domingo, 13 de maio de 2012

Ponto Final (?)

Os habituais visitantes deste blogue estranharão por certo o facto de já há algumas semanas não colocar aqui qualquer texto de opinião. Em quatro anos de existência deste blogue, tal facto nunca aconteceu, por isso tal estranheza será normal. Essa ausência não se deveu por motivos de doença ou cansaço, mas apenas e só porque talvez tenha chegado a hora de procurar “outros caminhos” diferentes daqueles que tenho trilhado nos últimos 17-18 anos. Existem alturas da nossa vida em que deveremos perguntar a nós próprios, se os caminhos da vida que habitualmente escolhemos são os melhores e se não haverá outros que deveríamos experimentar. Diante de uma sociedade que se “esfrangalha” a cada dia que passa, talvez seja esta a tal altura para “olhar” para outros “caminhos” e aí buscar uma nova forma de vida. Neste “caminho” que agora pretendo deixar, não quero deixar ressentimentos, e por isso aqueles que tudo fizeram para que eu “tombasse” gostaria que soubessem que, TODOS, sem excepção, estão desculpados pelas “rasteiras” que me fizeram, porque, de cada vez que caía mais forças ia adquirindo para melhor me poder levantar. (Já quanto às rasteiras, será impossível esquecê-las porque algumas delas provocaram cicatrizes difíceis de apagar. Talvez um dia, neste blogue descreva algumas delas e que falam de “perseguição pessoal e profissional” a alguém, apenas e só porque foi capaz de pensar diferente. Não sei se a verdade me pertencia ou se a outros pertencia, porém ao fim destes anos em que venho trilhando o caminho que agora estou prestes a abandonar, diante do actual estado em que se encontra o meu Concelho e o meu País há uma certeza que tenho: a verdade não esteve do outro lado). Este “abandono” carrega alguma “nostalgia”, uma vez que a história também fala de homens bons e eu encontrei muitos, que me fizeram ser melhor cada vez que os conhecia. Para eles, o meu profundo OBRIGADO! Ponto Final? NÃO! Até um dia destes!

sábado, 7 de abril de 2012

A Páscoa no Sardoal

















































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Repetiu-se a magia!!!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Homens Bons

No meu último artigo escrevi que, de acordo com o que consigo perceber, estamos a chegar ao fim da linha de podermos voltar a sonhar e, com isso, passou a ser um SALVE-SE QUEM PUDER! Mais referi que gostaria de estar enganado, mas os “sinais” que recebemos diariamente não nos permitem pensar de outro modo.

A nossa Democracia, que os “viciados pelo poder” não se cansam de cantar loas, está moribunda e jaz num leito de morte sem que alguém lhe possa valer. Os seus dias de glória terminaram, uma vez que, “restabelecida a ordem social (?)”, em que de um lado estão uns poucos com toda a força e do outro estão todos os outros sem força alguma, ela já não serve para ninguém. Não serve os primeiros porque a sua busca contínua pelo poder supremo passa a ser jogado noutro "tabuleiro" e não serve os segundos porque, despojados da razão que pensavam que tinham, nunca a tendo, e apenas lhes sobrando os seus instintos de conservação, só lhes resta olhar para si e aguardar pela piedade dos primeiros.

A fraqueza de uns é força de outros. Que o digam a relação de forças entre o doente e quem o trata, entre o criminoso e quem o defende, entre o que é escasso e o que é abundante. Foi esta luta desigual que nos conduziu à beira do precipício no qual nos encontramos e do qual estamos prestes a cair.

A Democracia da liberdade e do equilíbrio entre os direitos e deveres de todo o indivíduo é a mesma que confere a liberdade a uns de tomarem para si direitos que só a outros pertence e fazem-no sem um mínimo de respeito pela condição humana que a todos marca, apenas porque são mais fortes. Nesta luta desigual em que dos fracos “não trata a história” tudo é feito para se ganhar um lugar ao Sol.

Uma vez que a riqueza de um se faz à custa da pobreza do outro e que não existem limites para a dimensão da riqueza desse um, contrariamente à dimensão da pobreza desse outro, o fim não é difícil de prever. E o que mais confrange é o facto de todos aceitarmos estas regras à sombra desse tal ideal de vida, que dá pelo nome de Democracia, e sermos capazes de elogiar todas as suas virtudes colocando-nos na posição dos fortes mesmo sendo fracos.

Se apenas temos esta vida para viver porque é que buscamos riquezas para vivermos várias vidas?

O meu País está doente porque quem o tem dirigido, ao longo destes anos não são os homens bons que um povo com 900 anos de história merecia. Políticos e governantes que sem experiência da vida, mas escudados atrás de poderes ilimitados na sua auto-protecção e auto-regulação, são capazes de promover todo o tipo de desmandos que visem o reforço do seu ego e poder vitalício sobre outros, reservando para si o sucesso e passando para outros os efeitos do seu insucesso. Forças de segurança inseguras e indefesas. Tribunais com muitas Leis para os mais fracos, mas vazios delas para os mais fortes. Pelo meio, são sempre os mesmos que comem os figos e os mesmos a quem lhes rebenta a boca.

E o que fazemos? NADA!

Quando percebemos que o corte nos nossos salários e os aumentos dos nossos impostos nos trazem dor e privações e apenas visam “engordar” quem já está “gordo”, quando somos preteridos por outros apenas e só porque envergam outra “roupa” diferente da nossa, o que fazemos? NADA!

Porquê? Porque sabemos que por muito que possamos gritar, os nossos gritos serão sempre surdos e não existe quem nos possa socorrer. Mesmo que alguém os ouça tudo fará para os não ouvir na esperança de que essa surdez possa ser “recompensada” através de uma acto de “piedade” por parte de quem detem o poder e com isso conseguir chegar até ele (que grande desilusão terão um dia quando acordarem para a dura realidade e perceberem que não passaram de simples figurantes a quem outros utilizaram os seus ombros para subirem mais alto).

Ao fim de quatro anos em que aqui venho escrevendo o que penso sobre o Mundo em que vivo, sobre o meu País e o meu Concelho, e tudo fazendo para partilhar esse pensamento e com ele suscitar o pensamento de outros, creio que chegou a hora de eu parar e tentar encontrar uma saída segura no caminho para o qual outros me levam, à força, e para o qual vislumbro escolhos difíceis de transpor.

Onde param os HOMENS BONS do meu País, capazes de me concederem aquilo que eu pretendo da vida e que é ser feliz e feliz com outros, apenas regulados por Leis justas que consagrem e garantam o equilíbrio entre os direitos e os deveres de cada um de nós? Será que alguém poderá atingir a felicidade tendo apenas por companhia o seu reflexo num espelho? Será que essa felicidade não se obtém e reforça na partilha com a felicidade de outros?

Cheguem-se à frente HOMENS BONS do meu País e devolvam-me a capacidade de poder voltar a sonhar!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Salve-se quem puder!

Os dias passam e os ventos da desgraça que se instalaram sobre um pequeno rectângulo de terreno na parte mais ocidental da Europa não dão sinais de abrandamento, pelo contrário, todos os sinais que vamos tendo apontam para o seu agravamento.

O pior sentimento que alguém pode experimentar é perder a capacidade de poder sonhar sobre o seu futuro. E será que nós, Portugueses, não estamos já a experimentar tal sentimento? Será que quando somos colocados numa posição em que só o dia de hoje interessa e o de amanhã logo se vê, não estamos já a perder essa capacidade de sonhar?

O Sebastianismo que nos vem “confortando”, desde a tal Batalha de Alcácer Quibir, sempre que o infortúnio ou a má sorte nos invade e que nos permite desacreditar hoje naquilo que ontem acreditávamos para logo voltarmos a acreditar e a desacreditar, tem os dias contados. Assim, como poderemos voltar a sonhar?

Tomemos por exemplo o nosso Governo, sobre o qual depositei, tal como muitos outros, francas perspectivas de poder continuar a sonhar. Será que tem feito tudo o que devia fazer para corrigir o que estava torto?

Porque é que os poderosos em tempos de crise se tornam mais poderosos enquanto que os fracos se tornam mais fracos?

Porque é que os direitos de uns podem ser questionados e corrigidos enquanto os direitos de outros se tornam sagrados?

Que diferenças existem entre os rendimentos de alguém que trabalha para os merecer e os proveitos de Fundações que ninguém sabe para que servem, Participações Público-Privadas criadas com o propósito de garantirem riqueza a uns poucos e já para não falar de Mordomias ao alcance de outros tantos?

Onde está o poder de um governo que não hesita ante o fraco e revela prudência(?) excessiva ante outros?

É verdade que a Troyka está contente com a prestação do governo e com isso continua a emprestar (cuidado! não confundir com "DAR") o dinheiro que precisamos para saldar as dívidas que uns poucos fizeram em nome de todos nós (a propósito, onde anda toda essa gente?), mas… e depois? Quem nos garante que esta razia fiscal de que vamos ser alvo neste ano e nos que se seguirão, que garantidamente nos irá tornar mais pobres (nem todos), não continue a ser insuficiente para satisfazer as nossas necessidades? Aqueles que agora garantem tal impossibilidade não têm problema em chamar a si tal garantia uma vez que sabem que nada lhes acontecerá tal como aconteceu a todos os que os antecederam e viram as suas promessas e certezas serem goradas.

Às vezes ainda somos acometidos por notícias que nos dão algum alento, mas logo seguir surgem outras que revelam a sua falsidade.

Por muito que alguns tentem desmistificar, somos um País de Compadrios. O mar legislativo que nos inunda e que é um tormento para todos aqueles que queiram fazer qualquer coisa neste País, é um terreno fértil que todos querem cultivar. E se a isto juntarmos: umas forças armadas que têm mais oficiais que soldados (nem falo dos generais que esses, ao que parece, para o exército que temos não deveriam ser mais de 10 e ao que julgo saber são 10 vezes mais, até parece que estamos em guerra); um poder judicial que continua a andar aos papéis; presos que têm muitos mais direitos que os mais velhos da nossa sociedade marcados por uma vida inteira de trabalho honesto e respeito pela sociedade à qual pertenceram e ainda pertencem; uma oposição que é incapaz de colaborar de uma forma pró-activa com quem governa (que heresia se tal acontecesse!); políticos que apenas se dispõem a governar caso se possam governar também; forças policiais tão fracas quanto possível; governantes com uma experiência da vida igual a zero; para além de uma forma muito própria de olharmos para o nosso próprio umbigo, não custa perceber o barril de pólvora sobre o qual nos encontramos sentados. Ao mais leve descuido de um qualquer “maluco” e vamos todos pelos ares.

Uma vez que são cada vez menos os que produzem e cada vez mais os que vivem do que esses poucos produzem, não é difícil de prever o fim desta saga. Nem quero pensar no que nos poderá acontecer se os Buffalos Bills da terra do Tio Sam descobrirem alguns índios no Estreito de Ormuz ou na Península da Coreia!

Não me recordo de alguma vez me sentir tão impotente! Quem nos pode valer? (Não me digam que é o nosso PR, porque não acredito. Depois daquela fuga à frente de uma meia dúzia de putos “bem dispostos”, será que alguém de bom senso acreditará que ele será capaz de enfrentar uma dúzia de gente “mal disposta”?)

Penso que estamos a chegar ao fim da linha de podermos voltar a sonhar e, com isso, passou a ser um... SALVE-SE QUEM PUDER! (Quem me dera poder estar redondamente enganado, mas, sinceramente, onde é que eu me posso agarrar para poder pensar doutra forma?)


Cara ou Coroa?


E se já não bastava ter todo este sentimento de impotência que a conjuntura nacional me provoca, o que pude ler no portal do governo (www.base.gov.pt) sobre alguns ajustes directos efectuados durante este mês de Fevereiro, pelo executivo municipal em exercício no meu concelho, deixou-me com os cabelos em pé quanto à possibilidade real de conseguirmos contornar os obstáculos que se erguem nos nossos caminhos.

Ontem a riqueza produzida no Concelho do Sardoal estava no pinhal e na construção civil. Hoje já pouco resta de ambas e se o “coração ainda bate” é porque ainda existe quem queira importar a riqueza que é capaz de gerar para além das suas fronteiras. E quando essa riqueza ficar nos sítios onde a mesma é conseguida? Até lá… que se louve a cigarra!

E… por agora… mais não digo!

Cara ou Coroa? COROA!!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Oposição (?)

Em 1867, escreveu Eça de Queirós em “Distrito de Évora”

“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.

A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.

A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio.

A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.

À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.

… É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente.

País governado ao acaso, governado por vaidades e interesses por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?...”


Este pensamento de Eça, e passados que são, quase, 150 anos, continua actual e a pergunta que o mesmo suscita é quanto tempo mais o mesmo poderá durar e até quando Portugal poderá conservar a sua independência (será que ainda a temos?).

Quem governa usa as armas que tem à mão (porque outras armas não tem), quem quer governar, usa as armas da utopia e da irresponsabilidade.

Vem isto a propósito do comportamento de quem ontem era oposição e hoje é poder em contraponto com quem ontem era poder e hoje é oposição. Tudo vale quando se é oposição e não se tem a responsabilidade de governar. A força de um governo alicerça-se na força da oposição e quando a oposição é fraca o que dizer da força do Governo.

Arrisco-me a afirmar que, no pós 25 de Abril de 1974, Portugal nunca conseguiu ter um governo forte e que as mudanças que assistimos ao longo de todo este tempo nunca resultaram do mérito daqueles que na oposição lutaram pelo poder, mas no demérito de quem o detinha.

Portugal precisa, com urgência, de uma oposição política responsável voltada para os interesses de toda a comunidade, em detrimento da oposição política existente cuja carga de demagogia que enverga apenas serve os interesses de alguns, para além dos próprios.

Continua a vir isto a propósito, de uma proposta apresentada por parte de quem se senta nos lugares da oposição ao governo do meu Concelho.

No seu sítio da internet pode-se ler a sua última proposta:

“… Proposta apresentada, em Declaração Política, pelos vereadores do PS/Sardoal, em sessão de Câmara de 8 de Fevereiro de 2012, relativa à subsidiação de pagamento de Medicamentos aos idosos Sardoalenses, com mais de 80 anos de idade, por parte da Câmara Municipal.

Esta proposta será agendada para votação, no executivo, no próximo dia 7 de Março , por proposta dos vereadores do PS/ Sardoal, para que a mesma ser objeto de informação por parte dos Serviços da edilidade.
…
Perante as evidencias que estamos presenciando, perante este quadro negro, compete às Câmaras Municipais, mais do que nunca, desenvolver políticas sociais de proximidade, capazes de promover a coesão social municipal, de modo a colmatar as ações negativas levadas a cabo pela Administração Central.
Cada euro dos contribuintes, que sustentam o Orçamento da Câmara, deve ser gasto com rigor, em ações concretas que ajudem todos os nossos munícipes que se encontram em situação mais debilitada como sejam os idosos, os desempregados e os jovens.
Quando defendemos ações concretas estamos a referir-nos a atos concretos que irão melhorar a vida de pessoas concretas. Aqui deixamos, três propostas concretas:

- Subsidiação de 100% do valor dos medicamentos a pagar pelos eleitores inscritos no Sardoal que tenham mais de 90 anos de idade;
- Subsidiação de 75% do valor dos medicamentos a pagar pelos eleitores inscritos no Sardoal que tenham mais de 85 anos de idade;
- Subsidiação de 50% do valor dos medicamentos a pagar pelos eleitores inscritos no Sardoal que tenham mais de 80 anos de idade.

Estas propostas consubstanciam a solidariedade e a fraternidade social que entendemos que a Câmara deve promover junto deste grupo de Sardoalenses neste momento difícil das suas vidas.

Sardoal, 7 de Fevereiro de 2012
Os Vereadores
…

Será que esta proposta, tal qual se apresenta, não poderá ser enquadrada na tal carga de demagogia de quem sendo oposição quer ser poder, custe o que custar? Se não, vejamos…

- Quais poderão ser os custos reais anuais resultantes da atribuição destes subsídios e quais os seus impactos nas finanças da Autarquia Sardoalense?

- Qual o número exacto das pessoas elegíveis a tais subsídios e os montantes financeiros a afectar a cada um?

- Esta proposta tem carácter provisório ou definitivo ou a sua eventual carga de direitos depende do caso de amanhã o proponente poder vir a ser poder?

E já que estamos a falar de solidariedade, qual a diferença entre alguém que, tendo mais de 80 anos, tem bens e pode pagar um medicamento na sua totalidade, e outro alguém que sendo mais novo em idade não levanta os seus medicamentos na farmácia porque simplesmente não tem dinheiro para os adquirir? Para qual deles deverão os nossos olhos incidir?

Diante desta proposta, e enquanto Sardoalense, oferece-me apresentar uma contraproposta:

E se os proponentes, prescindissem de receber o valor das senhas de presença que recebem por cada reunião do Executivo Municipal em que participam e tal verba fosse utilizada para o fim que propõem? (É que, enquanto funcionários públicos, sempre que participam nessas reuniões estão dispensados do trabalho durante esse dia e não vêm afectados as seus vencimentos. Para além disso, o tempo “gasto” nessas reuniões, até nem é muito (Conforme as duas actas publicadas no site da Autarquia Sardoalense e relativas ao último mês de Janeiro, a reunião de 10 de Janeiro durou 30 minutos (!!!) e a de 24 de Janeiro, durou 45 minutos (!!!) quando comparado com o valor das senhas pagas.)

Pobre País o meu que tem gente que ainda leva a sério gente desta!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os nós da corda

Nesta corda que dá pelo nome de Portugal começa a ser cada vez mais difícil identificarmos uma ponta através da qual possamos começar a desatar os nós que a enleiam e condicionam. Ela está de tal forma enleada que parece não haver ponta por onde lhe pegar.

Por muito que se diga o contrário, a sociedade portuguesa está doente e recusa-se a admiti-lo. A doença de que padecemos já dura há muitos anos e a única terapia que nos têm dado são placebos com efeitos terapêuticos inertes. E a culpa é de quem? NOSSA!

Começámos por acreditar que, com a democracia instituída em Abril de 1974, o Céu era o nosso limite e o inferno deixava de existir. Que bom passarmos a ser todos Doutores e Engenheiros e atirarmos para um canto a roupa impregnada com o suor do trabalho! Se ser-se Doutor ou Engenheiro era sinónimo de estatuto social e boa vida para quê eleger o trabalho duro como opção de vida, quando o mesmo não é acompanhado das “contrapartidas” colhidas pelos Doutores e Engenheiros?

E se era isso que TODOS NÓS queríamos, nada como elegermos aqueles que melhor se prestavam a conferir-nos tais direitos. Não importava se o caminho que eles seguiam eram os melhores, o que importava era o EU. Ano após ano as nossas atenções sempre se centraram na vida fácil que podíamos ter e assim corremos atrás dos vendedores da banha (da cobra) que melhor prometiam. Entre alguém que prometia o impossível e um outro que recusava prometê-lo estava bom de ver sobre quem os nossos olhos focavam.

Nunca nos importámos de mentir a nós próprios porque sempre acreditámos que um dia tal mentira poderia ser remediada por alguém. Hoje começamos a acordar para a dura realidade de que esse alguém não existe e nunca existiu. Aqueles que juraram prestar-se a esse papel e em quem depositávamos todas as nossas esperanças, também padeciam dos mesmos males. O que fizeram? Simples! Serviram o seu EU! E o que fizemos nós? Nada! "Desculpámo-los de tal conduta" e fomos à procura de outros que os substituíssem! E os ciclos repetiram-se uns atrás dos outros.

Quantos de nós, na hora de exercermos o nosso voto na eleição de alguém, o fizemos (e continuamos a fazer) com a plena consciência dos benefícios reais desse nosso acto? Por incrível que pareça até conseguimos arranjar argumentos para votarmos em alguém que tem boa figura, que é um “tipo porreiro”, independentemente de ser vazio de ideias. São tantos os exemplos que poderíamos invocar sobre este pensamento que precisaríamos de várias vidas para os descrever.

Hoje, muitos dos nós que a corda possui estão de tal forma apertados que não é possível desatá-los e a única solução que resta será cortá-los e, para que a corda continue uma só, voltar a atá-la com outros nós.

Não existe um único sector da nossa sociedade que não dê sinais de doença.

Na abertura do ano judicial foi ver quão doente está a nossa Justiça. Enquanto uns acusavam os outros de serem os responsáveis pelo mal do problema, outros apelavam ao diálogo (ainda mais?) não faltando quem se preocupasse pelo estado menos digno das nossas prisões (será que é uma premonição do que poderá estar para vir?). Todos foram unânimes em gritar bem alto: “ Da Justiça o que é da Justiça! Da Política o que é da Política!”. Alguém tem dúvidas que tais “gritos” não passam de circunstancialismos de ocasião e que depois tudo volta ao mesmo? Alguém tem dúvidas que o exercício da Justiça se faz na estrita dependência das leis que os Políticos criam? E se são eles que as criam não custa perceber, ainda, o espírito dos legisladores na hora de as conceberem.

São tantos os exemplos que diariamente assistimos que não nos custa perceber que a Justiça é um parente pobre da nossa sociedade da qual só nos lembramos quando age de um modo diferente daquele que julgamos ser o mais correcto. E, para aqueles que pensam o contrário, o que dizer das responsabilidades profissionais atribuídas a um Juiz e a um motorista de um Ministro ou Secretário de Estado (o salário anual de um juiz português em início de carreira é de, aproximadamente, 35.000 € enquanto que um motorista do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em 3 anos de contrato, irá receber cerca de 73.000€)?. Quanto ao facto de errarem, são humanos como nós e relativamente quanto ao facto de trabalharem pouco, quantos de nós estão em posição de lhes atirarmos pedras?

Nunca precisámos tanto da Justiça como agora! Mas uma Justiça que seja verdadeiramente cega e incapaz de encontrar diferenças entre a cara do rico e a do pobre e com isso privilegiar a do rico.

Já ultrapassámos a barreira da razão e a intolerância começa a invadir-nos. Faltam-nos líderes em quem possamos confiar e esse vazio tende a agravar a nossa doença.

Quando nem com o exemplo dos outros conseguimos aprender, está tudo dito! A experiência da Grécia é tudo aquilo que não queremos, mas nada fazemos para evitar!


Portugal precisa de uma nova ordem! Uma nova ordem capaz de acabar com uns reinos que uns poucos criaram e que se recusam a extinguir ou a abandonar.

Se os partidos em democracia são um mal necessário, aqueles que tudo fazem para se perpetuarem à sua sombra (e são sempre os mesmos) são um mal que deve ser erradicado. (Como? Aceitam-se sugestões).


CARA ou COROA

No passado domingo visitei a Barragem da Lapa, inaugurada há 9 anos (!!!) por um Ministro de nome Isaltino Morais e… não gostei!

Lembrei-me de uma notícia publicada no passado dia 15 de Novembro pelo Jornal “O Mirante”:

“ A quantidade de precipitação ocorrida nos últimos dias levou a Câmara de Sardoal a proceder a descargas controladas da quantidade de água armazenada na barragem da Lapa, que ultrapassou o limite máximo permitido.
Com uma altura de 21 metros e um nível pleno de armazenamento previsto correspondente a uma cota de 170 metros, os defeitos de construção da barragem da Lapa, infraestrutura inaugurada em Dezembro de 2002, fazem com que ainda hoje a autarquia não tenha procedido à recepção definitiva da obra.
"A deficiente construção originou uma fissura junto à parede do descarregador e, por outro lado, falta tela de isolamento no paredão junto à fonte de captação, deficiências que condicionam o total aproveitamento da barragem e respectivo enchimento", disse esta segunda-feira à agência Lusa o vice presidente da autarquia.
Segundo Miguel Borges, os problemas de construção "não representam perigo" para a população, uma convicção "assente em pareceres técnicos" do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que procede a análises e registos de inspecções de rotina semanais, nomeadamente a fim de se detectarem sinais ou evidências de deteriorações e anomalias, no corpo da barragem, nos sistemas de drenagem e impermeabilização, bem como nos sistemas de observação.
"O problema é que as deficiências condicionam a utilização plena da barragem e a sua missão", um investimento de 2,5 milhões de euros e que visava o abastecimento de água potável a grande parte do concelho de Sardoal, a partir da Barragem da Lapa.
Com um volume total ao nível do pleno armazenamento de 640 000 metros cúbicos, a infraestrutura tem hoje uma imposição de cota máxima permitida de 164 metros, valor a partir do qual obriga a descargas controladas à razão de 10 centímetros por dia.
"Estamos a proceder à reposição do nível de descargas e este é um assunto que queremos ver resolvido pela construtora durante os próximos meses, não tanto pela segurança mas para que a barragem cumpra a sua missão a 100 por cento em prol das populações", vincou.


Quando um Concelho depende em exclusivo daquele “Reservatório” para que a água corra nas torneiras da sua população e, passados 9 anos se continua a erguer as mãos aos Céus para que vá chovendo o suficiente para se garantir uma reserva mínima de água, algo não está bem.

Se não se está diante de um elefante branco pouco falta, porém, mais do que saber-se se existem cabeças escondidas na areia, na expectativa que o tempo passe e que a outros seja sacada a responsabilidade de uma população poder ficar privada sem água enquanto decorrerem os trabalhos de reabilitação, é saber-se para quando a resolução do problema. Em 9 anos muita promessa se fez e... nada!

Há quem, diante do grande endividamento de algumas instituições, seja capaz de defender que o endividamento é resultante da obra realizada, o pior, é quando se questiona o valor dessa obra. Enquanto a Barragem da Lapa não puder armazenar toda a água para a qual foi construída, ela fará parte de um vasto conjunto de obras que proliferam por este país em que, diante dos seus resultados práticos, se pode inferir que se deram passos maiores que as pernas. Para quando o dia em que valorizaremos o investimento realizado na sua construção e para o qual contribuímos através dos nossos impostos?

Quando, não é possível controlar o comportamento do tempo e, a falta de chuva neste Inverno não profetiza nada de bom, é de se ficar apreensivo diante da possibilidade de um cenário de uma barragem vazia.


Cara ou Coroa? COROA!




domingo, 29 de janeiro de 2012

A Resistência das Freguesias

Pelo País cresce a resistência à decisão do Governo, a mando da Troika (manda quem pode e obedece quem deve), em extinguir várias centenas de Freguesias. Independentemente do destino de muitas delas já estar traçado, não tem sido fácil encontrarem-se argumentos que contrariem tal decisão.

Cá para as bandas do meu Concelho, arregaçou-se as mangas, criou-se um Grupo de Trabalho que se dispôs a avaliar os efeitos da possível extinção de duas das suas quatro Freguesias já “marcadas” e os resultados já são conhecidos: “- Nem pensem em extinguirem-nos as duas Freguesias! Elas fazem-nos muita falta!”

Após a leitura das Conclusões do Grupo de Trabalho (que se encontram disponíveis no site da Câmara Municipal de Sardoal) com alguma facilidade poderemos concluir que as justificações invocadas são legítimas, mas que se podem aplicar à maioria das Juntas de Freguesia Rurais que o Governo já identificou como podendo ser extintas. Por isso… não haverá muito a esperar da decisão final.

Muitas das Freguesias que agora irão “desaparecer” e que muitos tentam evitar a todo custo, já há muito haviam sido abandonadas por quem tinha o dever de lhes dar “vida” e que apenas se lembravam delas em tempos de eleições.

Um exemplo claro do que afirmo é o caso da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre localizada no meu concelho. Em 1960 tinha 1.032 habitantes distribuídos por 18 lugares. Em 1970 esse número desceu para 794. Em 1981 passou para 539. Em 1991 desceu para 389. Em 2001 voltou a descer para 316 habitantes. O que nos dizem agora os números relativos ao Censos de 2011? O número de habitantes é agora de 224, dos quais 41% apresenta uma idade superior a 64 anos.

Com uma área de 17 Km2, sem uma escola, sem indústrias e não “entrando nas contas” por parte de quem está ao leme da Autarquia Sardoalense (nunca ali foi investido um só metro de saneamento doméstico, há mais de 10 anos que os investimentos se centram em “pequenas borradas de alcatrão e projectos que visem a sua dinamização ou não existem ou poucos os conhecem), com toda a propriedade, poderemos dizer que o número dos seus habitantes irá continuar a diminuir uma vez que a Lei da Natureza não “perdoa” aos mais velhos e poucos são aqueles dispostos a substituí-los. Para que serve então uma Junta de Freguesia que apenas abre as suas portas por alturas da Missa Dominical e com parcos recursos financeiros que depois de pagos os subsídios aos seus autarcas pouco sobra para se fazer alguma obra? Para além da política de proximidade, a esses Autarcas, pouco mais se lhes pode exigir para além do apoio cívico e social aos seus Fregueses mais desfavorecidos ou carenciados.

Muito mais poderia aqui referir sobre o que penso acerca deste assunto e de como as Freguesias que tiveram um papel muito importante na consolidação da Democracia em Portugal, aos poucos e poucos, passaram a ser olhadas como os parentes pobres do poder Autárquico e tratadas como simples Associações cujos membros eram pagos apenas para exercerem um serviço cívico e social, tão esvaziadas elas eram nas suas competências independentemente, em muitos casos, substituírem as próprias Autarquias na realização de trabalhos que aquelas deveriam realizar e não o fazem (Ex: limpeza dos espaços públicos). E o pior (para eles) é que, em muitos casos tais trabalhos não são acompanhados por um reforço de verbas por parte de quem tinha o dever de as realizar. Que o digam as Freguesias do meu Concelho que executam tais trabalhos a troco de quase nada, como se fosse essa a sua obrigação e, tal como acima referia, “tais organismos não passarem de meras Associações de Moradores com fundos próprios”.

E se penso assim, não é só porque conheço a realidade do meu Concelho, mas também porque os números, são como o algodão (não enganam). Se não, comparemos a atenção que as 4 Juntas de Freguesia do meu Concelho e uma Associação (Filarmónica União Sardoalense) merecem por parte da Câmara Municipal.


Retendo ainda o meu olhar sobre as duas Freguesias do meu Concelho “condenadas” à extinção, tenho uma réstia de esperança quanto à possível sobrevivência de Valhascos, já que Santiago de Montalegre é um caso completamente perdido face aos critérios colocados em cima da mesa.

Valhascos viu a sua população crescer, ainda que “ligeiramente”, nos últimos 10 anos (censos de 2001 = 385 habitantes e censos de 2011 = 401 habitantes), tem fronteiras naturais perfeitamente demarcadas e um conjunto de potencialidades que lhe permitem ultrapassar a barreira do seu défice populacional assim os órgãos políticos do Concelho o pretendam.

Olhando agora o assunto de uma forma não tão apaixonada, somos obrigados a concluir que os tempos mudaram e que o tal factor de proximidade que muitos advogam que se irá perder, com a extinção das Juntas de Freguesias, talvez não seja tão evidente. As comunicações nos tempos de hoje não são as mesmas de há 40 anos e os meios que hoje estão ao nosso dispor, na esmagadora maioria dos casos, esbatem e anulam tal necessidade.

São inúmeras as Juntas de Freguesia do País, que apenas abre as portas da sua Sede à população durante algumas horas durante a semana e, para além disso, muito do trabalho que realizam pode ser facilmente executado pela Autarquia. Se assim é, porque é que nós, através dos nossos impostos, temos de as financiar? Será que, muitos daqueles que hoje vestem a pele de Autarcas dessas Freguesias, caso fossem confrontados com a impossibilidade de receberem mensalmente os subsídios a que têm direito, não renunciariam ao cargo?

Não é só a perda de um sentimento de poder que está no centro da resistência à extinção das Freguesias, mas também a perda de rendimentos já tidos como certos, que, por pouco que sejam, fazem “ sempre jeito”.

Cara ou Coroa

Retomo o Estudo efectuado pelo Grupo de Trabalho que reflectiu sobre as consequências que o Documento Verde poderá promover na organização territorial do Concelho do Sardoal.

Para além de evidenciar o facto de uma camada da população poder vir a ficar prejudicada pela eventual extinção das Freguesias de Valhascos e de Santiago de Montalegre, conclui o estudo:

“… Que se constitua um conselho municipal de freguesias, mantendo as juntas como estão, mas no qual as quatro freguesias se comprometeriam entre elas a partilhar bens e recursos e que na aquisição de bens existiria uma regra em como estas seriam pensadas em conjunto por forma a existirem ganhos de escala.

Este conselho municipal de freguesias seria constituído pelos presidentes de junta, ou seus representantes, e pelo presidente da Câmara Municipal, ou seu representante.

O conselho municipal de freguesias seria o local onde as freguesias iriam procurar o entendimento entre elas, sem que nenhuma delas perdesse o seu poder e legitimidade.

Com a criação deste conselho municipal de freguesias é possível estabelecer uma afirmação territorial mais forte porque a visão do que acontece no concelho passa a ser mais global e fomentará a existência de uma preocupação mútua entre freguesias. “


Embora, profundamente céptico quanto à possibilidade das Juntas de Freguesia poderem partilhar bens e recursos, uma vez que só partilha bens e recursos quem tem e as Juntas de Freguesia do Concelho de Sardoal pouco têm a partilhar (Entre todas julgo ser possível reunir 1 retroescavadora, 2 dumpers, 3 carrinhas e até 10 trabalhadores. Para fazerem que trabalhos? Das suas competências próprias ou da competência de outros?) creio que este conselho municipal seria muito útil na partilha de experiências e informação.

E se assim é, porque se espera para a sua constituição?

Cara ou Coroa? Por enquanto… CARA! (Mais tarde logo se verá.)