira da Arcez, uma zona que ficaria submersa pela Albufeira da Lapa.
Com um orçamento a rondar os 29 mil contos dá-se início à Fase 1 depois de ter sido assegurado, para o efeito, um co-financiamento através do Programa de Iniciativa Comunitária Leader II, no âmbito da Tagus.
A apresentação do projecto ao público e à comunicação social, com demonstração do funcionamento de um moinho (a recuperação dos outros ficaria para outra altura) foi efectuada em 6 de Fevereiro de 1999 com a pompa e circunstância que o acto merecia.
De acordo com o espírito do presidente da Câmara “… o roteiro dos Moinhos de Vento abrangeria em princípio dois tipos diferentes de destinatários: as visitas organizadas e guiadas, para um público escolar no âmbito de programas escolares e para um público mais vasto através de circuitos pedestres e de circuitos automóvel com origem em qualquer ponto do País e não só” (Como todos poderemos perceber o sonho da “Rota do Pão” não era um simples sonho. A sua dimensão era tal que se assumia poder ser integrado em circuitos automóveis com origem em qualquer ponto do País e não só. Alguém me consegue traduzir este “…e não só”.).
E era ainda referido em Fevereiro de 2000 que “… A animação decorrente destes equipamentos pretende constituir-se como factor de promoção de paisagem rural do Concelho com objectivos de defesa do Ambiente e de preservação das Aldeias e aglomerados populacionais. È um museu vivo que tem sido objecto de muita visita e alvo de grande interesse.”
A Fase 1 mesmo não tendo sido concluída na sua totalidade, não deixava de merecer todos os elogios acreditando-se que era tudo uma questão de tempo para que tal fosse possível e a Rota do Pão seria uma realidade.
O tempo foi passando e nem a Fase 1 foi concluída nem a Fase 2 passou do papel. A “Rota do Pão” passou a ser um tema incomodativo para os responsáveis Autárquicos sempre que alguém tocava no tema.
Algum tempo depois, é votado ao abandono, puro e simples, o único Moinho de Vento recuperado. A madeira da sua cobertura começou a apodrecer, as águas da chuva começaram a "visitar" os engenhos localizados no seu interior, as velas romperam-se, o veio da vela começou a apodrecer e a sua degradação passou a ser uma realidade.
Os Moinhos de Entrevinhas passaram a ser então um espaço de visita de alguns naturais e/ou residentes de Entrevinhas (tentando recordar a actividade daquele espaço num tempo já longínquo) e por alguns visitantes mais curiosos.
Tentando esconder o Sol com uma peneira, durante o ano de 2007, o Portal InSitu edita um texto publicitário da responsabilidade da Autarquia Sardoalense sobre os Moinhos de Vento de Entrevinhas, convidando à sua visita. Eis o texto: “A aproximadamente três quilómetros do Sardoal, no alto do outeiro sobranceiro à povoação de Entrevinhas, situam-se os Moinhos de Vento. Detentores de características únicas no país, estes moinhos marcaram a vida de muitas gerações no Sardoal. A sua reabilitação representa uma mais valia para esta região em termos arqueológicos, culturais, pedagógicos, ambientais e turísticos. Se desejar visitar o interior destes moinhos deve contactar, previamente os Serviços de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Sardoal.”
Nas últimas semanas visitei por três vezes aquele espaço. Aqui vos faço um convite. Deixem o carro no largo das Festas de Entrevinhas e subam duzentos metros de um caminho adequado a um circuito de moto-cross ou todo-o-terreno. Chegando ao parque, desfrutam a paisagem que é deslumbrante e sentem-se num dos muitos bancos que por ali existem. Tentem imaginar o que era aquele espaço no início do século XX. Se tiverem sede não vale a pena pressionarem a torneira ali existente, porque não deita água. Se tiverem lixo tragam-no convosco não vá dar-se o caso do mesmo ter de permanecer, no caixote do lixo ali existente, por tempo indeterminado. Se passarem junto ao único moinho recuperado cuidado com os cabos de aço pendurados do veio em madeira já podre. Se, por fim, ao saírem do parque, virarem à esquerda aconselho-os a virarem sempre à esquerda não vá dar-se o caso de se perderem, é que sinalização, simplesmente não há.
Porque será que, ás vezes, a força de um certo líquido que armazenámos dentro do nosso corpo, durante o dia, nos interrompe alguns sonhos lindos que durante algum tempo experimentámos no vale dos lençóis e embalados nos braços de Morfeu, durante a noite?
É bonito sonhar. Tal como dizia o poeta, “… é o sonho que comanda a vida e sempre que o homem sonha o mundo pula e avança…”. Só que há sonhos possíveis e há sonhos impossíveis.
É imprescindível que os Autarcas tenham sonhos. Só que quando esses sonhos ultrapassam a razão e roçam a irresponsabilidade são as populações que herdam o fardo do pesadelo.
Assim, após 9 anos e depois de um investimento de 30 mil contos termina mais um sonho do Presidente da Autarquia Sardoalense. Hoje, não é difícil perceber que o Sonho da ROTA DO PÃO se transformou, na realidade, num ARROTA A NADA.
Corria o segundo mandato do actual Presidente da Câmara (1997-2001) quando este decidiu, uma vez mais, sonhar. Sonhou, e muito bem, em colocar o Município do Sardoal num circuito turístico Nacional. Vai daí, “arregaçou mangas” e dá início ao projecto denominado “Rota do Pão”.
O projecto era constituído por duas fases:
- A Fase 1 passava pela recuperação total de dois dos moinhos de vento existentes no alto de Entrevinhas (dos quatros ali existentes), com a criação de uma zona de lazer na área envolvente, aproveitando-se os outros dois moinhos para a instalação de algum equipamento de apoio.
- A Fase 2, concluída a Fase 1, passaria pela criação de um circuito turístico em torno do que se poderia chamar de “Rota do Pão” que incluiria, também, as azenhas ainda em funcionamento ou que poderiam ser facilmente recuperadas na Ribeira das Sarnadas (Vale do Cabril), para onde estava prevista a construção de uma praia fluvial e na Ribeira do Vale Formoso que confluía próximo da Lapa, constituindo a partir daí a Ribeira da Arcez, uma zona que ficaria submersa pela Albufeira da Lapa.
Com um orçamento a rondar os 29 mil contos dá-se início à Fase 1 depois de ter sido assegurado, para o efeito, um co-financiamento através do Programa de Iniciativa Comunitária Leader II, no âmbito da Tagus.
A apresentação do projecto ao público e à comunicação social, com demonstração do funcionamento de um moinho (a recuperação dos outros ficaria para outra altura) foi efectuada em 6 de Fevereiro de 1999 com a pompa e circunstância que o acto merecia.
De acordo com o espírito do presidente da Câmara “… o roteiro dos Moinhos de Vento abrangeria em princípio dois tipos diferentes de destinatários: as visitas organizadas e guiadas, para um público escolar no âmbito de programas escolares e para um público mais vasto através de circuitos pedestres e de circuitos automóvel com origem em qualquer ponto do País e não só” (Como todos poderemos perceber o sonho da “Rota do Pão” não era um simples sonho. A sua dimensão era tal que se assumia poder ser integrado em circuitos automóveis com origem em qualquer ponto do País e não só. Alguém me consegue traduzir este “…e não só”.).
E era ainda referido em Fevereiro de 2000 que “… A animação decorrente destes equipamentos pretende constituir-se como factor de promoção de paisagem rural do Concelho com objectivos de defesa do Ambiente e de preservação das Aldeias e aglomerados populacionais. È um museu vivo que tem sido objecto de muita visita e alvo de grande interesse.”
A Fase 1 mesmo não tendo sido concluída na sua totalidade, não deixava de merecer todos os elogios acreditando-se que era tudo uma questão de tempo para que tal fosse possível e a Rota do Pão seria uma realidade.
O tempo foi passando e nem a Fase 1 foi concluída nem a Fase 2 passou do papel. A “Rota do Pão” passou a ser um tema incomodativo para os responsáveis Autárquicos sempre que alguém tocava no tema.
Algum tempo depois, é votado ao abandono, puro e simples, o único Moinho de Vento recuperado. A madeira da sua cobertura começou a apodrecer, as águas da chuva começaram a "visitar" os engenhos localizados no seu interior, as velas romperam-se, o veio da vela começou a apodrecer e a sua degradação passou a ser uma realidade.
Os Moinhos de Entrevinhas passaram a ser então um espaço de visita de alguns naturais e/ou residentes de Entrevinhas (tentando recordar a actividade daquele espaço num tempo já longínquo) e por alguns visitantes mais curiosos.
Tentando esconder o Sol com uma peneira, durante o ano de 2007, o Portal InSitu edita um texto publicitário da responsabilidade da Autarquia Sardoalense sobre os Moinhos de Vento de Entrevinhas, convidando à sua visita. Eis o texto: “A aproximadamente três quilómetros do Sardoal, no alto do outeiro sobranceiro à povoação de Entrevinhas, situam-se os Moinhos de Vento. Detentores de características únicas no país, estes moinhos marcaram a vida de muitas gerações no Sardoal. A sua reabilitação representa uma mais valia para esta região em termos arqueológicos, culturais, pedagógicos, ambientais e turísticos. Se desejar visitar o interior destes moinhos deve contactar, previamente os Serviços de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Sardoal.”
Nas últimas semanas visitei por três vezes aquele espaço. Aqui vos faço um convite. Deixem o carro no largo das Festas de Entrevinhas e subam duzentos metros de um caminho adequado a um circuito de moto-cross ou todo-o-terreno. Chegando ao parque, desfrutam a paisagem que é deslumbrante e sentem-se num dos muitos bancos que por ali existem. Tentem imaginar o que era aquele espaço no início do século XX. Se tiverem sede não vale a pena pressionarem a torneira ali existente, porque não deita água. Se tiverem lixo tragam-no convosco não vá dar-se o caso do mesmo ter de permanecer, no caixote do lixo ali existente, por tempo indeterminado. Se passarem junto ao único moinho recuperado cuidado com os cabos de aço pendurados do veio em madeira já podre. Se, por fim, ao saírem do parque, virarem à esquerda aconselho-os a virarem sempre à esquerda não vá dar-se o caso de se perderem, é que sinalização, simplesmente não há.
Porque será que, ás vezes, a força de um certo líquido que armazenámos dentro do nosso corpo, durante o dia, nos interrompe alguns sonhos lindos que durante algum tempo experimentámos no vale dos lençóis e embalados nos braços de Morfeu, durante a noite?
É bonito sonhar. Tal como dizia o poeta, “… é o sonho que comanda a vida e sempre que o homem sonha o mundo pula e avança…”. Só que há sonhos possíveis e há sonhos impossíveis.
É imprescindível que os Autarcas tenham sonhos. Só que quando esses sonhos ultrapassam a razão e roçam a irresponsabilidade são as populações que herdam o fardo do pesadelo.
Assim, após 9 anos e depois de um investimento de 30 mil contos termina mais um sonho do Presidente da Autarquia Sardoalense. Hoje, não é difícil perceber que o Sonho da ROTA DO PÃO se transformou, na realidade, num ARROTA A NADA.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
O Jogo das "Escondidas" (2)
ERA UMA VEZ …
No dia 06 de Junho de 2007 o Semanário Regional “Expresso do Pinhal”, com sede em Sertã, publicava na sua edição nº 238 (página 21) um anúncio da responsabilidade da Autarquia Sardoalense, ao qual foi atribuído o número 1768. O anúncio tratava de um aviso, através do qual a Câmara Municipal de Sardoal informava que se encontrava aberto, pelo prazo de 5 dias úteis, um concurso para a admissão de um lugar de Nadador Salvador, do Grupo de Pessoal Auxiliar, em regime de contrato de trabalho a termo certo, pelo prazo de um ano, eventualmente renovável nos termos da lei.
A publicação do citado aviso não teria merecido a minha especial atenção caso o Semanário fosse comercializado no Município do Sardoal. Mas não era. De contactos que então estabeleci, fiquei a saber, ainda, que não era comercializado também nos Municípios confinantes com o Município do Sardoal, embora pudesse ser encontrado em algumas Bibliotecas Municipais. Isto é, o princípio que norteia a obrigatoriedade da Administração Pública publicitar a abertura de concursos para a admissão de pessoal era colocada em causa dado o público-alvo principal (os Sardoalenses) ficarem privados da notícia.
Para os menos atentos passo a transcrever um excerto da nossa Constituição: “… a Administração Pública, enquanto entidade empregadora promove activamente uma política de igualdade de oportunidade entre homens e mulheres no acesso ao emprego e na progressão profissional, providenciando escrupulosamente no sentido de evitar toda e qualquer forma de discriminação.”
Diante deste conhecimento a pergunta lógica que qualquer um faria era saber se haveria alternativas àquele Jornal Semanário. E havia. Por exemplo, o Jornal “Primeira Linha”, com sede em Abrantes, é um Semanário Regional que há muito é comercializado no Município do Sardoal, sendo regularmente utilizado pela Autarquia Sardoalense para publicitar outro tipo de avisos ou comunicados, que não a abertura de concursos. Mais… Sempre que os responsáveis pela Autarquia entendiam (e entendem) efectuar um comunicado político à população, o Jornal Regional eleito é o “Primeira Linha”, por saberem que este é capaz de difundir melhor a mensagem.
Então se havia alternativa, o que levava os responsáveis pela Autarquia Sardoalense a publicarem a abertura de um Concurso para a Admissão de Pessoal num Semanário Regional que não garantia a difusão da notícia junto dos eventuais interessados?
Um elemento adicional que o Semanário Regional “Expresso do Pinhal”, publicava na sua edição nº 238, mais precisamente na sua página 4, era que, na lista de colaboradores daquele jornal, figurava um nome que me chamou a atenção: “Mário Jorge Sousa”. E chamou-me a atenção porque tal nome correspondia ao nome pelo qual é tratado o Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal do Sardoal.
Na reunião do Executivo Municipal, realizada no dia 04 de Julho de 2007, entendi questionar o Presidente da Câmara Municipal de Sardoal no sentido de perceber as razões que pudessem estar na opção de se publicar no Expresso do Pinhal a abertura do Concurso para admissão de pessoal. Perguntei assim quantos haviam sido os candidatos ao lugar de Nadador Salvador ao mesmo tempo que questionei se a publicação advinha da necessidade de não ser comprometida a “lei da pescada” (se o lugar já estava destinado a alguém, para quê arriscar que o aparecimento de outro alguém pudesse “beliscar” a selecção já feita) ou por o Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara poder ser um colaborador desse jornal?
Em resposta o Presidente da Câmara referiu que apenas um candidato se apresentara ao lugar vago (alguém seria capaz de imaginar outro número?); que a publicação da abertura do Concurso de Admissão de Pessoal no “Expresso do Pinhal” resultava do facto do Semanário ser igual a qualquer outro, ser tão lido como a “Primeira Linha” (não especificou se em Vila Real de Santo António ou em Ponte da Barca) ou qualquer outro, para além de praticar preços inferiores; e que o seu Chefe de Gabinete escreve para este ou para qualquer jornal, mas na qualidade de Mário Jorge de Sousa.
Sabem o que aconteceu a seguir?
O Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara, cargo de nomeação política, entendeu desvirtuar a minha pergunta sobre a sua pessoa (enquanto político que o é) e munindo-se de um verdadeiro “arsenal de palavras bélicas”, “bombardeou” o meu bom-nome e a minha honra. Os “ferimentos” que me infligiu foram de tal modo sérios, que não tive alternativa senão mover-lhe uma acção judicial (já não posso dizer que nunca movi um processo judicial contra quem quer que seja, é a minha estreia) que se encontra a decorrer e que o segredo de justiça me obriga a ser comedido.
Quanto à publicação no Expresso do Pinhal de anúncios da abertura de concursos para admissão de pessoal, está claro que o Presidente da Câmara fez tábua rasa da minha intervenção e a Autarquia Sardoalense lá continuou a publicar tais avisos naquele Semanários Regional. No dia 21 de Novembro de 2007, na página 6, lá figurava o aviso que dava conta da abertura de um Concurso para admissão de 1 Engenheiro Técnico Civil e 1 Fiscal do Serviço de Águas ou Saneamento. No dia 7 de Maio de 2008, na sua edição nº 259, o Expresso do Pinhal publicava na sua página 19, que o Município do Sardoal tornava público que se encontravam abertos pelo prazo de 5 dias úteis, a partir do dia seguinte à publicação do aviso, os seguintes concursos em regime de contrato de trabalho a termo resolutivo certo, pelo prazo de um ano, eventualmente renováveis de: 1 lugar de Auxiliar Administrativo; 4 Cantoneiros e 1 Técnico Superior de Desporto.
Na sequência da última publicação, a minha paciência voltou a esgotar-se e na reunião do Executivo Municipal no dia 21 de Maio de 2008, lá voltei eu “à carga”. E lá voltou o Presidente da Câmara a afirmar que “… não interfere no assunto, desde que se cumpra a Lei. Os serviços colocam o anúncio, tendo em atenção o cumprimento da Lei e também os custos.” Depois de tanto argumentar só me restava uma saída para perceber qual o valor dos custos que estavam em jogo. Solicitei então que o Presidente da Câmara providenciasse no sentido de, quer eu quer o meu colega Pedro Duque, sermos informados do custo real da publicação do último aviso no “Expresso do Pinhal” e qual o valor previsível que o “Primeira Linha” cobraria por semelhante aviso.
Algum tempo depois recebemos a informação que solicitáramos.
- Caros amigos. Se não estão sentados, por favor sentem-se!
A publicação do aviso da abertura de concurso para admissão de pessoal publicado no Expresso do Pinhal, no dia 7 de Maio de 2008 custou aos cofres da Autarquia (isto é, a todos nós) 164,60 € + IVA. O mesmo aviso caso tivesse sido publicado no Jornal “Primeira Linha” custaria 77,76 € + (IVA?).
Na reunião do Executivo Municipal, realizada no dia 6 de Agosto de 2008, confrontei o Presidente da Câmara com estes números. Conseguem adivinhar a sua reacção quando percebeu que chegara ao fim a longa mentira que arquitectara e que sempre defendera para justificar a publicação da abertura de concursos para admissão de pessoal num Jornal Regional que não é comercializado no Município do Sardoal?
Não resisto à tentação de aqui transcrever o que consta da acta nº 15/2008, sobre o assunto, mais precisamente nas suas páginas 3 e 4:
“… O Senhor Vereador Fernando Morais, sobre o assunto e na sequência da Reunião de Câmara de 4 de Junho, referiu que o Senhor Presidente, lhe tinha fornecido e ao Senhor Vereador Pedro Duque, os elementos solicitados para comparação dos custos de uma publicação de um anúncio no Jornal Regional “Expresso do Pinhal”, e de outro jornal da região.
Os elementos fornecidos aos Senhores Vereadores provam que caso o anúncio que foi publicado no referido Jornal “Expresso do Pinhal”, no dia 7 de Maio de 2008 (abertura de concurso para admissão de 1 Auxiliar Administrativo, 4 Cantoneiros e 1 Técnico Superior de Desporto de 2ª Classe, para o qual o Município pagou 199,16€ tivesse sido publicado no Jornal “Primeira Linha”, o Município poderia ter poupado cerca de 50% do valor pago.
O Senhor Vereador Fernando Morais Acrescentou ainda que, perante este conhecimento, ele e o Senhor Vereador Pedro Duque interpretam a opção de se publicar anúncios num Jornal Regional que não se encontra à venda ao público no Concelho, em vez de os publicar em Jornais Regionais comercializados no Sardoal, mesmo pagando o dobro do que poderiam pagar. Referiu ainda, que se trata de uma irresponsabilidade dos Serviços ou de instruções dadas para o efeito, para que a “Lei da pescada” possa imperar na selecção dos candidatos. O Senhor Vereador Fernando Morais terminou a sua intervenção referindo que apenas lhe resta e ao Senhor Vereador Pedro Duque, condenar tais opções e esperar que as mesmas possam ser corrigidas.
O Senhor Presidente interveio respondendo que, em relação aos custos de publicação de anúncios em jornais regionais estava convencido que era o mais barato. Referiu ainda que lhe é indiferente que seja publicado no jornal A, ou no jornal B. O Senhor Presidente acrescentou que vai perguntar aos Serviços o porquê de tal situação e ordenar que de futuro os anúncios sejam publicados em Jornais Regionais e que seja tido em conta o valor da publicação dos mesmos.”
-Que pensam sobre tudo isto?
Recordam-se de eu há algum tempo aqui escrever que o Presidente da Câmara de Sardoal comportava-se, por vezes, como aquele mau chefe de família que quando percebia que um erro por si cometido lhe poderia causar alguns dissabores era capaz de se esconder atrás da inocência de um dos seus filhos para que não fosse beliscada a sua imagem de bom chefe de família?
Digam-me lá, ainda, se este comportamento de “desculpa esfarrapada” (se pensava que era mais barata a publicação no Expresso do Pinhal porque diabo é que a informação política da Câmara é normalmente publicada no “Primeira Linha”? Não se vislumbra desde logo que aqui existe algo que não bate certo? Porquê pagar mais se, de acordo com o seu pensamento, um é tão lido como o outro?) não configura o comportamento do tal Professor Primário do Estado Novo que tudo fazia para proteger o …inho e a …inha no “Jogo das Escondidas” durante o intervalo das aulas? Naquele tempo que remédio tínhamos nós se não acreditarmos que nas costas do professor não se escondia nenhum …inho. E quando percebíamos que o professor nos mentia, a “raiva” que nos invadia não poderia de modo algum ser exteriorizada, senão…
Há 34 anos que o Estado Novo deu lugar à Democracia. Todos nós deveremos pugnar por vivermos numa sociedade mais justa e solidária onde todos os seus membros deverão ter os mesmos deveres e os mesmos direitos. Pela minha parte tudo farei para que a Democracia na sociedade à qual pertenço não seja uma farsa em que uns são mais iguais que outros.
Eu faço a minha parte! Quando está certo aplaudo. Quando está errado denuncio.
Neste caso particular a MENTIRA chegou ao fim. Assim o espero.
No dia 06 de Junho de 2007 o Semanário Regional “Expresso do Pinhal”, com sede em Sertã, publicava na sua edição nº 238 (página 21) um anúncio da responsabilidade da Autarquia Sardoalense, ao qual foi atribuído o número 1768. O anúncio tratava de um aviso, através do qual a Câmara Municipal de Sardoal informava que se encontrava aberto, pelo prazo de 5 dias úteis, um concurso para a admissão de um lugar de Nadador Salvador, do Grupo de Pessoal Auxiliar, em regime de contrato de trabalho a termo certo, pelo prazo de um ano, eventualmente renovável nos termos da lei.
A publicação do citado aviso não teria merecido a minha especial atenção caso o Semanário fosse comercializado no Município do Sardoal. Mas não era. De contactos que então estabeleci, fiquei a saber, ainda, que não era comercializado também nos Municípios confinantes com o Município do Sardoal, embora pudesse ser encontrado em algumas Bibliotecas Municipais. Isto é, o princípio que norteia a obrigatoriedade da Administração Pública publicitar a abertura de concursos para a admissão de pessoal era colocada em causa dado o público-alvo principal (os Sardoalenses) ficarem privados da notícia.
Para os menos atentos passo a transcrever um excerto da nossa Constituição: “… a Administração Pública, enquanto entidade empregadora promove activamente uma política de igualdade de oportunidade entre homens e mulheres no acesso ao emprego e na progressão profissional, providenciando escrupulosamente no sentido de evitar toda e qualquer forma de discriminação.”
Diante deste conhecimento a pergunta lógica que qualquer um faria era saber se haveria alternativas àquele Jornal Semanário. E havia. Por exemplo, o Jornal “Primeira Linha”, com sede em Abrantes, é um Semanário Regional que há muito é comercializado no Município do Sardoal, sendo regularmente utilizado pela Autarquia Sardoalense para publicitar outro tipo de avisos ou comunicados, que não a abertura de concursos. Mais… Sempre que os responsáveis pela Autarquia entendiam (e entendem) efectuar um comunicado político à população, o Jornal Regional eleito é o “Primeira Linha”, por saberem que este é capaz de difundir melhor a mensagem.
Então se havia alternativa, o que levava os responsáveis pela Autarquia Sardoalense a publicarem a abertura de um Concurso para a Admissão de Pessoal num Semanário Regional que não garantia a difusão da notícia junto dos eventuais interessados?
Um elemento adicional que o Semanário Regional “Expresso do Pinhal”, publicava na sua edição nº 238, mais precisamente na sua página 4, era que, na lista de colaboradores daquele jornal, figurava um nome que me chamou a atenção: “Mário Jorge Sousa”. E chamou-me a atenção porque tal nome correspondia ao nome pelo qual é tratado o Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara Municipal do Sardoal.
Na reunião do Executivo Municipal, realizada no dia 04 de Julho de 2007, entendi questionar o Presidente da Câmara Municipal de Sardoal no sentido de perceber as razões que pudessem estar na opção de se publicar no Expresso do Pinhal a abertura do Concurso para admissão de pessoal. Perguntei assim quantos haviam sido os candidatos ao lugar de Nadador Salvador ao mesmo tempo que questionei se a publicação advinha da necessidade de não ser comprometida a “lei da pescada” (se o lugar já estava destinado a alguém, para quê arriscar que o aparecimento de outro alguém pudesse “beliscar” a selecção já feita) ou por o Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara poder ser um colaborador desse jornal?
Em resposta o Presidente da Câmara referiu que apenas um candidato se apresentara ao lugar vago (alguém seria capaz de imaginar outro número?); que a publicação da abertura do Concurso de Admissão de Pessoal no “Expresso do Pinhal” resultava do facto do Semanário ser igual a qualquer outro, ser tão lido como a “Primeira Linha” (não especificou se em Vila Real de Santo António ou em Ponte da Barca) ou qualquer outro, para além de praticar preços inferiores; e que o seu Chefe de Gabinete escreve para este ou para qualquer jornal, mas na qualidade de Mário Jorge de Sousa.
Sabem o que aconteceu a seguir?
O Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara, cargo de nomeação política, entendeu desvirtuar a minha pergunta sobre a sua pessoa (enquanto político que o é) e munindo-se de um verdadeiro “arsenal de palavras bélicas”, “bombardeou” o meu bom-nome e a minha honra. Os “ferimentos” que me infligiu foram de tal modo sérios, que não tive alternativa senão mover-lhe uma acção judicial (já não posso dizer que nunca movi um processo judicial contra quem quer que seja, é a minha estreia) que se encontra a decorrer e que o segredo de justiça me obriga a ser comedido.
Quanto à publicação no Expresso do Pinhal de anúncios da abertura de concursos para admissão de pessoal, está claro que o Presidente da Câmara fez tábua rasa da minha intervenção e a Autarquia Sardoalense lá continuou a publicar tais avisos naquele Semanários Regional. No dia 21 de Novembro de 2007, na página 6, lá figurava o aviso que dava conta da abertura de um Concurso para admissão de 1 Engenheiro Técnico Civil e 1 Fiscal do Serviço de Águas ou Saneamento. No dia 7 de Maio de 2008, na sua edição nº 259, o Expresso do Pinhal publicava na sua página 19, que o Município do Sardoal tornava público que se encontravam abertos pelo prazo de 5 dias úteis, a partir do dia seguinte à publicação do aviso, os seguintes concursos em regime de contrato de trabalho a termo resolutivo certo, pelo prazo de um ano, eventualmente renováveis de: 1 lugar de Auxiliar Administrativo; 4 Cantoneiros e 1 Técnico Superior de Desporto.
Na sequência da última publicação, a minha paciência voltou a esgotar-se e na reunião do Executivo Municipal no dia 21 de Maio de 2008, lá voltei eu “à carga”. E lá voltou o Presidente da Câmara a afirmar que “… não interfere no assunto, desde que se cumpra a Lei. Os serviços colocam o anúncio, tendo em atenção o cumprimento da Lei e também os custos.” Depois de tanto argumentar só me restava uma saída para perceber qual o valor dos custos que estavam em jogo. Solicitei então que o Presidente da Câmara providenciasse no sentido de, quer eu quer o meu colega Pedro Duque, sermos informados do custo real da publicação do último aviso no “Expresso do Pinhal” e qual o valor previsível que o “Primeira Linha” cobraria por semelhante aviso.
Algum tempo depois recebemos a informação que solicitáramos.
- Caros amigos. Se não estão sentados, por favor sentem-se!
A publicação do aviso da abertura de concurso para admissão de pessoal publicado no Expresso do Pinhal, no dia 7 de Maio de 2008 custou aos cofres da Autarquia (isto é, a todos nós) 164,60 € + IVA. O mesmo aviso caso tivesse sido publicado no Jornal “Primeira Linha” custaria 77,76 € + (IVA?).
Na reunião do Executivo Municipal, realizada no dia 6 de Agosto de 2008, confrontei o Presidente da Câmara com estes números. Conseguem adivinhar a sua reacção quando percebeu que chegara ao fim a longa mentira que arquitectara e que sempre defendera para justificar a publicação da abertura de concursos para admissão de pessoal num Jornal Regional que não é comercializado no Município do Sardoal?
Não resisto à tentação de aqui transcrever o que consta da acta nº 15/2008, sobre o assunto, mais precisamente nas suas páginas 3 e 4:
“… O Senhor Vereador Fernando Morais, sobre o assunto e na sequência da Reunião de Câmara de 4 de Junho, referiu que o Senhor Presidente, lhe tinha fornecido e ao Senhor Vereador Pedro Duque, os elementos solicitados para comparação dos custos de uma publicação de um anúncio no Jornal Regional “Expresso do Pinhal”, e de outro jornal da região.
Os elementos fornecidos aos Senhores Vereadores provam que caso o anúncio que foi publicado no referido Jornal “Expresso do Pinhal”, no dia 7 de Maio de 2008 (abertura de concurso para admissão de 1 Auxiliar Administrativo, 4 Cantoneiros e 1 Técnico Superior de Desporto de 2ª Classe, para o qual o Município pagou 199,16€ tivesse sido publicado no Jornal “Primeira Linha”, o Município poderia ter poupado cerca de 50% do valor pago.
O Senhor Vereador Fernando Morais Acrescentou ainda que, perante este conhecimento, ele e o Senhor Vereador Pedro Duque interpretam a opção de se publicar anúncios num Jornal Regional que não se encontra à venda ao público no Concelho, em vez de os publicar em Jornais Regionais comercializados no Sardoal, mesmo pagando o dobro do que poderiam pagar. Referiu ainda, que se trata de uma irresponsabilidade dos Serviços ou de instruções dadas para o efeito, para que a “Lei da pescada” possa imperar na selecção dos candidatos. O Senhor Vereador Fernando Morais terminou a sua intervenção referindo que apenas lhe resta e ao Senhor Vereador Pedro Duque, condenar tais opções e esperar que as mesmas possam ser corrigidas.
O Senhor Presidente interveio respondendo que, em relação aos custos de publicação de anúncios em jornais regionais estava convencido que era o mais barato. Referiu ainda que lhe é indiferente que seja publicado no jornal A, ou no jornal B. O Senhor Presidente acrescentou que vai perguntar aos Serviços o porquê de tal situação e ordenar que de futuro os anúncios sejam publicados em Jornais Regionais e que seja tido em conta o valor da publicação dos mesmos.”
-Que pensam sobre tudo isto?
Recordam-se de eu há algum tempo aqui escrever que o Presidente da Câmara de Sardoal comportava-se, por vezes, como aquele mau chefe de família que quando percebia que um erro por si cometido lhe poderia causar alguns dissabores era capaz de se esconder atrás da inocência de um dos seus filhos para que não fosse beliscada a sua imagem de bom chefe de família?
Digam-me lá, ainda, se este comportamento de “desculpa esfarrapada” (se pensava que era mais barata a publicação no Expresso do Pinhal porque diabo é que a informação política da Câmara é normalmente publicada no “Primeira Linha”? Não se vislumbra desde logo que aqui existe algo que não bate certo? Porquê pagar mais se, de acordo com o seu pensamento, um é tão lido como o outro?) não configura o comportamento do tal Professor Primário do Estado Novo que tudo fazia para proteger o …inho e a …inha no “Jogo das Escondidas” durante o intervalo das aulas? Naquele tempo que remédio tínhamos nós se não acreditarmos que nas costas do professor não se escondia nenhum …inho. E quando percebíamos que o professor nos mentia, a “raiva” que nos invadia não poderia de modo algum ser exteriorizada, senão…
Há 34 anos que o Estado Novo deu lugar à Democracia. Todos nós deveremos pugnar por vivermos numa sociedade mais justa e solidária onde todos os seus membros deverão ter os mesmos deveres e os mesmos direitos. Pela minha parte tudo farei para que a Democracia na sociedade à qual pertenço não seja uma farsa em que uns são mais iguais que outros.
Eu faço a minha parte! Quando está certo aplaudo. Quando está errado denuncio.
Neste caso particular a MENTIRA chegou ao fim. Assim o espero.
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