O relógio do tempo não perdoa. O amanhã passa a hoje e o hoje a ontem a uma velocidade surpreendente. O tal ano que muitos (incluindo eu) profetizaram de difícil já chegou!
Defendo que o passado deverá funcionar enquanto campo de aprendizagem onde vamos buscar experiências que nos permitam reduzir os nossos erros. Não será preciso pensarmos muito para identificarmos situações onde errámos e que hoje já não repetiríamos tais erros. E se aprofundarmos os nossos pensamentos sobre as origens que estiveram na base do erro talvez encontremos no meio de muita inocência (em alguns acontecimentos novos) muita teimosia (em acontecimentos já repetidos).
Parece que está nos nossos genes a tendência para desconfiarmos da lógica entre a causa e o efeito de alguns acontecimentos. Por vezes, não basta uma experiência para aprendermos que associada a uma causa só existe um efeito. Temos a chamada “memória curta” e ela “atraiçoa-nos” permanentemente.
Associada à tendência anterior, os nossos genes são portadores, também, de outra tendência: não lidamos muito bem com o risco. Como associada a qualquer mudança existe um risco, nós não nos importamos de conviver com o mau porque ainda existe um nível mais baixo: o pior. Será que não existe algum fundo de verdade no ditado popular que sustenta que: “Para pior já basta assim!” e “Mal, por Mal…”? O que seria do Mundo e de todos nós se o homem não buscasse permanentemente um novo sentido para a vida questionando as tradições e assumindo os riscos das mudanças a elas associadas?
Se pela frente nos espera um ano cujos efeitos recessivos poderão condicionar as nossas vivências será que não deveremos criar defesas para minimizar tais efeitos? Será que nessas defesas não caberá o emergir de uma disponibilidade para lutarmos por uma mudança nas nossas atitudes no interior da sociedade a que pertencemos? Será que ao esperarmos que outros resolvam um problema que é nosso não nos coloca numa posição de servos perante esses outros?
Um dia virá, que as nossas energias se diluirão num corpo cansado ou doente e a nossa vida dependa totalmente de outros. E sendo justo e inquestionável o apoio da sociedade a tão nobre causa, o que dizer de outro alguém que não tendo qualquer limitação física requer o mesmo tipo de apoio e atenção por parte dessa mesma sociedade?
Por mais que escondamos a cabeça debaixo da nossa almofada para não ouvirmos o tic-tac do relógio, o tempo não pára. E sendo o tempo, um gerador contínuo de mudanças, por mais que façamos para não mudar, o tempo muda-nos independentemente da nossa própria vontade. Diante desta constatação só temos uma opção: ou somos nós que procuramos a mudança que melhor nos serve, ou nos resignamos a aceitar a mudança que outros nos impõem. Se pensarmos, ainda, que o egoísmo do homem não lhe permite partilhar o que é bom, mas dispensar o que é mau, quanto maior for o número daqueles que de outros dependam, menor é aquilo que lhes caberá em sorte.
Possivelmente a saída do labirinto da crise poderá estar na forma como formos capazes de questionarmos os nossos próprios comportamentos. Pela responsabilidade que lhes cabe, que os nossos políticos e governantes sejam os primeiros a questionarem-se sobre a forma como têm gerido os destinos de todos nós. Será que para se atingir o cume do poder tudo vale, nem que seja à custa da “miséria” dos outros?
Cara ou Coroa
No Cara ou Coroa de hoje, os meus pensamentos incidem na Campanha Eleitoral para a Presidência da República e como foi viver o ano de 2010 no meu Concelho.
Quanto à Campanha Eleitoral para a Presidência da República a nota que mais destaco e que merece alguma reflexão é a entrada em cena de um novo candidato. Ao nível a que a política nacional chegou, o candidato José Manuel Coelho “arrisca-se” a experimentar o “sucesso” do palhaço Tiririca no Brasil (“Vota no Tiririca, porque pior não fica!”). Se ele nos conseguir “animar” da forma como tem animado algumas sessões no Parlamento Regional da Madeira e passar a imagem de vítima do sistema (foi o único candidato que não teve direito a debate televisivo), “arrisca-se” a ter uma votação superior àquela que neste momento ele projecta. (Cara ou Coroa?)
Relativamente ao ano de 2010 no meu Concelho, pouco há a dizer a não ser que ele não trouxe nada de novo diferente de 2009 a não ser o agravamento no apoio à saúde (com a ausência de respostas práticas à substituição dos médicos de família que agora se aposentaram). As oportunidades de trabalho continuam escassas (ou mesmo inexistentes) e a desertificação humana progride com o envelhecimento da população e o êxodo dos jovens. Porém, nem tudo é mau. O índice de segurança continua elevado e percebe-se que existe alguma vontade em se mudar o estado das coisas menos boas. E se não tenho dúvidas quanto à dimensão dessa vontade, tenho muitas reservas quanto aos seus resultados práticos dadas as múltiplas variáveis que os condicionam. (Cara ou Coroa?)
Post-scriptum: De entre toda a informação disponibilizada no site da Câmara Municipal de Sardoal durante o ano de 2010 (é de saudar todo o esforço que os responsáveis têm feito no sentido do site ser o mais actualizado possível que, nesta matéria, até consegue ser melhor do que muitos sites de Autarquias vizinhas) os Editais mereceram a minha particular atenção. Durante o ano de 2010 o Executivo Municipal publicou Editais sobre os mais diversos assuntos desde os resultados das análises de água de abastecimento doméstico, até às alterações das reuniões do Executivo Municipal, passando pelos cortes temporários de abastecimento de água, aprovação de obras particulares, etc. Porque se tornaram repetitivos os Editais que trataram a alteração da data da Reunião da Câmara Municipal a curiosidade impeliu-me a conhecer o número de editais publicados sobre tais alterações. Com alguma surpresa verifica-se que, dos 55 editais publicados, 15 (!) trataram exclusivamente a alteração da data das reuniões de Câmara. Se verificarmos que foram realizadas, em 2010, 24 reuniões de Câmara, será que não se justifica uma reflexão sobre a eventual necessidade de se rever as datas previstas no Regimento da Câmara Municipal em vigor?
domingo, 2 de janeiro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
2011
A poucos dias de atirarmos para a reciclagem o calendário do ano de 2010 e o substituirmos pelo ano de 2011 o sentimento que a todos nos invade não é o melhor.
Uma vez que a nossa “cegueira” não nos permite observar com nitidez o horizonte do futuro, os contornos que conseguimos perceber não nos descansam e inquietam-nos.
Não existe um só economista ou analista financeiro que, com bases sólidas e inquestionáveis, consiga contrariar a tese, segundo a qual, Portugal no ano de 2011 viverá uma recessão muito difícil de contornar. Nem mesmo o nosso Primeiro-ministro que tanto nos habituou a dizer-nos aquilo que gostaríamos de ouvir, porque a ânsia pela posse do poder assim o exigia (?), consegue agora disfarçar que estamos mergulhados numa crise económica profunda.
Se todo o problema tem uma solução, este problema também não foge à regra. Segundo o governo a solução já foi encontrada, já está a ser implementada e é uma questão de tempo a sua erradicação. Tudo se vai conseguir com a redução dos salários da função pública, com o aumento das exportações e mais algumas medidas pelo meio. Será?
Como é que nós poderemos acreditar que a solução para a qual estamos a ser lançados é certa, face à ambiguidade protagonizada pelos nossos governantes para quem a palavra austeridade muda de sentido consoante a oportunidade que melhor lhes convém? Alguém ouve os nossos governantes exigir que produzamos mais e melhor? Será que podemos olhar para os nossos governantes e sentirmos que eles são exemplos de vida para todos nós?
Será que estas dúvidas que todos carregamos não agravam a nossa já débil estrutura social e económica? Será que nelas não reside a nossa tendência para o parasitismo e consequente pensamento, segundo o qual, deverão ser os outros a resolver problemas que são exclusivamente nossos?
Diante destas dúvidas penso que a solução para sairmos do atoleiro para o qual fomos atirados passa obrigatoriamente por uma mudança de liderança a todos os níveis. Líderes que sejam capazes de nos falar verdade e que a todos nos conduzam por um só caminho (será justo que uns “circulem” em pavimento asfaltado e outros em terra batida, enlameada e esburacada?).
Embora “carregue” comigo todas estas dúvidas reconheço que tenho fortes esperanças que saberemos “dar a volta por cima”. Quando? Quando formos capazes de nos juntarmos. Enquanto cada um de nós pensar exclusivamente no seu próprio umbigo, jamais conseguiremos mudar o sentido das coisas. E a esperança é que, um dia, todos perceberemos que tudo na vida é efémero, até a nossa incapacidade de “gerirmos” os nossos próprios egoísmos. Será que esse dia não está já mais perto?
UM BOM ANO DE 2011 PARA TODOS!
Uma vez que a nossa “cegueira” não nos permite observar com nitidez o horizonte do futuro, os contornos que conseguimos perceber não nos descansam e inquietam-nos.
Não existe um só economista ou analista financeiro que, com bases sólidas e inquestionáveis, consiga contrariar a tese, segundo a qual, Portugal no ano de 2011 viverá uma recessão muito difícil de contornar. Nem mesmo o nosso Primeiro-ministro que tanto nos habituou a dizer-nos aquilo que gostaríamos de ouvir, porque a ânsia pela posse do poder assim o exigia (?), consegue agora disfarçar que estamos mergulhados numa crise económica profunda.
Se todo o problema tem uma solução, este problema também não foge à regra. Segundo o governo a solução já foi encontrada, já está a ser implementada e é uma questão de tempo a sua erradicação. Tudo se vai conseguir com a redução dos salários da função pública, com o aumento das exportações e mais algumas medidas pelo meio. Será?
Como é que nós poderemos acreditar que a solução para a qual estamos a ser lançados é certa, face à ambiguidade protagonizada pelos nossos governantes para quem a palavra austeridade muda de sentido consoante a oportunidade que melhor lhes convém? Alguém ouve os nossos governantes exigir que produzamos mais e melhor? Será que podemos olhar para os nossos governantes e sentirmos que eles são exemplos de vida para todos nós?
Será que estas dúvidas que todos carregamos não agravam a nossa já débil estrutura social e económica? Será que nelas não reside a nossa tendência para o parasitismo e consequente pensamento, segundo o qual, deverão ser os outros a resolver problemas que são exclusivamente nossos?
Diante destas dúvidas penso que a solução para sairmos do atoleiro para o qual fomos atirados passa obrigatoriamente por uma mudança de liderança a todos os níveis. Líderes que sejam capazes de nos falar verdade e que a todos nos conduzam por um só caminho (será justo que uns “circulem” em pavimento asfaltado e outros em terra batida, enlameada e esburacada?).
Embora “carregue” comigo todas estas dúvidas reconheço que tenho fortes esperanças que saberemos “dar a volta por cima”. Quando? Quando formos capazes de nos juntarmos. Enquanto cada um de nós pensar exclusivamente no seu próprio umbigo, jamais conseguiremos mudar o sentido das coisas. E a esperança é que, um dia, todos perceberemos que tudo na vida é efémero, até a nossa incapacidade de “gerirmos” os nossos próprios egoísmos. Será que esse dia não está já mais perto?
UM BOM ANO DE 2011 PARA TODOS!
domingo, 19 de dezembro de 2010
Um Conto de Natal
Era uma vez…
Numa terra, outrora ocupada e governada por homens, era agora ocupada e governada por animais (a ganância dos homens havia-os erradicado da face da Terra e, na sua ausência, bastou aos animais aprenderem a comunicar entre si para que uma nova ordem se estabelecesse). Tal como George Orwell prevera, os porcos assumiram o poder.
Foi num dos muitos lugares dessa terra que esta história se desenrolou e que passo a contar…
O Sol ainda não raiara no horizonte e já o galo Alo, despertador oficial do Lugar, cumpria uma das suas múltiplas tarefas fazendo ecoar a sua voz bem alto, para que todos os animais acordassem. Indiferente ao entusiasmo dos demais animais da “capoeira”, a galinha Linha, ergueu-se, sacudiu as suas roupas e caminhou para o campo em busca de sustento para si e para a sua família.
Após algumas horas de muito rapinar no chão ressequido, eis que descobre alguns grãos de trigo.
- E se semeasse estes grãos de trigo? Será que cada grão não daria uma espiga? E se em cada espiga eu voltasse a semear um dos seus grãos e com os restantes grãos, depois de os transformar em farinha, eu não conseguiria fazer mais pães dos que consigo fazer com estes grãos que agora encontrei? E com o grão que voltar a semear será que não voltarei a ter outras espigas? – Pensou entusiasmada para com os seus “botões” a galinha Linha.
- Uma vez que o presente se encontra garantido e é o desconhecimento do futuro que assusta, vou semear estes grãos de trigo! – Decidiu a galinha Linha, enquanto pegava numa enxada e começava a “rasgar” a terra.
Já cavava havia algum tempo, quando recebeu uma visita inesperada.
- O que é que estás a fazer? -perguntaram curiosos o pato Ato e o coelho Elho.
- Estou a semear grãos de trigo, para fazer pão. Porque é que não me ajudam e, no fim, dividimos os pães pelos três? - Convidou a galinha Linha, para quem uma ajuda vinha a calhar uma vez que a tarefa a que se propusera era árdua.
- Eu? Não posso. Estou no fundo de desemprego e o governo pode-me cortar o subsídio! - Disse o pato Ato, virando o bico para o lado.
- Eu também não posso. Estou a receber o rendimento mínimo e o governo também me pode cortar o rendimento social de inserção! - Disse o coelho Elho, enquanto baixava as suas orelhas.
- Eu tenho uma ideia! E que tal dividirmos os grãos pelos três e utilizá-los para o nosso almoço de hoje? – Propôs entusiasmado o pato Ato enquanto salivava só de olhar para os grãos que a galinha Linha queria enterrar.
- Não estou interessada! – Respondeu de pronto a galinha Linha.
As visitas, diante daquele cenário de trabalho, depressa desapareceram e a galinha Linha lá continuou, sozinha, a “amaciar” a terra. Sem qualquer outra ajuda, a galinha Linha, durante longos dias, não fez outra coisa que não fosse cavar a terra e semear os grãos de trigo encontrados.
O tempo foi passando… os grãos de trigo germinaram… o trigo cresceu… as espigas brotaram… e os novos grãos “ameaçavam saltar”.
O campo estava dourado e era chegada a hora da colheita. A galinha Linha nem queria acreditar no trabalho que teria pela frente. Sozinha, seriam longos dias de árduo trabalho.
- Será que o pato Ato e o coelho Elho estariam agora disponíveis para a ajudar? – Pensou ela esperançada que aqueles, possivelmente já sem o apoio do governo dos porcos, necessitassem de procurar o seu próprio alimento. Depois de algum tempo, encontrou-os à sombra de uma árvore. Falavam da crise e de como alguns outros animais viviam.
- Olá! Será que vocês estão disponíveis para me virem ajudar a colher o trigo que semeei? Estou disposta a dar a cada um, um quarto dos grãos que colhermos. – Propôs a galinha Linha esperançada que a proposta tivesse agora algum acolhimento.
- Eu não posso. Continuo desempregado e o governo pode-me cortar o subsídio! - Respondeu o pato Ato, virando de novo o bico para o lado.
- Eu também não posso. Continuo a receber o rendimento mínimo e o governo também me pode cortar o rendimento social de inserção! – Respondeu, de seguida, o coelho Elho, à medida que abria a boca num longo bocejo.
Diante nova recusa e não lhe restando outra alternativa, durante longos dias, de Sol a Sol, a galinha Linha lá foi colhendo todos os grãos da sua sementeira.
Concluída a empreitada, sentindo-se cansada, pensando nas outras tarefas que ainda a aguardavam (transformar os grãos em farinha, amassar o pão, acender o forno e cozer o pão) a galinha Linha decidiu, uma vez mais, insistir junto do pato Ato e do coelho Elho.
- Não insistas! Eu não posso. O governo se me apanha a trabalhar corta-me o subsídio e ele faz-me muito jeito! – Respondeu de novo o pato Ato, agora revelando alguma aspereza, pelo incómodo que o renovado convite lhe provocava.
- Comigo, basta tanta insistência! Eu também não posso! Sem o rendimento de inserção social sou obrigado a ir à procura de um emprego e esta crise acabou com os empregos. Agora, só me oferecem trabalho! A vida está difícil! - Afirmou o coelho Elho, espreguiçando as suas longas patas traseiras.
Uma vez mais, sem qualquer outra saída, a galinha Linha voltou a meter mãos à obra. Foram dias a moer os grãos de trigo… Foram dias a amassar o pão… Foram dias à procura de lenha para acender o forno… Até que…
O grande dia chegara. Todo o lugar cheirava a pão cozido.
A galinha Linha estava orgulhosa do seu feito, à medida que ia tirando os pães do forno. Quando se prestava para retirar o último pão do forno, alguém lhe bateu à porta:
- Quem é? - Perguntou curiosa.
- Somos nós. O pato Ato e o coelho Elho!
- Que quereis? - Perguntou a galinha Linha curiosa.
- Cheira tão bem a pão cozido. Dá-nos um pão! -Responderem aqueles dois em uníssono.
Não acreditando no que ouvia, abriu a porta e “disparou”:
- Quando vos pedi ajuda para a sementeira… recusaram; quando vos pedi ajuda para a colheita… recusaram; quando voltei a pedir-vos ajuda para transformar os grãos de trigo em farinha, amassar o pão e reunir lenha para o forno… voltaram a recusar. Desculpem, mas não dou! – Disse zangada a galinha Linha à medida que lhes fechava a porta com violência.
Durante algum tempo, imperou o silêncio! De súbito, começaram-se a ouvir alguns gritos em frente à casa da galinha Linha.
- “Galinha fascista”! “A galinha é rica”! “A galinha que pague a crise”! “Temos direitos”! “Queremos pão”! – Eram algumas das expressões que se podiam ouvir no meio de toda a algazarra que se gerara diante da casa da galinha Linha.
Por entre as cortinas de uma das janelas, a galinha Linha viu como o pato Ato e o coelho Elho davam largas à sua revolta por ela lhes ter negado o pão. Encolhendo os ombros, decidiu ignorá-los e começou a guardar os pães acabados de coser. Tão bem que cheiravam!
Durante algum tempo os gritos de revolta prosseguiram, até que, um estranho silêncio se instalou no lugar. Alguém bateu à porta da galinha Linha.
- Quem é? - Perguntou a galinha Linha curiosa.
- É o senhor Porco Silva! - Alguém respondeu do lado de fora.
- O que deseja? - Voltou a perguntar a galinha Linha à medida que ia abrindo a porta.
- Represento o Governo dos Porcos e venho cobrar os impostos devidos! Quantos pães foram feitos? – Inquiriu o Porco Silva com toda a autoridade que o estatuto de Porco lhe conferia.
- Fiz doze pães! -Respondeu a galinha Linha, depois de pensar que havia guardado seis conjuntos de dois pães cada.
- Pelas minhas contas e avaliando o campo de trigo que tinha, você não fez doze pães, mas sim quinze. Assim vai ter que me entregar, agora, nove pães! - Ordenou o Porco Silva.
- Eu juro que fiz doze pães! Não fiz quinze! Por favor Senhor Porco Silva reconsidere e não me leve tantos pães! - Reclamou a galinha Linha.
- A sabedoria dos Porcos é inquestionável! Se eu digo que foram quinze pães é porque foram. Entregue-me os nove pães já! - Ordenou o Porco Silva levantando a voz.
Perante a sua impotência e com lágrimas nos olhos, a galinha Linha, lá foi buscar os pães exigidos. Quando se prestava para os entregar ao Porco Silva, ganhando alguma coragem, enchendo o peito de ar, perguntou:
- Será que eu posso saber qual o destino dos pães que agora lhe entrego?
- Claro! Três para o Governo da nossa Terra, três para o Governo do nosso Lugar e três para a Segurança Social. – Respondeu de pronto o Porco Silva.
- Não percebo. Explique-me melhor!
- Então… Dos três pães para o Governo da nossa Terra, um é para o nosso muito amado e querido líder supremo, o Senhor Porco José e dois são para os Leitões que o ajudam a governar a nossa Terra. Dos três pães para o Governo do nosso Lugar, um é para o Senhor Porco Presidente, um outro é para os Leitões que o ajudam a governar o nosso Lugar e o terceiro pão é para mim. Dos três pães para a Segurança Social, um é para o pato Ato, o outro é para o coelho Elho e o terceiro é para ser congelado para reforço do fundo de apoio à reforma dos Porcos! - Respondeu o Porco Silva à medida que se afastava da porta e ouvia as manifestações de contentamento dos manifestantes que até então esperavam pela conclusão da “operação de limpeza”.
Já quase sem forças, a galinha Linha fechou a porta. Sentando-se num pequeno banco e olhando para os três pães que lhe haviam sobrado e para uns grãos de trigo ainda por moer, deu por si a pensar:
- Será que vou moer o resto dos grãos de trigo que sobraram e transformá-los em farinha ou vou, de novo, semeá-los?
FIM
(É com esta indecisão da galinha Linha que termina esta minha história. Será que alguém é capaz de adivinhar sobre o que ela decidiu fazer com o resto dos grãos de trigo?)

FELIZ NATAL
Para todos os meus amigos que ao longo da minha vida me ajudaram a “caminhar” (Abrantes – Marromeu – Luabo – Dondo – “Lusalite do Dondo” – Beira – Abrantes – Cambridge – Kitchener – Waterloo – Abrantes – SARDOAL) e para todos aqueles que têm “visitado” o “ TRÊS BICAS”, gostaria de A TODOS, desejar um FELIZ NATAL onde não falte a SAÚDE, o AMOR DA FAMÍLIA, o BEM-ESTAR, a TOLERÂNCIA, o RESPEITO, o INCONFORMISMO Á ADVERSIDADE, a DEFESA DA VERDADE, o CULTO DA AMIZADE, o VALOR DA RESPONSABILIDADE e a DISPONIBILIDADE PARA A PARTILHA e que sejamos capazes de confiar estes dez anéis, de valor incalculável, nos Dedos das Mãos Sagradas de Jesus Cristo, nosso Deus e nosso PAI.
Uma vez que o “três bicas” tem recebido visitas dos mais diversos cantos deste Planeta aqui expresso em vinte línguas diferentes os meus votos de Boas Festas para todos os povos do Mundo.
Merry Christmas
Joyeux Noël
Feliz Navidad
Frohe Weihnachten und ein glückliches neues Jahr
Kung His Hsin Nien bing Chu Shen Tan
Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun
Pozdrevly ayu sprazdnikom Rozhdestva Khristova
Sung Tan Chuk Ha
Shinnen omedeto. Kurisumasu Omedeto
Mo'adim Lesimkha
I'D Miilad Said ous Sana Saida
Vesele Vanoce
Veseloho Vam Rizdva
Buon Natale
Kellemes Karacsonyi unnepeket
Colo sana wintom tiebeen
Prettig Kerstfeest
Glædelig Jul og godt nytår
God Jul og Godt Nyttår
Noeliniz Ve Yeni Yiliniz Kutlu Olsun
Numa terra, outrora ocupada e governada por homens, era agora ocupada e governada por animais (a ganância dos homens havia-os erradicado da face da Terra e, na sua ausência, bastou aos animais aprenderem a comunicar entre si para que uma nova ordem se estabelecesse). Tal como George Orwell prevera, os porcos assumiram o poder.
Foi num dos muitos lugares dessa terra que esta história se desenrolou e que passo a contar…
O Sol ainda não raiara no horizonte e já o galo Alo, despertador oficial do Lugar, cumpria uma das suas múltiplas tarefas fazendo ecoar a sua voz bem alto, para que todos os animais acordassem. Indiferente ao entusiasmo dos demais animais da “capoeira”, a galinha Linha, ergueu-se, sacudiu as suas roupas e caminhou para o campo em busca de sustento para si e para a sua família.
Após algumas horas de muito rapinar no chão ressequido, eis que descobre alguns grãos de trigo.
- E se semeasse estes grãos de trigo? Será que cada grão não daria uma espiga? E se em cada espiga eu voltasse a semear um dos seus grãos e com os restantes grãos, depois de os transformar em farinha, eu não conseguiria fazer mais pães dos que consigo fazer com estes grãos que agora encontrei? E com o grão que voltar a semear será que não voltarei a ter outras espigas? – Pensou entusiasmada para com os seus “botões” a galinha Linha.
- Uma vez que o presente se encontra garantido e é o desconhecimento do futuro que assusta, vou semear estes grãos de trigo! – Decidiu a galinha Linha, enquanto pegava numa enxada e começava a “rasgar” a terra.
Já cavava havia algum tempo, quando recebeu uma visita inesperada.
- O que é que estás a fazer? -perguntaram curiosos o pato Ato e o coelho Elho.
- Estou a semear grãos de trigo, para fazer pão. Porque é que não me ajudam e, no fim, dividimos os pães pelos três? - Convidou a galinha Linha, para quem uma ajuda vinha a calhar uma vez que a tarefa a que se propusera era árdua.
- Eu? Não posso. Estou no fundo de desemprego e o governo pode-me cortar o subsídio! - Disse o pato Ato, virando o bico para o lado.
- Eu também não posso. Estou a receber o rendimento mínimo e o governo também me pode cortar o rendimento social de inserção! - Disse o coelho Elho, enquanto baixava as suas orelhas.
- Eu tenho uma ideia! E que tal dividirmos os grãos pelos três e utilizá-los para o nosso almoço de hoje? – Propôs entusiasmado o pato Ato enquanto salivava só de olhar para os grãos que a galinha Linha queria enterrar.
- Não estou interessada! – Respondeu de pronto a galinha Linha.
As visitas, diante daquele cenário de trabalho, depressa desapareceram e a galinha Linha lá continuou, sozinha, a “amaciar” a terra. Sem qualquer outra ajuda, a galinha Linha, durante longos dias, não fez outra coisa que não fosse cavar a terra e semear os grãos de trigo encontrados.
O tempo foi passando… os grãos de trigo germinaram… o trigo cresceu… as espigas brotaram… e os novos grãos “ameaçavam saltar”.
O campo estava dourado e era chegada a hora da colheita. A galinha Linha nem queria acreditar no trabalho que teria pela frente. Sozinha, seriam longos dias de árduo trabalho.
- Será que o pato Ato e o coelho Elho estariam agora disponíveis para a ajudar? – Pensou ela esperançada que aqueles, possivelmente já sem o apoio do governo dos porcos, necessitassem de procurar o seu próprio alimento. Depois de algum tempo, encontrou-os à sombra de uma árvore. Falavam da crise e de como alguns outros animais viviam.
- Olá! Será que vocês estão disponíveis para me virem ajudar a colher o trigo que semeei? Estou disposta a dar a cada um, um quarto dos grãos que colhermos. – Propôs a galinha Linha esperançada que a proposta tivesse agora algum acolhimento.
- Eu não posso. Continuo desempregado e o governo pode-me cortar o subsídio! - Respondeu o pato Ato, virando de novo o bico para o lado.
- Eu também não posso. Continuo a receber o rendimento mínimo e o governo também me pode cortar o rendimento social de inserção! – Respondeu, de seguida, o coelho Elho, à medida que abria a boca num longo bocejo.
Diante nova recusa e não lhe restando outra alternativa, durante longos dias, de Sol a Sol, a galinha Linha lá foi colhendo todos os grãos da sua sementeira.
Concluída a empreitada, sentindo-se cansada, pensando nas outras tarefas que ainda a aguardavam (transformar os grãos em farinha, amassar o pão, acender o forno e cozer o pão) a galinha Linha decidiu, uma vez mais, insistir junto do pato Ato e do coelho Elho.
- Não insistas! Eu não posso. O governo se me apanha a trabalhar corta-me o subsídio e ele faz-me muito jeito! – Respondeu de novo o pato Ato, agora revelando alguma aspereza, pelo incómodo que o renovado convite lhe provocava.
- Comigo, basta tanta insistência! Eu também não posso! Sem o rendimento de inserção social sou obrigado a ir à procura de um emprego e esta crise acabou com os empregos. Agora, só me oferecem trabalho! A vida está difícil! - Afirmou o coelho Elho, espreguiçando as suas longas patas traseiras.
Uma vez mais, sem qualquer outra saída, a galinha Linha voltou a meter mãos à obra. Foram dias a moer os grãos de trigo… Foram dias a amassar o pão… Foram dias à procura de lenha para acender o forno… Até que…
O grande dia chegara. Todo o lugar cheirava a pão cozido.
A galinha Linha estava orgulhosa do seu feito, à medida que ia tirando os pães do forno. Quando se prestava para retirar o último pão do forno, alguém lhe bateu à porta:
- Quem é? - Perguntou curiosa.
- Somos nós. O pato Ato e o coelho Elho!
- Que quereis? - Perguntou a galinha Linha curiosa.
- Cheira tão bem a pão cozido. Dá-nos um pão! -Responderem aqueles dois em uníssono.
Não acreditando no que ouvia, abriu a porta e “disparou”:
- Quando vos pedi ajuda para a sementeira… recusaram; quando vos pedi ajuda para a colheita… recusaram; quando voltei a pedir-vos ajuda para transformar os grãos de trigo em farinha, amassar o pão e reunir lenha para o forno… voltaram a recusar. Desculpem, mas não dou! – Disse zangada a galinha Linha à medida que lhes fechava a porta com violência.
Durante algum tempo, imperou o silêncio! De súbito, começaram-se a ouvir alguns gritos em frente à casa da galinha Linha.
- “Galinha fascista”! “A galinha é rica”! “A galinha que pague a crise”! “Temos direitos”! “Queremos pão”! – Eram algumas das expressões que se podiam ouvir no meio de toda a algazarra que se gerara diante da casa da galinha Linha.
Por entre as cortinas de uma das janelas, a galinha Linha viu como o pato Ato e o coelho Elho davam largas à sua revolta por ela lhes ter negado o pão. Encolhendo os ombros, decidiu ignorá-los e começou a guardar os pães acabados de coser. Tão bem que cheiravam!
Durante algum tempo os gritos de revolta prosseguiram, até que, um estranho silêncio se instalou no lugar. Alguém bateu à porta da galinha Linha.
- Quem é? - Perguntou a galinha Linha curiosa.
- É o senhor Porco Silva! - Alguém respondeu do lado de fora.
- O que deseja? - Voltou a perguntar a galinha Linha à medida que ia abrindo a porta.
- Represento o Governo dos Porcos e venho cobrar os impostos devidos! Quantos pães foram feitos? – Inquiriu o Porco Silva com toda a autoridade que o estatuto de Porco lhe conferia.
- Fiz doze pães! -Respondeu a galinha Linha, depois de pensar que havia guardado seis conjuntos de dois pães cada.
- Pelas minhas contas e avaliando o campo de trigo que tinha, você não fez doze pães, mas sim quinze. Assim vai ter que me entregar, agora, nove pães! - Ordenou o Porco Silva.
- Eu juro que fiz doze pães! Não fiz quinze! Por favor Senhor Porco Silva reconsidere e não me leve tantos pães! - Reclamou a galinha Linha.
- A sabedoria dos Porcos é inquestionável! Se eu digo que foram quinze pães é porque foram. Entregue-me os nove pães já! - Ordenou o Porco Silva levantando a voz.
Perante a sua impotência e com lágrimas nos olhos, a galinha Linha, lá foi buscar os pães exigidos. Quando se prestava para os entregar ao Porco Silva, ganhando alguma coragem, enchendo o peito de ar, perguntou:
- Será que eu posso saber qual o destino dos pães que agora lhe entrego?
- Claro! Três para o Governo da nossa Terra, três para o Governo do nosso Lugar e três para a Segurança Social. – Respondeu de pronto o Porco Silva.
- Não percebo. Explique-me melhor!
- Então… Dos três pães para o Governo da nossa Terra, um é para o nosso muito amado e querido líder supremo, o Senhor Porco José e dois são para os Leitões que o ajudam a governar a nossa Terra. Dos três pães para o Governo do nosso Lugar, um é para o Senhor Porco Presidente, um outro é para os Leitões que o ajudam a governar o nosso Lugar e o terceiro pão é para mim. Dos três pães para a Segurança Social, um é para o pato Ato, o outro é para o coelho Elho e o terceiro é para ser congelado para reforço do fundo de apoio à reforma dos Porcos! - Respondeu o Porco Silva à medida que se afastava da porta e ouvia as manifestações de contentamento dos manifestantes que até então esperavam pela conclusão da “operação de limpeza”.
Já quase sem forças, a galinha Linha fechou a porta. Sentando-se num pequeno banco e olhando para os três pães que lhe haviam sobrado e para uns grãos de trigo ainda por moer, deu por si a pensar:
- Será que vou moer o resto dos grãos de trigo que sobraram e transformá-los em farinha ou vou, de novo, semeá-los?
FIM
(É com esta indecisão da galinha Linha que termina esta minha história. Será que alguém é capaz de adivinhar sobre o que ela decidiu fazer com o resto dos grãos de trigo?)
FELIZ NATAL
Para todos os meus amigos que ao longo da minha vida me ajudaram a “caminhar” (Abrantes – Marromeu – Luabo – Dondo – “Lusalite do Dondo” – Beira – Abrantes – Cambridge – Kitchener – Waterloo – Abrantes – SARDOAL) e para todos aqueles que têm “visitado” o “ TRÊS BICAS”, gostaria de A TODOS, desejar um FELIZ NATAL onde não falte a SAÚDE, o AMOR DA FAMÍLIA, o BEM-ESTAR, a TOLERÂNCIA, o RESPEITO, o INCONFORMISMO Á ADVERSIDADE, a DEFESA DA VERDADE, o CULTO DA AMIZADE, o VALOR DA RESPONSABILIDADE e a DISPONIBILIDADE PARA A PARTILHA e que sejamos capazes de confiar estes dez anéis, de valor incalculável, nos Dedos das Mãos Sagradas de Jesus Cristo, nosso Deus e nosso PAI.
Uma vez que o “três bicas” tem recebido visitas dos mais diversos cantos deste Planeta aqui expresso em vinte línguas diferentes os meus votos de Boas Festas para todos os povos do Mundo.
Merry Christmas
Joyeux Noël
Feliz Navidad
Frohe Weihnachten und ein glückliches neues Jahr
Kung His Hsin Nien bing Chu Shen Tan
Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun
Pozdrevly ayu sprazdnikom Rozhdestva Khristova
Sung Tan Chuk Ha
Shinnen omedeto. Kurisumasu Omedeto
Mo'adim Lesimkha
I'D Miilad Said ous Sana Saida
Vesele Vanoce
Veseloho Vam Rizdva
Buon Natale
Kellemes Karacsonyi unnepeket
Colo sana wintom tiebeen
Prettig Kerstfeest
Glædelig Jul og godt nytår
God Jul og Godt Nyttår
Noeliniz Ve Yeni Yiliniz Kutlu Olsun
domingo, 12 de dezembro de 2010
Momentos
Por muito que, em tese, queiramos ser diferentes dos outros, o milagre da vida demonstra-nos que somos todos iguais. Nascemos sem querer, sem escolher os pais, sem roupa e de memória vazia. Logo de seguida deram-nos um nome e nunca questionámos as primeiras lições que nos ensinaram. No fim, a “terra” chamar-nos-á da mesma forma, independentemente da nossa vontade. Entre estes extremos da vida, apenas podemos… VIVER.
Hoje não vou falar do meu País, do meu Concelho e dos actos de outros que, tal como eu, apenas vivem.
Hoje apenas quero voltar a fazer uma viagem no tempo e ao tempo que já vivi. Dessa viagem aqui deixo alguns momentos que me fazem acreditar que tem sido bom viver.
(1955)

(1955)

(1967)

(1971)

(1973)

(1976)

(21/10/1978)

(Julho/1983)

(Abril/1991)

(Maio/2009)

(Hoje)

Depois desta viagem apenas peço a Deus que daqui a um ano possa voltar a fazer a mesma viagem e continuar a acreditar que é bom viver, ter saúde, ter sonhos, ter amigos, amar e ser amado.
Hoje não vou falar do meu País, do meu Concelho e dos actos de outros que, tal como eu, apenas vivem.
Hoje apenas quero voltar a fazer uma viagem no tempo e ao tempo que já vivi. Dessa viagem aqui deixo alguns momentos que me fazem acreditar que tem sido bom viver.
(1955)

(1955)

(1967)

(1971)

(1973)

(1976)

(21/10/1978)

(Julho/1983)

(Abril/1991)

(Maio/2009)
(Hoje)
Depois desta viagem apenas peço a Deus que daqui a um ano possa voltar a fazer a mesma viagem e continuar a acreditar que é bom viver, ter saúde, ter sonhos, ter amigos, amar e ser amado.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Ginástica
Está no nosso legado genético a capacidade invulgar que temos para, com o recurso à “ginástica”, contornarmos os obstáculos que se nos deparem, por mais invulgares e difíceis que sejam.
São vários os exemplos que aqui poderia trazer, desde a forma ardilosa que temos para contornar as leis (só assim se justifica que exista um advogado para cada 300 portugueses) até à forma expedita como somos capazes de, trabalhando para um mesmo patrão e fazendo o mesmo, “obrigá-lo” a triplicar o nosso vencimento (que o digam os médicos que apresentam licença sem vencimento, no hospital do Estado em que trabalham, por um prazo de 10 anos e fazem um contrato com outro hospital do mesmo Estado auferindo 3 vezes o salário anterior) passando por aqueles que pretendendo exercer a política, porque as suas limitações não lhes permitem realizar as ambições desmedidas que os assolam são capazes das mais estranhas “acrobacias”.
Há já algumas dezenas de anos que temos vindo a assistir a um conjunto tão vasto de números de ginástica especial que faz com que nos tornemos artistas circenses à força. E quando o público se torna "sabido" e se pretende que ele continue a pagar o bilhete que sustenta o artista só existe uma saída: inventar novos números.
Esta semana, uma vez mais, foi pródiga em números, de ginástica, protagonizados pelos nossos políticos. Escolho três artistas que querendo inventar novos números de ginástica não fizeram mais que borrar pinturas já borradas: José Sousa, Carlos César e Manuel Duarte.
Quanto ao José Sousa, esta semana ficámos a conhecer os segredos das suas cambalhotas quando o número trata o TGV Lisboa-Madrid.
Tão bem que ele os tem guardado e nos tem distraído com os seus “partneres” das finanças, obras públicas, transportes e comunicações! Não é que um tal de Zapatero, que também dá pelo nome de José, qual amigo da onça, vem revelar esse segredo? Eis um excerto da sua intervenção quando tentava "comprar", para Espanha e Portugal, o Mundial de 2018:
“…Espanha é o país da Europa com maior rede de TGV e vamos estar conectados com Portugal. Temos uma magnífica rede de estradas e ainda 50 aeroportos na Península Ibérica”
- Será que estes dois Josés só conversam sobre o Magalhães?
- Será que desde a XXI Cimeira Ibérica que se realizou em Évora, em Novembro de 2005, e que juntos acordaram a conclusão do TGV Lisboa-Madrid antes de 2015, nunca mais conversaram sobre as dificuldades económicas que poderiam condicionar a execução desse projecto?
- A propósito de conversas entre estes dois Josés, será que Zapatero explicou ao Sousa porque é que uma das medidas por si adoptada para contornar a crise que assola o seu País foi baixar os impostos das pequenas e médias empresas?
No que respeita ao Carlos César e ao Manuel Duarte bem tentaram saltar por cima do "cavalo com arções" (contenção na despesa pública com a redução do vencimento dos funcionários do Estado que auferem mais de 1.500 euros por mês), mas estatelaram-se ao comprido. Se o primeiro me surpreendeu porque não conhecia a sua filosofia Orwelliana (os porcos são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros) já o segundo não me surpreendeu porque o homem na ânsia de querer ser Presidente da República estatela-se em todos os aparelhos que se lhe deparem, quer seja a mesa alemã, espaldares, paralelas simétricas ou outro. Quanto a este último há que lhe dar algum mérito porque, por muito duras que têm sido as quedas, é capaz de esconder a dor (“Será que o homem é de borracha?).
Voltando a estes dois artistas o número de ginástica que juntos protagonizaram esta semana nos Açores foi tão mal executado que até envergonhou, por certo, os membros da sua classe, lá para as bandas do Largo do Rato, quanto mais os outros!
Quando nos é pedido, e muito bem, que olhemos em frente, será que poderemos ficar indiferentes às acrobacias que os nossos governantes não se cansam de efectuar?
JÁ CANSA TANTA ESPERTEZA SALOIA!
CARA ou COROA?
Qualquer que seja o investimento que possamos defender só o tempo é capaz de clarificar se ele é bom ou mau.
Se existe investimento que o actual executivo da Autarquia Sardoalense apostou e ganhou, foi claramente a construção da Piscina Municipal Coberta e a capacidade para gerir o seu funcionamento até ao presente. Claramente? CARA!


O Executivo Camarário que detém os "louros" do sucesso do investimento na Construção da Piscina Coberta é o mesmo que agora se presta a investir num espaço para o dotar de condições diferentes daqueles que até então apresentava. O projecto que ao que tudo o indica poderá estar associado a um alargamento de uma via (com eventual criação de um parque de estacionamento para os moradores daquela área?), teve o seu início esta semana. Aos olhos de quem estudou mecânica dos solos, as primeiras movimentações de terras efectuadas são tão "estranhas" que, por mais que busque nos manuais de David F. McCarthy e Homero Pinto Caputo não consigo encontrar justificações para as minhas interrugações. Cara ou Coroa? Há que esperar que o tempo o esclareça.


São vários os exemplos que aqui poderia trazer, desde a forma ardilosa que temos para contornar as leis (só assim se justifica que exista um advogado para cada 300 portugueses) até à forma expedita como somos capazes de, trabalhando para um mesmo patrão e fazendo o mesmo, “obrigá-lo” a triplicar o nosso vencimento (que o digam os médicos que apresentam licença sem vencimento, no hospital do Estado em que trabalham, por um prazo de 10 anos e fazem um contrato com outro hospital do mesmo Estado auferindo 3 vezes o salário anterior) passando por aqueles que pretendendo exercer a política, porque as suas limitações não lhes permitem realizar as ambições desmedidas que os assolam são capazes das mais estranhas “acrobacias”.
Há já algumas dezenas de anos que temos vindo a assistir a um conjunto tão vasto de números de ginástica especial que faz com que nos tornemos artistas circenses à força. E quando o público se torna "sabido" e se pretende que ele continue a pagar o bilhete que sustenta o artista só existe uma saída: inventar novos números.
Esta semana, uma vez mais, foi pródiga em números, de ginástica, protagonizados pelos nossos políticos. Escolho três artistas que querendo inventar novos números de ginástica não fizeram mais que borrar pinturas já borradas: José Sousa, Carlos César e Manuel Duarte.
Quanto ao José Sousa, esta semana ficámos a conhecer os segredos das suas cambalhotas quando o número trata o TGV Lisboa-Madrid.
Tão bem que ele os tem guardado e nos tem distraído com os seus “partneres” das finanças, obras públicas, transportes e comunicações! Não é que um tal de Zapatero, que também dá pelo nome de José, qual amigo da onça, vem revelar esse segredo? Eis um excerto da sua intervenção quando tentava "comprar", para Espanha e Portugal, o Mundial de 2018:
“…Espanha é o país da Europa com maior rede de TGV e vamos estar conectados com Portugal. Temos uma magnífica rede de estradas e ainda 50 aeroportos na Península Ibérica”
- Será que estes dois Josés só conversam sobre o Magalhães?
- Será que desde a XXI Cimeira Ibérica que se realizou em Évora, em Novembro de 2005, e que juntos acordaram a conclusão do TGV Lisboa-Madrid antes de 2015, nunca mais conversaram sobre as dificuldades económicas que poderiam condicionar a execução desse projecto?
- A propósito de conversas entre estes dois Josés, será que Zapatero explicou ao Sousa porque é que uma das medidas por si adoptada para contornar a crise que assola o seu País foi baixar os impostos das pequenas e médias empresas?
No que respeita ao Carlos César e ao Manuel Duarte bem tentaram saltar por cima do "cavalo com arções" (contenção na despesa pública com a redução do vencimento dos funcionários do Estado que auferem mais de 1.500 euros por mês), mas estatelaram-se ao comprido. Se o primeiro me surpreendeu porque não conhecia a sua filosofia Orwelliana (os porcos são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros) já o segundo não me surpreendeu porque o homem na ânsia de querer ser Presidente da República estatela-se em todos os aparelhos que se lhe deparem, quer seja a mesa alemã, espaldares, paralelas simétricas ou outro. Quanto a este último há que lhe dar algum mérito porque, por muito duras que têm sido as quedas, é capaz de esconder a dor (“Será que o homem é de borracha?).
Voltando a estes dois artistas o número de ginástica que juntos protagonizaram esta semana nos Açores foi tão mal executado que até envergonhou, por certo, os membros da sua classe, lá para as bandas do Largo do Rato, quanto mais os outros!
Quando nos é pedido, e muito bem, que olhemos em frente, será que poderemos ficar indiferentes às acrobacias que os nossos governantes não se cansam de efectuar?
JÁ CANSA TANTA ESPERTEZA SALOIA!
CARA ou COROA?
Qualquer que seja o investimento que possamos defender só o tempo é capaz de clarificar se ele é bom ou mau.
Se existe investimento que o actual executivo da Autarquia Sardoalense apostou e ganhou, foi claramente a construção da Piscina Municipal Coberta e a capacidade para gerir o seu funcionamento até ao presente. Claramente? CARA!

O Executivo Camarário que detém os "louros" do sucesso do investimento na Construção da Piscina Coberta é o mesmo que agora se presta a investir num espaço para o dotar de condições diferentes daqueles que até então apresentava. O projecto que ao que tudo o indica poderá estar associado a um alargamento de uma via (com eventual criação de um parque de estacionamento para os moradores daquela área?), teve o seu início esta semana. Aos olhos de quem estudou mecânica dos solos, as primeiras movimentações de terras efectuadas são tão "estranhas" que, por mais que busque nos manuais de David F. McCarthy e Homero Pinto Caputo não consigo encontrar justificações para as minhas interrugações. Cara ou Coroa? Há que esperar que o tempo o esclareça.

domingo, 28 de novembro de 2010
O outro lado da greve
As notícias que nos continuam a chegar diariamente sobre as “convulsões financeiras e sociais" em alguns países da zona euro são um sinal claro que, ou mudamos a nossa visão sobre como deveremos gerir os nossos direitos e os nossos deveres, ou todos nós também mergulharemos em semelhantes convulsões.
Que não reste qualquer espécie de dúvida que, caso Portugal se veja a braços com uma situação que “obrigue” os seus governantes a solicitarem a outros uma ajuda financeira extraordinária (Fundo de Estabilidade Europeu e/ou Fundo Monetário Internacional) serão os mais fracos a sentirem o “peso” das contrapartidas que nos serão exigidas. E na lista dos mais fracos estarão por certo os reformados com reformas de miséria, os desempregados e tantos outros.
É com este cenário de fundo que olho para a Greve Geral que decorreu esta semana e não consigo perceber nem os seus objectivos nem o valor que os seus organizadores lhe atribuíram.
Relativamente aos objectivos, sabendo que em Portugal apenas uma percentagem muito baixa de Portugueses é que não sente os efeitos de uma crise para a qual fomos atirados por governantes irresponsáveis que apenas pensavam (e continuam a pensar) em si, para que serviu esta greve? Para mostrar a todos nós tudo aquilo que estamos fartos de saber?
Só consigo vislumbrar objectivos políticos por parte de gente que pretende pôr em prática a teoria “Orwelliana” do “Triunfo dos Porcos”, porque são essas são "as únicas águas em que sabem nadar". E foi vê-los a “comandar” um exército de outra gente que aceitou prescindir de um dia de salário em troca de uma mão cheia de nada. E se um dia algum daqueles manifestantes se vir na condição de desempregado, bem poderá bater “à porta” desses “generais” porque deles só vai receber a sua indiferença e o “- Desenrásca-te!” do costume.
Quanto aos resultados da Greve, para além da falta de transportes, de um ou outro serviço que não se realizou e do “jogo dos números” entre os Sindicatos e o Governo, no qual os excessos se tocaram, o certo é que não conseguiram alterar o estado das coisas. Estavamos mal e continuamos mal. Perspectivas de melhoras, até ver, nem vê-las.
Será que os nossos sindicatos não poderiam ser mais pró-activos do que têm sido, em vez de olharem apenas e só para os seus próprios umbigos?
Será que em matéria de direitos e deveres entre Patrão e Empregado a implementação de filosofias que conferem mais direitos a um que a outro não são elas próprias geradoras de instabilidades sociais?
Como é que se pode atribuir a um mau trabalhador o mesmo valor ao atribuído a um bom trabalhador? Sou defensor da tese segundo segundo a qual: “quem não está bem, muda-se!”.
Se alguém sente que não é reconhecido pelo trabalho que desenvolve e isso lesa os seus interesses, só tem uma saída: muda-se!
A esmagadora maioria dos que decidiram fazer greve esta semana foram funcionários públicos. São legítimas as suas reclamações, mas porque não fazem o que eu próprio fiz, e abandonam a Função Pública? (em 1987 e após 9 anos no quadro da função pública, enquanto fiscal técnico de obras de 1ª classe, sentindo que não era devidamente compensado pelo trabalho que desenvolvia, emigrei. Em 1995 estando reunidas as condições para voltar para os quadros da função pública, já então como engenheiro técnico civil decidi não voltar a arriscar, apostando em mim, vendendo o meu saber, facto que se verifica desde então). Da mesma maneira que não tenho dúvidas que alguns (poucos, muito poucos) eram capazes de obter em empresas privadas dividendos superiores aos auferidos na função pública, outros (a esmagadora maioria) ficaria “surpreendida” pela diferença, para menos.
Uma das conclusões que se pode tirar desta greve é que, uma vez mais, imperou a crueldade da lei da Natureza: “Até a miséria e a desgraça de uns são fonte de alimento de outros.”
CARA
(A Igreja do Convento de Santa Maria da Caridade)
(Google Earth 39º32´00,42"N e 8º09´36,52"W)

(A Igreja Matriz de Sardoal - Séc. XVI)
(Google Earth 39º32´21,48"N e 8º09´38,46"W)

COROA
(O sub-aproveitamento industrial da Zona Industrial do Sardoal)
(Google Earth 39º31´04,82"N e 8º09´29,32"W)
Que não reste qualquer espécie de dúvida que, caso Portugal se veja a braços com uma situação que “obrigue” os seus governantes a solicitarem a outros uma ajuda financeira extraordinária (Fundo de Estabilidade Europeu e/ou Fundo Monetário Internacional) serão os mais fracos a sentirem o “peso” das contrapartidas que nos serão exigidas. E na lista dos mais fracos estarão por certo os reformados com reformas de miséria, os desempregados e tantos outros.
É com este cenário de fundo que olho para a Greve Geral que decorreu esta semana e não consigo perceber nem os seus objectivos nem o valor que os seus organizadores lhe atribuíram.
Relativamente aos objectivos, sabendo que em Portugal apenas uma percentagem muito baixa de Portugueses é que não sente os efeitos de uma crise para a qual fomos atirados por governantes irresponsáveis que apenas pensavam (e continuam a pensar) em si, para que serviu esta greve? Para mostrar a todos nós tudo aquilo que estamos fartos de saber?
Só consigo vislumbrar objectivos políticos por parte de gente que pretende pôr em prática a teoria “Orwelliana” do “Triunfo dos Porcos”, porque são essas são "as únicas águas em que sabem nadar". E foi vê-los a “comandar” um exército de outra gente que aceitou prescindir de um dia de salário em troca de uma mão cheia de nada. E se um dia algum daqueles manifestantes se vir na condição de desempregado, bem poderá bater “à porta” desses “generais” porque deles só vai receber a sua indiferença e o “- Desenrásca-te!” do costume.
Quanto aos resultados da Greve, para além da falta de transportes, de um ou outro serviço que não se realizou e do “jogo dos números” entre os Sindicatos e o Governo, no qual os excessos se tocaram, o certo é que não conseguiram alterar o estado das coisas. Estavamos mal e continuamos mal. Perspectivas de melhoras, até ver, nem vê-las.
Será que os nossos sindicatos não poderiam ser mais pró-activos do que têm sido, em vez de olharem apenas e só para os seus próprios umbigos?
Será que em matéria de direitos e deveres entre Patrão e Empregado a implementação de filosofias que conferem mais direitos a um que a outro não são elas próprias geradoras de instabilidades sociais?
Como é que se pode atribuir a um mau trabalhador o mesmo valor ao atribuído a um bom trabalhador? Sou defensor da tese segundo segundo a qual: “quem não está bem, muda-se!”.
Se alguém sente que não é reconhecido pelo trabalho que desenvolve e isso lesa os seus interesses, só tem uma saída: muda-se!
A esmagadora maioria dos que decidiram fazer greve esta semana foram funcionários públicos. São legítimas as suas reclamações, mas porque não fazem o que eu próprio fiz, e abandonam a Função Pública? (em 1987 e após 9 anos no quadro da função pública, enquanto fiscal técnico de obras de 1ª classe, sentindo que não era devidamente compensado pelo trabalho que desenvolvia, emigrei. Em 1995 estando reunidas as condições para voltar para os quadros da função pública, já então como engenheiro técnico civil decidi não voltar a arriscar, apostando em mim, vendendo o meu saber, facto que se verifica desde então). Da mesma maneira que não tenho dúvidas que alguns (poucos, muito poucos) eram capazes de obter em empresas privadas dividendos superiores aos auferidos na função pública, outros (a esmagadora maioria) ficaria “surpreendida” pela diferença, para menos.
Uma das conclusões que se pode tirar desta greve é que, uma vez mais, imperou a crueldade da lei da Natureza: “Até a miséria e a desgraça de uns são fonte de alimento de outros.”
CARA
(A Igreja do Convento de Santa Maria da Caridade)
(Google Earth 39º32´00,42"N e 8º09´36,52"W)
(A Igreja Matriz de Sardoal - Séc. XVI)
(Google Earth 39º32´21,48"N e 8º09´38,46"W)
COROA
(O sub-aproveitamento industrial da Zona Industrial do Sardoal)
(Google Earth 39º31´04,82"N e 8º09´29,32"W)
domingo, 21 de novembro de 2010
Olhar para a frente
Penso que chegados ao ponto para onde fomos “atirados” pelos políticos deste País só nos resta uma saída: olhar para a frente e… caminhar. Cada um, e a seu modo, deverá fazer o seu próprio caminho, respeitando o caminho dos outros.
Com o tempo que perdemos falando dos actos dos outros, vamos ficando sem tempo para exercitarmos os nossos próprios actos.
Não é segredo para ninguém que a esmagadora maioria daqueles que nos governam estão mais interessados em governar-se que governar os outros.
Não é segredo para ninguém que a balança da nossa justiça nem sempre assenta num plano horizontal e muitas vezes o seu fiel é “influenciado” por planos inclinados que o poder consegue colocar debaixo dela.
Não é segredo para ninguém que nos tornámos num povo que perdeu a capacidade de sonhar. O importante é o dia de hoje, porque o ámanhã ainda está muito longe. Foi assim quando construímos as nossas casas, sem ter dinheiro. Foi assim quando comprámos os nossos carros, sem ter dinheiro. Foi assim quando fomos de férias, sem ter dinheiro. Foi assim quando os nossos governantes nos incentivaram à irresponsabilidade e à preguiça, em detrimento da responsabilidade e do trabalho.
Transformámo-nos numa manta de retalhos “cozidos” por gente que apenas pensou em si.
Quando já são cada vez menos aqueles que alimentam quem nada produz, quando já escasseia a vontade em nos emprestarem dinheiro para continuarmos a alimentar os vícios que a nossa preguiça gera (os metralhas instalados no Governo bem tentam iludir-nos com a crise internacional o que é certo é que, por exemplo, esta semana a nossa vizinha Espanha conseguiu um juro para um empréstimo a 10 anos inferior ao que nos foi cobrado para 1 só ano) é chegada a hora, de todos nós agirmos.
É chegada a hora de voltarmos a olhar para a frente, arregaçarmos as mangas, reaquirirmos a nossa capacidade de sonhar, sem descurarmos o dever de eliminarmos os “chicos espertos” deste País.
CARA ou COROA (?)
Retomo o meu artigo anterior sobre o abandono das Instalações Industriais da ex-Sardan e ex-Sarplás e o meu contributo na busca de uma solução que permita inverter o sentido quanto ao destino de tais instalações.
No meu artigo anterior e suportado por uma informação que julguei poder dar algum crédito referi que o valor do bem prédio (edificações e terreno) poderia ter um “valor” de 3… 4… ou mesmo 5(?)… milhões de euros que se desvalorizavam diariamente com todos os prejuízos decorrentes para o seu proprietário (Millennium BCP). Estava enganado! O seu valor é substancialmente inferior ao limite mínimo por mim indicado, o que faz com que a minha proposta possa ter ainda mais sentido.


Para os que desconhecem do que se trata para além da sua localização que aqui deixo (através do Google Earth) permito-me referir o que está descrito na Conservatória do Registo Predial de Sardoal:
PRÉDIO URBANO: Tapada da Costa – Composto dos seguintes edifícios: a) – Edifício principal: rés-do-chão e primeiro andar, destinado a sede social – S. C. 500 m2; b) – Edifício acessório ao principal, composto de rés-do-chão – pavilhão destinado à indústria, com oficina, garagem e sanitários – S. C. 1.090 m2; - c) – Edifício acessório ao Principal – rés-do-chão composto de pavilhão destinado à indústria – S. C. 1.273 m2, encontrando-se este conjunto vedado por uma sebe em rede, - d) – Casa de rés-do-chão para habitação – S. C. 75,428 m2, varanda recolhida – 3,388 m2, estendal – 160,600 m2; - e) – armazém de rés-do-chão para recolha de matérias-primas e produtos acabados – 500 m2; - Logradouro – 16.857,584 m2 – V. V. 2.462.400$00 - Artigo 1.591 (feita reclamação em 280909); V. P. – d) 72.900$00 – valor Total: 3.210.300$00 – Artigos: - d) 1.613; - e) 1.726.
…
F-3 Ap.06/210201 – PENHORA – PROVISÓRIA POR NATUREZA artº 2º alínea a) do artº 92 – a favor da FAZENDA NACIONAL – data: 20 de Fevereiro de 2001 – Executado: SARPLÁS – FÁBRICA DE PLÁSTICOS DO SARDOAL, LIMITADA – Titular inscrito: BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS, S.A. Quantia exequenda: XX.XXX.XXX$00.
F-3 An.1 – 141105 – Verificada a caducidade.
Um espaço que durante muitos anos foi gerador de riqueza para as gentes do Sardoal hoje não passa de um conjunto edificado ao abandono à espera que o tempo determine o seu renascimento ou o seu fim.
Se a “morte” das instalações não beneficia os interesses do seu proprietário, também não beneficiará um concelho onde a riqueza não prospera e onde é manifesta a ausência de infraestruturas que a possam produzir.
Do lado do Banco Millennium BCP, naturalmente, as suas expectativas passam por reaver o seu investimento ou, na sua impossibilidade, reduzir ao mínimo os prejuízos decorrentes da sua alienação. Diante do bem material em causa e do facto do mesmo se encontrar ao abandono, o tempo não favorece os seus interesses uma vez que esse bem se vai desvalorizando, aumentando o seu prejuízo. Não é difícil perceber que o valor do bem depende, em exclusivo, da utilização ou adaptabilidade do actual edificado. Caso este não apresente tais possibilidades, são incomensuráveis as perdas que daí advirão, dado o baixo valor do terreno (à luz do PDM do Sardoal o prédio está classificado enquanto Espaço Industrial) e o elevado custo emergente da demolição de todo o edificado e transporte a vazadouro licenciado (obrigatório em face da lei vigente).
Do lado da Autarquia Sardoalense e de toda a comunidade Sardoalense a expectativa é a de que as instalações possam voltar a ser produtivas dando “abrigo” a novos postos de trabalho e com isso poderem reduzir o elevado índice de desemprego no Concelho.
Identificados os lados deste processo cabe a um, enquanto proprietário do prédio, a exclusividade da decisão, enquanto ao outro a expectativa sobre as consequências daquela.
Qual a saída possível para o BCP caso seja obrigado em continuar proprietário do prédio e do edificado nele construído, por motivos de ausência de propostas de compra ou propostas aquém dos limites financeiros por si definidos, por um tempo indeterminado? A conjuntura actual, infelizmente, não nos transmite grandes esperanças neste sentido.
Sabendo que a Autarquia Sardoalense dificilmente tem condições financeiras para, por si só, adquirir todo aquele espaço, recuperá-lo e devolvê-lo ao tecido empresarial do Concelho (com uma subsequente venda ou aluguer a uma ou várias empresas, sendo esta última a mais lógica nos tempos que correm) pode contudo representar um papel chave em todo o processo de alienação funcionando como uma espécie de Entidade Administradora de todo o espaço.
Entre o Millennium BCP e a Câmara Municipal de Sardoal poderia ser efectuado um contrato de arrendamento por um determinado período de tempo no qual ficaria estabelecido, entre outras cláusulas que pudessem salvaguardar todas as partes, os seguintes direitos e deveres:
1)A CMS assume a administração de todo o espaço tendo o dever de proceder a obras de conservação (material e mão-de-obra) até um determinado valor limite mensal (uma espécie de renda).
2)Os trabalhos a realizar seriam resultantes de um projecto de perícia efectuado por uma entidade independente que identificaria todas as patologias construtivas existentes e posteriormente discutida e aprovada.
3)Mensalmente a CMS enviaria um relatório sobre os trabalhos realizados e o seu valor.
4)A CMS poderia utilizar todo o espaço para os fins que julgasse pertinente conquanto não fosse comprometido o seu futuro uso.
5)Seria da responsabilidade da CMS a divulgação sobre as potencialidades empresariais do prédio.
6)Em caso do BCP ser alvo de uma proposta de compra para o prédio, por si julgada aceitável, à CMS deveria ser dado o direito de opção. Caso a CMS prescindisse desse direito o BCP indemnizaria a CMS de um valor equivalente a todo o investimento efectuado na reabilitação do espaço.
Porque nesta permuta de direitos e deveres apenas consigo observar vantagens para ambas as partes em presença, entendi divulgá-las para que, no mínimo, possam ser avaliadas, caso sejam goradas as possibilidades da sua aquisição simples por parte da CMA.
Como nota de rodapé, penso que sem o conhecimento profundo do estado em que se encontra todo o edificado, não acredito que em consciência, seja possível encontrar-se um valor tido como justo, não só por parte de quem o apresenta, mas também por parte de quem o analisa.


Com o tempo que perdemos falando dos actos dos outros, vamos ficando sem tempo para exercitarmos os nossos próprios actos.
Não é segredo para ninguém que a esmagadora maioria daqueles que nos governam estão mais interessados em governar-se que governar os outros.
Não é segredo para ninguém que a balança da nossa justiça nem sempre assenta num plano horizontal e muitas vezes o seu fiel é “influenciado” por planos inclinados que o poder consegue colocar debaixo dela.
Não é segredo para ninguém que nos tornámos num povo que perdeu a capacidade de sonhar. O importante é o dia de hoje, porque o ámanhã ainda está muito longe. Foi assim quando construímos as nossas casas, sem ter dinheiro. Foi assim quando comprámos os nossos carros, sem ter dinheiro. Foi assim quando fomos de férias, sem ter dinheiro. Foi assim quando os nossos governantes nos incentivaram à irresponsabilidade e à preguiça, em detrimento da responsabilidade e do trabalho.
Transformámo-nos numa manta de retalhos “cozidos” por gente que apenas pensou em si.
Quando já são cada vez menos aqueles que alimentam quem nada produz, quando já escasseia a vontade em nos emprestarem dinheiro para continuarmos a alimentar os vícios que a nossa preguiça gera (os metralhas instalados no Governo bem tentam iludir-nos com a crise internacional o que é certo é que, por exemplo, esta semana a nossa vizinha Espanha conseguiu um juro para um empréstimo a 10 anos inferior ao que nos foi cobrado para 1 só ano) é chegada a hora, de todos nós agirmos.
É chegada a hora de voltarmos a olhar para a frente, arregaçarmos as mangas, reaquirirmos a nossa capacidade de sonhar, sem descurarmos o dever de eliminarmos os “chicos espertos” deste País.
CARA ou COROA (?)
Retomo o meu artigo anterior sobre o abandono das Instalações Industriais da ex-Sardan e ex-Sarplás e o meu contributo na busca de uma solução que permita inverter o sentido quanto ao destino de tais instalações.
No meu artigo anterior e suportado por uma informação que julguei poder dar algum crédito referi que o valor do bem prédio (edificações e terreno) poderia ter um “valor” de 3… 4… ou mesmo 5(?)… milhões de euros que se desvalorizavam diariamente com todos os prejuízos decorrentes para o seu proprietário (Millennium BCP). Estava enganado! O seu valor é substancialmente inferior ao limite mínimo por mim indicado, o que faz com que a minha proposta possa ter ainda mais sentido.


Para os que desconhecem do que se trata para além da sua localização que aqui deixo (através do Google Earth) permito-me referir o que está descrito na Conservatória do Registo Predial de Sardoal:
PRÉDIO URBANO: Tapada da Costa – Composto dos seguintes edifícios: a) – Edifício principal: rés-do-chão e primeiro andar, destinado a sede social – S. C. 500 m2; b) – Edifício acessório ao principal, composto de rés-do-chão – pavilhão destinado à indústria, com oficina, garagem e sanitários – S. C. 1.090 m2; - c) – Edifício acessório ao Principal – rés-do-chão composto de pavilhão destinado à indústria – S. C. 1.273 m2, encontrando-se este conjunto vedado por uma sebe em rede, - d) – Casa de rés-do-chão para habitação – S. C. 75,428 m2, varanda recolhida – 3,388 m2, estendal – 160,600 m2; - e) – armazém de rés-do-chão para recolha de matérias-primas e produtos acabados – 500 m2; - Logradouro – 16.857,584 m2 – V. V. 2.462.400$00 - Artigo 1.591 (feita reclamação em 280909); V. P. – d) 72.900$00 – valor Total: 3.210.300$00 – Artigos: - d) 1.613; - e) 1.726.
…
F-3 Ap.06/210201 – PENHORA – PROVISÓRIA POR NATUREZA artº 2º alínea a) do artº 92 – a favor da FAZENDA NACIONAL – data: 20 de Fevereiro de 2001 – Executado: SARPLÁS – FÁBRICA DE PLÁSTICOS DO SARDOAL, LIMITADA – Titular inscrito: BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS, S.A. Quantia exequenda: XX.XXX.XXX$00.
F-3 An.1 – 141105 – Verificada a caducidade.
Um espaço que durante muitos anos foi gerador de riqueza para as gentes do Sardoal hoje não passa de um conjunto edificado ao abandono à espera que o tempo determine o seu renascimento ou o seu fim.
Se a “morte” das instalações não beneficia os interesses do seu proprietário, também não beneficiará um concelho onde a riqueza não prospera e onde é manifesta a ausência de infraestruturas que a possam produzir.
Do lado do Banco Millennium BCP, naturalmente, as suas expectativas passam por reaver o seu investimento ou, na sua impossibilidade, reduzir ao mínimo os prejuízos decorrentes da sua alienação. Diante do bem material em causa e do facto do mesmo se encontrar ao abandono, o tempo não favorece os seus interesses uma vez que esse bem se vai desvalorizando, aumentando o seu prejuízo. Não é difícil perceber que o valor do bem depende, em exclusivo, da utilização ou adaptabilidade do actual edificado. Caso este não apresente tais possibilidades, são incomensuráveis as perdas que daí advirão, dado o baixo valor do terreno (à luz do PDM do Sardoal o prédio está classificado enquanto Espaço Industrial) e o elevado custo emergente da demolição de todo o edificado e transporte a vazadouro licenciado (obrigatório em face da lei vigente).
Do lado da Autarquia Sardoalense e de toda a comunidade Sardoalense a expectativa é a de que as instalações possam voltar a ser produtivas dando “abrigo” a novos postos de trabalho e com isso poderem reduzir o elevado índice de desemprego no Concelho.
Identificados os lados deste processo cabe a um, enquanto proprietário do prédio, a exclusividade da decisão, enquanto ao outro a expectativa sobre as consequências daquela.
Qual a saída possível para o BCP caso seja obrigado em continuar proprietário do prédio e do edificado nele construído, por motivos de ausência de propostas de compra ou propostas aquém dos limites financeiros por si definidos, por um tempo indeterminado? A conjuntura actual, infelizmente, não nos transmite grandes esperanças neste sentido.
Sabendo que a Autarquia Sardoalense dificilmente tem condições financeiras para, por si só, adquirir todo aquele espaço, recuperá-lo e devolvê-lo ao tecido empresarial do Concelho (com uma subsequente venda ou aluguer a uma ou várias empresas, sendo esta última a mais lógica nos tempos que correm) pode contudo representar um papel chave em todo o processo de alienação funcionando como uma espécie de Entidade Administradora de todo o espaço.
Entre o Millennium BCP e a Câmara Municipal de Sardoal poderia ser efectuado um contrato de arrendamento por um determinado período de tempo no qual ficaria estabelecido, entre outras cláusulas que pudessem salvaguardar todas as partes, os seguintes direitos e deveres:
1)A CMS assume a administração de todo o espaço tendo o dever de proceder a obras de conservação (material e mão-de-obra) até um determinado valor limite mensal (uma espécie de renda).
2)Os trabalhos a realizar seriam resultantes de um projecto de perícia efectuado por uma entidade independente que identificaria todas as patologias construtivas existentes e posteriormente discutida e aprovada.
3)Mensalmente a CMS enviaria um relatório sobre os trabalhos realizados e o seu valor.
4)A CMS poderia utilizar todo o espaço para os fins que julgasse pertinente conquanto não fosse comprometido o seu futuro uso.
5)Seria da responsabilidade da CMS a divulgação sobre as potencialidades empresariais do prédio.
6)Em caso do BCP ser alvo de uma proposta de compra para o prédio, por si julgada aceitável, à CMS deveria ser dado o direito de opção. Caso a CMS prescindisse desse direito o BCP indemnizaria a CMS de um valor equivalente a todo o investimento efectuado na reabilitação do espaço.
Porque nesta permuta de direitos e deveres apenas consigo observar vantagens para ambas as partes em presença, entendi divulgá-las para que, no mínimo, possam ser avaliadas, caso sejam goradas as possibilidades da sua aquisição simples por parte da CMA.
Como nota de rodapé, penso que sem o conhecimento profundo do estado em que se encontra todo o edificado, não acredito que em consciência, seja possível encontrar-se um valor tido como justo, não só por parte de quem o apresenta, mas também por parte de quem o analisa.
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