sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vila Jardim (2)







Depois de muitas fotografias ter tirado pelas ruas do Centro Histórico da Vila do Sardoal, entendi publicar apenas estas cinco. Não pretendi que a objectiva focasse o pormenor, deixando a todos aqueles que aceitaram o meu repto, de visitarem o espaço que consagra o Sardoal como Vila Jardim, para serem eles a identificarem esses pormenores.

São esses pormenores que poderão responder à pergunta por mim formulada sobre se: "- o Centro Histórico da Vila do Sardoal, tal qual hoje se apresenta, poderá continuar a conceder à Vila de Sardoal o título de Vila Jardim?".

(Post Scriptum: Embora não goste muito de abordar mais do que um tema nestes meus artigos semanais, não posso deixar em claro uma breve abordagem a dois assuntos que julgo, de todo pertinentes: o sítio na internet da Câmara Municipal de Sardoal e o 25 de Abril.

- No meu artigo anterior (Vila Jardim 1) formulei uma série de questões que se prendiam com a ausência de informação, no sítio da internet da Câmara Municipal do Sardoal (www.cm-sardoal.pt), sobre a Semana Santa e sobre a Cultura do Sardoal. Esta semana, foi com agradável surpresa que tive a oportunidade de conhecer uma nova página ali "inaugurada" e que tem como título "Visita virtual ao Património Religioso do Sardoal". A página apresenta o interior de 7 igrejas e capelas da Vila do Sardoal.

Depois de "visitar" os 7 edifícios religiosos, julgo ser de inteira justiça que se diga: "Chapeau Senhor Presidente".

Pese o facto de ser longo o caminho que deverá ser percorrido até que o sítio funcione como uma verdadeira alavanca que possa potenciar o turismo dentro das fronteiras do Concelho do Sardoal, o passo agora dado é merecedor de todos os elogios. Poderia aqui descrever o que penso ainda faltar, mas não o faço. E não o faço porque entendo que existem momentos em que não se deve tirar o brilho a actos dignos de alguns elogios. Este é um deles. Neste particular está de parabéns o responsável máximo pelo portal, o Presidente da Câmara. Todavia aguardo com expectativa os próximos passos nesta área.

- Comemora-se ámanhã o 35º aniversário da revolução dos cravos. Tinha 19 anos quando um grupo de bem intencionados capitães decidiram retirar o poder a quem não o sabia exercer e entregá-lo a quem se mostrava capaz de o fazer. Passados que são 35 anos após o dia 25 de Abril de 1974, ainda existem perguntas sobre as quais não obtenho qualquer resposta:

1) Quais as diferenças e semelhanças entre o antes e o depois de 25 de Abril de 1974 e o "triunfo dos porcos" de George Orwell?

2) Em que raio de comboio o 25 de Abril entrou que ainda não chegou à estação da tal Grândola Vila Morena, a tal "terra da fraternidade e da igualdade?" Será que a albufeira do Alqueva já a submergiu ou um qualquer aeroporto internacional já a soterrou?

3) Porque é que a "revolução dos cravos" gerou a "lei das rosas", a qual determina que muitos sejam a agarrar as suas hastes, mesmo que cravem os espinhos nas suas próprias mãos, enquanto alguns, muito poucos, se deleitam com o aroma das suas pétalas?

4) Quando é que todos nós aprendemos a ter juízo?

domingo, 19 de abril de 2009

Vila Jardim (1)

Na passada semana, um grupo de amigos, reunidos em torno de uma mesa e degustando pedaços de leitão assado, decidiram a dada altura do repasto falar do vinho que era servido. Ultrapassada a curiosidade de alguns sobre a sua qualidade, eis que alguém pergunta: - Qual a razão da marca ser Vila Jardim?

Outro, profundo conhecedor da história da marca, intervém afirmando que tal advinha do facto do seu proprietário, natural do Concelho do Sardoal, pretender homenagear a sua terra Natal e nada melhor do que utilizar o nome pelo qual a Vila do Sardoal era, e é, por alguns conhecida.

Um dos presentes, pouco conhecedor da realidade da Vila perguntou, então, porque é que a Vila do Sardoal era assim tratada. Acto contínuo foi informado como os residentes da zona histórica da Vila tinham orgulho em embelezar de flores as suas ruas seculares, conferindo a todo aquele espaço características de um jardim muito peculiar que convidavam a uma visita turística. O tema terminou com o lamento de alguns pelo facto dessas ruas já não terem o brilho de outrora.

Nesse dia, à noite (6ª feira), pensei sobre o assunto e entendi efectuar uma visita ao sítio www.cm-sardoal.pt com a curiosidade de perceber como a Vila Jardim era ali tratada. Na página “Conhecer o Município” pode ler-se: “ O Sardoal possui um centro histórico que o envolve e cativa ao primeiro olhar, onde na primavera você poderá assistir a um verdadeiro espectáculo de beleza e cor, dado pelas flores que profusamente pendem dos muros e das varandas, legitimando o título de Vila Jardim que ostenta há várias décadas.”

Prestes de cumprir o primeiro terço da Estação da Primavera, logo, o convite que a Câmara Municipal de Sardoal nos faz, não poderia ser mais actual. Pegando nesse convite, convido-os, então, a visitarem o Centro Histórico da Vila de Sardoal ao mesmo tempo que vos proponho que respondam às perguntas que hoje aqui deixo:

- Será que o Centro Histórico da Vila de Sardoal, tal como hoje se apresenta, justifica que a Vila do Sardoal possa ser conhecida como Vila Jardim?

- Quais os elementos de beleza natural e arquitectónica que o Centro Histórico encerra que são capazes de promover um espectáculo de beleza e cor conforme alude o texto apresentado no sítio da Autarquia?

- Será que alguém, depois percorrer todas as ruas dos Centro Histórico da Vila do Sardoal (e não apenas aquelas onde o pavimento foi melhorado, para que as saliências do cascalho rolado não condicionassem os passos dos integrantes das procissões da Semana Santa) e de observar cuidadosamente as edificações e o “tal” espectáculo de cor que ladeiam as ruas, é capaz de afirmar que o epíteto de Sardoal Vila Jardim não poderia ser mais adequado? E sendo-o, porque é que não existe uma maior promoção turística? E não o sendo, será que a descrição mencionada no sítio da Autarquia Sardoalense não configura uma publicidade enganosa?

No próximo artigo continuarei com este tema.

(P.S. Sem querer pretender dispersar o pensamento sobre o tema que hoje inicio, julgo ser oportuno que aqui apresente algumas questões a quem de direito e que sintetizo no seguinte:

- Aquando da minha “busca” ao sítio da Câmara Municipal do Sardoal, para conhecer o que ali se encontrava registado sobre o facto da Vila do Sardoal poder também ser conhecida como Vila Jardim, que a curiosidade me impeliu para outro tema que anualmente é muito caro aos Sardoalenses e que é um motivo que traz à Vila não só muitos visitantes, mas também a própria imprensa nacional: As capelas enfeitadas com flores no tempo da Semana Santa. Quantos de nós não sentimos algum orgulho por vermos tais quadros feitos com pétalas de flores que revelam quadros lindíssimos serem apresentados nas notícias difundidas pelas cadeias de televisão nacional? Tal “orgulho” renovou-se na semana transacta. Por isso, pergunto:

- Porque é que o sítio da Câmara Municipal de Sardoal não possui informação sobre a matéria?

- Porque é que não se encontram disponíveis para consulta tais telas naturais, bem como as igrejas que os acolheram?

- Será que tal informação não poderia suscitar no visitante virtual um sério candidato a forte visitante real no próximo evento, com todas as vantagens económicas e culturais que daí poderiam advir para o próprio Município?

- Será que tal informação não seria mais relevante do que aquela que o próprio sítio apresenta e que trata o “Diário de uma viagem de Verão” realizada, por um grupo de estudantes e patrocinada pelo Município do Sardoal, em Julho do ano passado?

- Será que cultura do Município do Sardoal se deve resumir apenas e só ao edifício do Centro Cultural, conforme o próprio sítio da autarquia deixa transparecer?


Fico a aguardar pelas respostas)

sábado, 11 de abril de 2009

FELIZ PÁSCOA

Anualmente, a comunidade católica do mundo celebra duas datas religiosas em memória da vinda de Jesus Cristo à terra dos homens: o Seu nascimento e a Sua morte. Enquanto católico tais datas representam para mim, suplementos de esperança. A Sua “morte”(?) contudo, é aquela que mais me faz reflectir sobre a Sua grandeza, como se ela fosse a chancela de todo o bem que gratuitamente distribuiu, enquanto viveu a vida dos homens.

Os anos passaram e pese todas as “distracções” que a evolução da humanidade foi sujeita, o Seu exemplo mantém-se vivo e, de uma forma mais ou menos activa, continua a “tocar” milhões de consciências dispersas pelos quatro cantos do mundo. E já lá vão dois mil anos!!!

Para que possamos perceber a dimensão das “distracções” que atrás refiro, basta fazermos um pequeno exercício: perguntemos a uma pessoa qualquer para traduzir numa única palavra o que representa para ela o Natal e a Páscoa. Não estarei longe se as palavras mais proferidas forem “férias” e “descanso”.

Isto é, as etapas principais da vida do nosso amado Profeta têm vindo a transformar-se em “tempos obrigatórios” para o cultivo do ócio.

Se no tempo que medeia as duas datas, as Suas Palavras e os Seus Exemplos fossem cultivados, julgo que Ele não se importaria, contudo, infelizmente, tal não se passa. Alguns dias antes da comemoração da Páscoa ou do Natal, lá voltamos nós a desejarmos uns aos outros uma Feliz Páscoa ou um Feliz Natal, com muita saúde, com muita paz, sempre na companhia da família, blá… blá… blá…

Proponho-vos um outro exercício: Será que aquele que formula a outrem votos de Feliz Natal ou Feliz Páscoa o faz pensando nas Palavras do Profeta que lhe deram a origem, ou, simplesmente, porque fica bem cumprir-se com a tradição?

Não é estranho que um Homem, por amor a todos os homens que viriam depois da Sua morte(?), foi capaz de se sujeitar às mais duras provações desde a humilhação extrema até ao suplício da própria morte, veja o Seu “gesto” final transformar-se numa troca de cumprimentos entre os homens, acompanhados, ou não, por amêndoas doces ou ovos de chocolate?

Esse Homem apenas queria que os outros homens percebessem que deveriam viver em paz e sentirem que tinham um Deus bom que os protegiam e iluminavam lembrando, ainda, que o facto de nascerem e morrerem da mesma forma os tornava iguais entre si.

Felizmente ainda existem comunidades que evocam a Paixão e os últimos momentos da “vida humana” de Jesus Cristo. A Vila do Sardoal é uma delas. De entre as várias manifestações que anualmente a comunidade dá corpo, existe um evento que mais me “toca”: A procissão do Senhor da Misericórdia ou dos fogaréus.

Talvez de todas as procissões seja aquela que, por se realizar durante a noite, com as luzes da vila apagadas, nos “conduza” à meditação. O facto do negrume da noite ser apenas salpicado pelas luzes dos fachos ou das lamparinas colocadas nas fachadas das casas ou muros que ladeiam o caminho por onde a procissão passa, fazem com que mal percebamos quem segue connosco a nosso lado e com isso nos convide à reflexão.

Este ano repetiu-se o evento. Apenas por motivos de saúde só pude cumprir metade do caminho, todavia, foi o bastante para meditar no mundo em que vivemos, pese todo legado que aquele Homem bom nos deixou há 2000 anos.

- Pensei em como o homem se tornou insensível à dor do outro homem.

- Pensei em como o homem se tornou num animal que se “alimenta” de poder e do qual tem um apetite voraz.

- Pensei em como os desprotegidos e os mais fracos são ignorados, por aqueles sobre quem recai o dever e a responsabilidade de proteger e apoiar, e a sua impotência os leva a aceitarem o destino que lhes traçam quais “mártires cristãos” atirados às feras nos coliseus romanos.

- Pensei no que poderia estar a pensar aquele Homem bom no que se transformou, o Seu exemplo de vida, as Suas Palavras, a Sua Paixão e o Seu sofrimento na Morte (?). Simplesmente não merece o nosso comportamento. Todos os pedidos de perdão que Lhe fizermos serão poucos para compensar a dor que O atormenta.

Que todos vós tenhais uma Feliz Páscoa e que cada um, dentro das responsabilidades que a comunidade lhes delegou, seja capaz de contribuir para que o homem (ou mulher) no fim dos seus dias, neste mundo, seja capaz de afirmar que valeu a pena viver, que amou e foi amado, que ajudou e foi ajudado, que foi justo e que premeditadamente não comprometeu a vida de outrem. Será que não é isso que Deus a todos nos pede?

Para todos uma FELIZ PÁSCOA, que dure até à próxima Páscoa e a todas as outras que lhe seguirão.

sábado, 4 de abril de 2009

Caminhos de Deus (4)

Deu para perceber nos artigos anteriores que mantenho desde há muitos anos uma “relação muito especial” com Deus, da qual me sinto um afortunado pelas muitas “dádivas” que Dele tenho recebido.

Essas “dádivas” fazem-me reflectir sobre qual deverá ser o meu papel no mundo, quando percebo que os “caminhos dos homens” se afastam dos “Caminhos de Deus”. Será que deverei fechar-me dentro de mim próprio, viver em silêncio com Ele e ignorar o mundo à minha volta ou, por outro lado, contribuir de alguma forma para que os “caminhos dos homens” derivem em direcção aos “Caminhos de Deus?

Por mais que eu tente “fechar-me” na minha própria concha, e numa atitude egoísta ignorar o mundo que me rodeia, existe sempre um qualquer obstáculo que impede esse fecho, qual reacção inconsciente a um sentimento claustrofóbico. Esses obstáculos, que direccionam os “caminhos do homem” em sentido contrário aos “Caminhos de Deus”, são os responsáveis pelo facto da concha não se poder fechar.

Não consigo ficar insensível perante as ausências da verdade e do humanismo protagonizadas pelos homens. E a revolta é tanto maior, quanto maior for a responsabilidade que alguns têm perante os outros.

A estatura dos homens mede-se pelo “sabor amargo” que a consciência do erro lhe provoca.

Como qualquer homem, sei que não sou dono da verdade e que o erro me acompanha em muitos passos que dou. Viver é arriscar a vida em cada segundo, e quando se arrisca, o erro está intimamente ligado ao risco. Porém, uma coisa é o erro ser espontâneo e inconsciente, outra é ele ser o resultado de uma premeditação com claros prejuízos para outrem.

Será que as vítimas do erro não são geralmente os mais fracos e os mais frágeis?

Será que o instinto de sobrevivência do homem não o “empurra” para o caminho dos mais fortes e não o estimula a ignorar a existência dos mais fracos?

Quantos de nós não ouvimos já dizer que “dos fracos não reza a história”?

Pois é. Só que esses tais “fracos”, tal como qualquer um de nós:
- Vieram a este mundo sem o solicitar;
- São possuidores de razão, têm sentimentos, instintos naturais e necessidades;
- Também são filhos de Deus e, como tal, nossos irmãos.

Será que a razão não nos deverá a todos motivar para que, todos aqueles que vivem à nossa volta, incluindo nós próprios, quer na comunidade que nos acolhe, quer na aldeia global em que se tornou o nosso planeta e ao qual pertencemos, possamos sentir que “valeu a pena a passagem por este mundo”? Eu não tenho dúvidas.

No passado dia 30 de Março fez um ano que “inaugurei” este meu “cantinho”. Foram vários os temas que abordei durante este tempo e que criaram as mais diversas reacções em todos aqueles que entenderam conhecer os seus conteúdos. Como seria de esperar, houve quem tivesse concordado e quem tivesse discordado. Entenderam uns manifestar-se de rosto tapado, outros houve de rosto descoberto. Uns respeitaram o homem por de trás do pensamento, outros nem por isso. Uns escreveram de longe (olá Brasil!), outros de perto.

O autor do primeiro artigo, deste artigo e de todos artigos anteriores a este é o mesmo. Nada mudou, a não ser o facto de, a partir de certa altura, ter deixado de exercer responsabilidades políticas na comunidade à qual pertence. Porém as responsabilidades cívicas e os deveres de católico mantêm-se.

A vida aguçou-me as “garras” e os “dentes” e, por mais que tente, não sei ser cordeiro. Não temo qualquer “alcateia” sempre que forem colocados em causa os valores que o meu Profeta, já há dois milénios, projectou para os “Caminhos dos Homens”, para que eles se direccionassem para os Seus.

Ao comemorar o meu primeiro aniversário de “bloguista”, entendi evocar Alguém a quem amo profundamente e a quem devo tudo o que sou. Se alguém não percebia a razão que estava subjacente aos meus pensamentos nos artigos que escrevia ou nas tomadas de posição públicas que tomava, ficou a saber que toda a minha conduta assenta em valores que não temem o julgamento dos homens, mas sim a de Deus.

Sentimentos como ódio ou vingança, erradiquei-os de dentro de mim e preenchi eventuais vazios que eles possam ter deixado por um sentimento de justiça algo difícil de explicar. E esse sentimento é tão profundo, que nem eu próprio escapo a ele. É a verdade que faz mover o fiel da sua balança e não a inclinação do plano onde a balança assenta.

Sempre que as intenções ou as acções dos homens condicionarem ou poderem condicionar as vivências daqueles que fazem parte da “minha comunidade”, estarei aqui para as elogiar ou denunciar, conquanto eu perceba que elas favorecem ou dificultam os nossos acessos na direcção dos “Caminhos de Deus”. Será esta a missão que Deus me confia? Não sei. Apenas sei que não consigo controlar-me diante de um cenário de injustiça que viole princípios éticos da condição humana e que contrariam a vontade de DEUS.

E tanto há para elogiar e denunciar!...

(PS – A “minha comunidade” não é só o Concelho onde vivo, mas também ao País a que pertenço e o mundo que me acolhe.)

sábado, 28 de março de 2009

Caminhos de Deus (3)

Para além do acontecimento que relatei no artigo anterior existem outros, que aqui poderia descrever que demonstram que Ele existe e que é meu Companheiro. De entre eles vou escolher mais um.

“No início do ano de 1987, a Neuza, com apenas 3 anitos, começou a ter uns “estranhos” ataques de tosse, ataques esses que se revelavam mais durante a noite. Eu e a Gina, numa noite, não hesitámos e recorremos ao banco de urgência do Hospital de Abrantes, dado a tosse ser contínua e não haver forma de a parar. Ali chegados, o médico de serviço às urgências não diagnosticou qualquer problema e após lhe ter sido “fornecido” oxigénio, a tosse parou e regressámos a casa.

Algum tempo depois, a tosse voltou. Em vez de recorrer ao banco de urgências do hospital, chamei a minha casa o médico em quem eu depositava a maior das confianças, nada mais, nada menos, que o meu maior amigo. O Armando, após auscultar a Neuza virou-se para mim e disse-me: “- Fernando, não encontro nada de anormal na Neuza. Ela está bem!”.


Os acessos de tosse tornaram-se esporádicos e rumámos os três para o Canadá.

Numa noite, no fim do ano de 1987, perante um novo ataque fortíssimo de tosse, a saída voltou a ser a urgência do Memorial Hospital de Cambridge. Após cerca de uma hora a receber oxigénio, voltámos para casa.

Cerca de um mês depois, repetiu-se a “cena”. Nessa noite de puro Inverno Canadiano, para poder chegar ao meu carro, a chuva gelada revestira o pavimento do parque de estacionamento com uma camada de gelo com tal espessura, que não tive outra alternativa que não ser ir de gatas até ao carro. Chegados ao hospital, o médico de serviço para além de mandar a Neuza receber oxigénio, diagnosticou-lhe asma e receitou-lhe Ventilan. Eu e a Gina, perante aquele diagnóstico ficámos mais gelados que o próprio tempo e voltámos a casa.

Adquirimos o “famoso” Ventilan e a Neuza, a muito custo, lá começou a usar a bomba para aspirar o pó dos comprimidos. Para mim e para a Gina era sempre grande a dor, na hora de rodarmos a bomba para abrir o comprimido e pedirmos àquela linda menina de 4 anos para aspirar aquele pó branco. Desafiando as instruções do médico, sempre que a Neuza não tossia, “esquecíamo-nos” do Ventilan.

Uma noite acordei e ouvi a Neuza a tossir no seu quarto. Os sons que emitia pareciam “marteladas” no meu coração. Decidi então rezar. Lembro-me perfeitamente das palavras que então disse a DEUS: “Pai, dá-me uma luz, um sinal, para que a Neuza pare de tossir. Por favor!”

Acto contínuo, senti o meu corpo a ser invadido por um arrepio (acreditem que sempre que penso naquele momento sinto sempre um arrepio, tal como agora, mas nunca tão forte) e dou por mim, a acordar a Gina e a pedir-lhe para despir a Neuza e tirar-lhe o pijama. Meio a dormir meio acordada a Neuza foi alvo de uma “operação” inesperada. A tosse parou.

Os dias passaram, nunca mais voltámos a dar Ventilan à Neuza, nunca mais voltou a vestir aquele pijama que tanto gostava e … nunca mais voltou a tossir daquela maneira e já lá vão 21 anos.”

Coincidências? Alergia a alguma fibra daquele tal pijama? Vários médicos envolvidos sem nenhum projectar tal possibilidade? Para mim, foram os “Caminhos de Deus”.

Ao longo destes anos, aconteceram outros “episódios” que não tenho dúvidas, que foram outros tantos “Caminhos de Deus”.

Uma coisa eu aprendi há muito: “Nem todas as perguntas têm respostas e a nossa vida deve de ser vivida em paz e harmonia com os outros sem que permanentemente tenhamos de ser contabilistas do deve e do haver”.

Quantos de nós não ouvimos já promessas a Deus e a Nossa Senhora que invariavelmente começam sempre por: “- Se… eu prometo … “ ?

- Porque é que teimamos em “negociar” com Deus e com Nossa Senhora em vez de depositarmos em Suas mãos, as Suas vontades?

- Porque é que teimamos em aceitar que Deus apenas “reside” nas igrejas, nas capelas, nas mesquitas e nos templos sagrados, quando “Ele” reside” dentro de cada um de nós e nos acompanha até nos nossos próprios pensamentos?

- Não seremos hipócritas quando pensamos que uma falha ou erro nosso será “limpo” na próxima visita à igreja, porque lá “reside” um Deus bom que está sempre à nossa espera e sempre disponível para tocar na tecla do “delete” para nos eliminar os “vírus do pecado”?

- Será que, pelo menos, Ele não merece que nós tenhamos um comportamento que não O envergonhe, desde logo, vivendo a vida com verdade e com uma enorme fé Nele? Qual é o pai que não gosta de sentir o carinho do seu filho? Qual é o pai que não gosta ouvir o seu filho (ou filha) dizer que o ama e que o considera o seu Super-homem?

Reconheço que, pese tudo o que até agora revelei, não sou alguém que não erra e que por vezes não deriva dos “Caminhos de Deus”. Por muito que possa fazer, não deixo de ser humano. Só que como não Lhe consigo esconder o erro, há medida que os anos passam e a cumplicidade entre nós aumenta, mais difícil se vai tornando lidar com o erro.

Para terminar este meu artigo, gostaria de fazer uma pequena confidência: Aquando das últimas autárquicas de 2005, pese todo o meu empenho em sair vitorioso, nunca Lhe pedi a vitória e sempre que diariamente “conversávamos” apenas Lhe manifestava a minha total disponibilidade em aceitar a Sua decisão. E quando os resultados foram conhecidos, a minha tristeza só se revelou por ter sido “tocado” pela tristeza de alguns que me acompanhavam.

Ele destinou-me um papel diferente daquele que eu pensava, por isso, só tinha de respeitar a Sua vontade e desempenhá-lo da melhor forma que podia e sabia, nem que para isso tivesse de ir buscar tempo ao pouco tempo que a minha actividade profissional e familiar me concedia. Sabia que quanto mais “estudasse” menor seriam os erros cometidos e melhor levaria “a carta a Garcia”. Respeitei a pessoa que se encontrava por detrás do meu adversário, mas tornei-me implacável quando os seus actos colidiam com a verdade. Para mim, a verdade era só uma, quer ela estivesse do meu lado, quer do lado dos meus adversários. Mesmo quando me foram erigidas barreiras cortando-me esse caminho, em momento algum gerei dentro de mim sentimentos revolta exacerbados, a não ser uma profunda tristeza pela forma como tais barreiras foram erigidas e pelas quais julgava (ainda julgo) não ter sido merecedor.

Por muitos que sejam os caminhos que o Nosso Pai pretende que trilhemos para melhor chegarmos aos Seus próprios Caminhos, enquanto bons filhos, só temos de aceitar a Sua vontade porque, se mais não fosse, por ele ser um Bom Pai e como tal Ser Alguém que quer o melhor para os seus filhos.

domingo, 22 de março de 2009

Caminhos de Deus (2)

Com o nascimento da minha filha (1983) a minha “relação” com Deus começou a ser mais forte. O amor de pai levava-me a que diariamente Lhe pedisse que a protegesse e que nenhum mal a invadisse: “Se a dor dos outros nos incomoda o que dizer quando a dor toca quem amamos?

Enquanto fumador muito activo, no início de 1985 percebi que, definitivamente, tinha de deixar de fumar. Os dois maços de cigarros, que diariamente “queimava”, colocavam "em sentido" a minha saúde. Raras eram as noites que não acordava com falta de ar. Haviam sido várias as vezes que tentara deixar de fumar só que o vício fora sempre mais forte que eu. Um dia, que apenas recordo ter sido na primeira metade do ano de 1985, decidi deixar de fumar. Sentindo que sozinho seria impotente para levar a cabo tal tarefa, decidi recorrer Àquele que diariamente pedia para proteger a minha filha. Pedi-Lhe que me desse forças para resistir à tentação do cigarro. E resisti um dia. Voltei a pedir e resisti outro. A tentação de voltar a pegar num cigarro e responder aos “pedidos do vício” eram enormes. Quando tal acontecia, algo que não sei explicar me fazia recuar. Os dias, deram lugar á semana, a semana aos meses e os resultados não poderia ser melhor deixara de fumar. Os pedidos que diariamente inicialmente efectuara a Deus, deram lugar a um agradecimento diário.

É neste cenário de agradecimento, que em 1986 me vejo envolvido numa situação peculiar: enquanto funcionário público (fiscal técnico de obras de 1ª classe) do quadro do Gabinete de Apoio Técnico de Abrantes, ao qual pertencia desde Janeiro de 1979, comecei a não me sentir bem no meu espaço de trabalho. Pese o facto de, na altura, ter rendimentos mensais muito razoáveis, algo me empurrava para a necessidade de ter de dar um novo rumo á minha vida. Um dia, em que o sentimento de mudança se revelaou mais forte, sou informado que a Embaixada do Canadá em Lisboa voltara a abrir as portas à emigração, dando preferência a técnicos e famílias jovens já constituídas.

Nesse dia, à noite, pensei: - São raros os emigrantes que eu conheço, que não venceram nos Países que os acolheram. E se eu emigrasse para o Canadá? Embora tivesse algumas coisas a favor, eram mais aquelas que eu tinha contra. Desde logo, não tendo ninguém conhecido no Canadá que me pudesse servir de âncora, depois a minha idade (31 anos), depois a profissão que não era de operário especializado, depois a responsabilidade que tinha para com a minha família caso tudo resultasse numa aventura fracassada, enfim… o conjunto dos "nãos" eram infinitamente superiores ao conjunto dos "sins". Foi debaixo deste emaranhado de pensamentos, que nessa noite rezei e Lhe pedi que me ajudasse a encontrar a resposta sobre se valeria a pena emigrar para o Canadá. No fim decidi que iria escrever no dia seguinte uma carta para a Embaixada do Canadá em Lisboa ao mesmo tempo pedi-Lhe que: “Se o passo que iria dar fosse bom para mim e para a minha família, que o pedido fosse aceite e que eu emigrasse, caso contrário que tudo não passasse de um sonho fugaz”.

No dia seguinte, tal como prometera, escrevi uma carta para a Embaixada do Canadá e durante alguns dias esperei pela resposta, ao mesmo tempo que renovava diariamente o meu pedido a Deus. Poucas semanas depois a resposta veio: “convidavam-me para uma entrevista, a mim, bem como à minha família”.

Da entrevista, aos exames médicos e à autorização de emigração foi um passo que durou poucos meses. Em Abril/Maio de 1987, já com a autorização de emigração nas mãos, questionei-me sobre se tudo aquilo tinha algum sentido. E a Gina acompanhou-me nos mesmos pensamentos. Decidimos colocar uma pedra sobre o sonho de emigrar e, para que não restasse qualquer dúvida “derretemos” as nossas parcas economias na aquisição de um carro novo (Fiat Regata) que nos custou 1.600 contos.

Porém, quando à noite rezava, questionava-me ainda sobre o valor do pedido que havia feito a Deus. “- Seria bom? Seria mau?”. Como se encontrava a decorrer, o prazo dado pela Embaixada do Canadá para emigrar, continuava a pedir a Deus que me desse uma luz definitiva sobre o assunto.

Em Setembro de 1987, depois de mais um “ataque de insatisfação laboral”, decidi pedir uma licença sem vencimento e ir visitar o Canadá. Nem o facto de ter comprado o carro novo me fez mudar de opinião. Perante a vontade da minha Directora de não me aceder a tal pedido e impulsionado por uma força difícil de descrever, decidi fazer a viagem sozinho e arriscar, mandando às urtigas a possibilidade de nunca mais voltar a trabalhar no GAT de Abrantes. Comigo, tinha o maior Amigo e Cúmplice que alguém pode ter, para além de uma esposa fantástica que desde a primeira hora estava comigo.

O início da minha aventura Canadiana não foi o que perspectivava: trabalhei no chamado “duro”. A minha sobrevivência passou a depender da força dos meus braços. Raro era o dia que, iniciado o trabalho às 8 horas da manhã, meia hora depois já não estava a pedir a Deus que me desse forças. E tinha-as, ao recordar-me constantemente que o Seu sofrimento na cruz, era infinitamente superior àquele que estava a passar. Por isso rara era a operação de força que não era intimamente acompanhada de: “Faço isto por ti, Meu Pai! Com a minha idade sofreste mais do que aquilo que estou a sofrer." À noite, raras eram as vezes que questionando-O porque tinha emigrado e comparando a vida profissional que tinha em Portugal e aquela que estava a experimentar no Canadá, não sentia um arrepio estranho que me invadia o corpo. Se “aquilo” era uma resposta às minhas preces não sei, mas que era estranho, acreditem que era.

Em Setembro de 1988, estava eu a fazer a piquetagem topográfica para a Firma que trabalhava Brantco Construction num parque de estacionamento de uma Igreja, quando o “contacto” se deu. O Engenheiro Ângelo Inoccenti, responsável pela obra, deu-me o contacto de um College onde eu poderia tirar um curso de topografia, como sendo uma boa saída para o trabalho “duro” que havia um ano experimentava.

Porque seria longo o texto através do qual eu poderia descrever os Caminhos que Deus tinha traçado para a minha aventura Canadiana, permito-me colocar a seguinte questão: “ Será que, pese todo o saber que pudesse ter acumulado até aos meus 33 anos, com um único ano a viver numa comunidade de língua Inglesa em que não praticava a língua de Shakespeare mais do que 1 hora, no máximo, por dia foi possível o seguinte: - Fui convencido a não tirar o curso de topografia, mas sim o curso de engenharia civil; as aulas já se haviam iniciado e foi-me aberta uma excepção depois de ter passado num exame de matemática e ter apresentado o meu curriculum académico que tinha levado comigo desde Portugal; no primeiro ano os meus colegas falavam comigo, não os percebia, ao passo que os professores quando falavam, era como se a língua utilizada fosse a Camões; no fim do 1º ano já era o segundo melhor aluno do curso e um convite para trabalhar num Gabinete de projectos tirava-me das mãos o tal trabalho duro experimentara entre Setembro de 1987 e Setembro de 1988; e por fim, Abril de 1991, revela que dos 24 alunos que haviam iniciado o curso de engenharia civil no ano de 1988, eu estava entre os 12 que o concluíram com sucesso. Só que o sucesso teve contornos que ainda hoje me custa a acreditar, pese todo o empenho que depositei ao longo dos 3 anos. Das 36 cadeiras do curso, eu obtivera 2 B (equivalente a Bom) e 34 A (equivalente a Muito Bom) que fez de mim o 2º melhor aluno de todo o College (aproximadamente 2.000 alunos) naquele ano e o melhor aluno de engenharia civil nos 18 anos do curso naquele college? É UMA LONGA QUESTÃO. Independentemente de me ter aplicado, ainda hoje tenho a plena convicção que a Mão de Deus me acompanhou e me traçou um caminho ao qual não consegui fugir.
Nesse ano, recusei um convite para trabalhar como engenheiro no Município de Cambridge e aceitei o convite para ser Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Sardoal. Missão: Ser Engenheiro na Autarquia Sardoalense e o facto de ser Adjunto fora a forma encontrada para poder ser compensado financeiramente da opção. Porque regressei a Portugal e para o Sardoal, são questões que não coloco. São insondáveis os caminhos de Deus e a sua lógica é diferente dos caminhos dos homens.

Pelo que já vivi, entendo que há perguntas que necessariamente não necessitam de respostas. O que já me foi oferecido por Ele, é bastante para acreditar que Ele existe e que é meu Companheiro.

domingo, 15 de março de 2009

Caminhos de Deus (1)

Embarco hoje numa viagem pessoal. Será uma viagem ao "meu tempo" durante a qual pretendo perceber a lógica dos Meus Caminhos com os Caminhos de Deus.

Como qualquer criança portuguesa pertencente a uma família cristã, no início da década de 60, percorri todas as etapas da formação cristã, independentemente da 1ª fase ter tido lugar na Metrópole (Portugal Continental) e a 2ª fase em Moçambique. Lembro-me que, se ao princípio a figura dos anjos e a coragem dos mártires a serem devorados pelos leões no Coliseu de Roma eram um incentivo para frequentar a catequese, para o fim, só o espírito do grupo e a obrigatoriedade imposta pelos pais é que permitiram que a "Crisma" fosse concluída.

Concluída a formação, como qualquer adolescente, entrei na chamada "fase da contestação", durante a qual contestava quase tudo. A ida às missas de Domingo deixaram de ser obrigatórias e as "ideologias" dos grupos a que pertencia fizeram com que durante alguns anos "esfriasse" os meus sentimentos quanto à lógica dos "Caminhos de Deus". Recordo-me, todavia, que em vésperas de testes, não resistia à tentação de rezar para que pudesse ter positiva, especialmente naqueles para os quais estava menos preparado. Claro está, que quando os resultados não eram os melhores e constatava que outros colegas que chegavam a rejeitar a existência de Deus obtinham muito melhores notas, questionava-me sobre a lógica da Fé.

Os anos foram passando e embora fosse pontualmente questionando a minha Fé na religião Católica nunca deixei de acreditar no meu Deus, que aceitava ser meu Pai e que dava pelo nome de Jesus Cristo. Depois de muito ler sobre outras religiões, concluí que o meu Deus, que era bom, era o mesmo Deus Bom das outras religiões, só que não se chamavam Jesus Cristo, tinham simplesmente outro nome. E se dúvidas tivesse dessa minha apreciação, um dia tive a confirmação, na sequência de uma visita que efectuei a uma Mesquita, corria o ano de 1975. Passo a contar:

- "Os alunos do 7º ano do Liceu Pêro de Anaia da cidade da Beira (Moçambique) efectuaram a sua viagem de Finalistas à Ilha de Moçambique. Sendo um dos Finalistas, não deixei de participar nessa Viagem. Um dos programas dessa viagem assentou numa visita à Mesquita da Ilha. Munidos dos essenciais "Cofiós", entrámos na Mesquita, lavámos os pés e entrámos na sala das orações. Quando no interior, ao observar aquelas paredes totalmente vazias, senti algo estranho. Havia "qualquer coisa" que pairava no ar. Um "arrepio" invadiu o meu corpo e a minha reacção imediata foi rezar um "Pai Nosso" em silêncio profundo. Concluído o "Pai Nosso", o arrepio deu lugar a uma paz, impossível de explicar. Ali dentro, estava "alguém" a quem eu tratava por Jesus Cristo e outros por Maomé".

O tempo passou. Casei pela Igreja e a minha Filha nasceu. É aqui que se inicia uma nova etapa na forma como passo a "lidar" com o meu Deus. Tomando consciência que aqueles a quem amamos, porque vivem, estão sujeitos permanentemente à dor e à morte, passo a recorrer ao meu Deus, com uma maior frequência, para que me protegesse e a todos aqueles que mais amava, para melhor poder viver e ser feliz. À noite, antes de adormecer, rezava sempre um Pai Nosso e uma Avé Maria pedindo protecção para o meu lar.

Corria o ano de 1986, quando ocorreu uma mudança na forma de lidar com a minha Fé Cristã. Deixei simplesmente de "decorar em silêncio" o normal Pai Nosso e Avé Maria", para ir mais longe: "Falar com Deus".

(No próximo artigo descreverei algumas conversas que tive com Ele, que decorreram entre 1986 e 1991, bem como o resultado de algumas dessas conversas.)