sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Festas e Bolos


O Concelho do Sardoal está prestes a despedir-se de quem foi seu “mestre de cerimónias” durante os últimos 20 anos.

Não tenho qualquer espécie de dúvidas que serão muito poucos os que sentirão alguma "emoção" na hora da sua despedida. E a resposta é simples para tão parcas emoções: consegue deixar um Concelho mais endividado do que aquele que encontrou em 1993, sem estruturas que permitam augurar um futuro próspero para todos aqueles que vivem no interior das suas fronteiras , os quais, passados estes 20 anos, são menos (4.430 habitantes nos Censos de 1991 e 3.941 habitantes nos Censos de 2011) e com uma média etária muito mais elevada e tudo isto num tempo em que fazer obra, para outros mais tarde pagarem, já acabou. Logo…

Para os mais distraídos e para aqueles que nunca pisaram estas terras, o mais lógico é que se equacionem do porquê de alguém que, pouco ou nada tendo feito, foi capaz de garantir o seu poder através do voto nas urnas durante cinco consecutivas eleições autárquicas. Utilizando uma linguagem popular, consegui-o “sem espinhas” e consegui-lo-ia por mais outras cinco, não fora a lei de limitação de mandatos lhe “travar” agora o passo. (Em 2005 eu próprio experimentei o “peso” do seu poder e também eu fui “derrotado”.)

A receita para tão grande sucesso é simples: Educa uma sociedade e fá-la sentir que só em ti reside a solução para os seus problemas, ao mesmo tempo que a controlas, a divides, a distrais e a confundes e o poder dificilmente te escapará.

A história está repleta destes exemplos. Para aqueles que ainda chegaram a viver no tempo da denominada “outra senhora” é fácil lembrarmo-nos que Salazar só foi “parado” pela velhice e por uma queda de uma cadeira.

A fome e a miséria do Povo Português, a PIDE, a Mocidade Portuguesa, o Futebol, o Fado, Fátima e os “perigos” que representavam para a Pátria as ideologias comunistas (os tais que "comiam criancinhas ao pequeno almoço") e a propaganda elogiando as vestes de um rei que ia nu, foram os ingredientes que suportaram e garantiram todo o seu poder entre 1933 e 1968. Os que quiseram ocupar o lugar vago por si deixado ainda o conseguiram por mais 6 anos, mas sucumbiram naturalmente quando a força da razão foi capaz de vergar a razão da força.

Se este “cocktail do poder” não é difícil de perceber por qualquer um, muito menos o foi por parte de alguém que (fazendo fé nas notícias publicadas em jornais à época: Correio de Abrantes e Nova Aliança) há cerca de 42 anos se iniciou nas lides autárquicas enquanto Presidente da Junta de Freguesia de Sardoal (eleições em 17 de Outubro de 1971) e alguns meses mais tarde (Fevereiro de 1972) foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Casa do Povo de Sardoal. E sobre o tempo em que exerceu as funções de Presidente da Junta de Freguesia de Sardoal pouco se sabe a não ser que, em 8 de Dezembro de 1973 quando o Concelho do Sardoal decidiu homenagear o Dr. José Ferreira Arêlo Manso, o seu nome figurava na Comissão promotora do evento, enquanto... Presidente da Junta de Freguesia de Sardoal.  

Diante de tal historial poderá concluir-se que a revolução dos cravos veio interromper o seu “passo político”. Quando a oportunidade surgiu, só teve de se tornar militante de um partido do poder e alternativo ao partido instalado no Concelho e esperar que o tempo passasse e outros “apagassem” das suas memórias o seu percurso inicial na política. Em 1989 quando o governo local socialista já parecia soçobrar, nada melhor que reentrar na política enquanto número dois na lista do PSD á Câmara. Sendo eleito vereador, só teve de esperar mais um pouco que o tempo continuasse a correr e o poder lhe “voltasse a cair no regaço”. E em 12 de Dezembro de 1993 caiu mesmo.

Porque o reforço do poder em democracia requer tempo e exercício, nada melhor que voltar a pegar no menu que descreve o tal “cocktail do poder” que tão bons resultados deram outrora a outros e pô-lo em prática, “ajustando-o” apenas aos tempos “modernos”.

Posto isto, e porque julgo pertinente dever dar o meu contributo para a história que um dia se fará de alguém que depois de conduzir(?) os destinos de um Concelho durante 20 anos, não deixa qualquer tipo de saudades aos seus concidadãos (que continuadamente o elegeram e que, não fora uma lei lhe ter "interrompido" os seus passos no caminho do poder, outros mandatos o esperariam enquanto Presidente da Câmara Municipal do Sardoal), tentarei descrever nos próximos artigos o "cocktail" que lhe garantiu tal poder. Um "cocktail" que descreve como o "vício" por "festas e bolos" é capaz de transformar "formigas diligentes" em "cigarras obedientes". 

Agora que o "mestre de cerimónias" se retira e as "festas e bolos" já escasseiam para tão grande exército de "cigarras" a luta pelas "sobras" revela-se titânica porque... QUEM UMA VEZ FOI CIGARRA TUDO FARÁ PARA QUE JAMAIS VOLTE A SER FORMIGA.          


(No Próximo artigo: “ Não á concorrência á CMS!” )

sábado, 20 de julho de 2013

GIS - O meu discurso

O Grupo de Independentes do Sardoal (GIS) incumbiu-me da responsabilidade de proferir o discurso de abertura durante o jantar de apresentação dos seus candidatos aos diferentes Órgãos Autárquicos que irão ser sufragados nas próximas eleições autárquicas que terão lugar no próximo dia 29 de Setembro.
 
Pela pertinência do assunto entendi interromper o ciclo dos últimos 6 artigos que me havia proposto publicar aqui no “Trêsbicas” e proceder à publicação do referido discurso uma vez que o alcance das minhas palavras não se centravam apenas naquelas 100 pessoas (um pouco mais) que se reuniram (e que voluntariamente pagaram o seu próprio jantar),  no dia 19 de Julho de 2013, no Restaurante “as 3 Naus”, em Sardoal, mas iam muito para além daquelas paredes e tinham como destino todos os Sardoalenses.

 Pretendo com isto mostrar que, independentemente de não estarmos filiados num partido (o meu já “morreu” há muito tempo) nem figurarmos em listas que irão ser sufragadas em actos eleitorais, podemos e devemos exercer o nosso dever de cidadania sempre que percebamos que os nossos direitos não se encontram salvaguardados.
 
Porque não concordava com o “status quo” da política do meu Concelho, entendi ajudar a criar com outros, uma alternativa às “máquinas” dos Partidos. Se num Concelho com apenas 3.500 eleitores tal foi possível, mesmo quando o PSD e o PS já se “chegaram à frente” e, ao que consta, CDS-PP e CDU se prestam a fazer o mesmo, é caso para se dizer que: ou os Partidos tomam mais cuidado a escolher os seus candidatos ou arriscam-se a sofrerem alguns “amargos de boca” no futuro (pelo menos ao nível das Autarquias).      
 
Eis o meu discurso:
 

Caras e Caros Sardoalenses!

Caras e Caros Amigos!

Na qualidade de Co-fundador do Grupo de Independentes do Concelho do Sardoal (GIS) gostaria em primeiro lugar de agradecer a vossa presença neste evento que representa a conclusão da primeira etapa de um sonho que dois Sardoalenses, há cerca de um ano, entenderam dar corpo.

No nascimento de qualquer sonho, existe sempre uma razão que o suporta. No caso particular do GIS foram duas as razões principais que lhe deram corpo, que a todos nos trouxe aqui hoje e que a todos nos motivará num longo caminho que entendemos juntos percorrer: a defesa dos nossos direitos, enquanto membros de uma comunidade a que pertencemos, e o pensamento de alguém que, embora tendo vivido antes de Cristo, nos recorda que a defesa desses direitos tem de passar obrigatoriamente pelo exercício dos nossos deveres.

Foquemos então a nossa atenção para a comunidade onde vivemos e questionemo-nos se os direitos que cada um, e todos nós, temos em viver num pequeno território que dá pelo nome de Concelho do Sardoal estão ou não salvaguardados. Não é preciso tomarmos muito tempo para percebermos que esses direitos, a existirem, são uma pura ficção.

Não é por alguém afirmar que no Concelho do Sardoal existe uma boa qualidade de vida que ela realmente existe para toda a população. Penso que é inquestionável que alguns, poucos, a tenham, mas ao tomar-se o todo pela parte não só se ilude a realidade como a agrava.

A realidade é dura demais para que a possamos ignorar ou encontrar respostas que a contradigam. Não será estranho que a tal boa qualidade de vida que alguns apregoam não se traduza na prática pela sua procura?

Cada ano que passa, traz consigo a dura realidade de assistirmos ao decréscimo continuado da população no Concelho do Sardoal e ao aumento progressivo da sua média etária.

Os censos de 2011 revelaram-nos que nesse ano o nosso Concelho já estava reduzido a 3.939 habitantes e que destes, 615 já tinham uma idade superior a 75 anos e quanto a jovens com idade inferior a 14 anos eram, apenas, 481(!!!).

Se a isto juntarmos o facto de que, por força de continuadas políticas erradas, o Concelho pouco ou nada mais tem a oferecer a alguém, que numa idade activa procura trabalho, do que um possível emprego na Câmara Municipal ou na Santa Casa da Misericórdia e estas instituições, por muito grandes que possam ser, não podem admitir todos aqueles que as procuram, não custa perceber que nos anos que aí vêm não haverá quaisquer perspectivas de inversão deste ciclo de decrescimento e que a tendência será o agravamento no decréscimo da população. E depois?

Para aqueles que, como nós, vivemos e trabalhamos no Concelho, estes números não são novidade e apenas pecam por estarem desactualizados ante a realidade.

Quantos daqueles que constavam do tal número apurado dos 3.939 habitantes em 2011, não partiram já para outras paragens ou, infelizmente, para a sua última morada e os que entretanto nasceram não foram capazes de compensar?

Olhemos à nossa volta e o que vemos? NADA!

Questionem-se: Se alguém vos pedisse para lhes mostrarem o Concelho o que é que teríeis todo o gosto em mostrar?

- Uma Zona Histórica abandonada à sua sorte?

- Uma Zona Industrial que de “Zona” tem tudo, mas de “Industrial” não tem nada?

- Uma Barragem que foi inaugurada há 10 anos que por estar rota desde a sua construção, não pode reter mais do que 20% da sua capacidade?

- Um Centro Cultural que ano após ano, dado o seu subaproveitamento tem-se revelado um autêntico elefante branco?

- As fachadas das nossas Igrejas e Capelas?

Todos sabemos como foi possível chegar aqui.

A democracia é uma palavra bonita que de 4 em 4 anos ouvimos em cada esquina do nosso Concelho, mas que depois, a ganância do poder pelo poder, depressa apaga dando lugar a uma ditadura em que o medo faz lei.

E assim o poder se conserva não por obra feita por uns quantos, mas pela eficácia do medo infligido a outros.

É tempo de dizermos: BASTA!

É tempo do destino do Concelho deixar de fazer parte de um jogo entre Partidos, cuja selecção dos seus jogadores se faz mais numa lógica de interesses corporativistas e pessoais do que na defesa dos reais interesses para os quais são eleitos por todos nós.

Como se compreende que o governo de um Concelho se possa centrar exclusivamente nas mãos de alguém que pertencendo a um certo clube onde a admissão de sócios é restrita, é eleito por dois ou três dos seus pares, não pela competência que possui em bem servir o Concelho, mas pela garantia que revela em melhor servir os outros membros do clube a que pertence?

É tempo de dizermos: BASTA!

E assim se compreende que quem é eleito apenas governe a favor de uns poucos e que quem é eleito para fazer oposição não sinta as verdadeiras dificuldades de quem é governado não só porque vive e trabalha muito longe dessa realidade, mas também porque a perda de protagonismo dentro do clube a que pertence desaconselham a cedência de tais atribuições para outros potencialmente mais habilitados. ´

E não é isto que o PSD e o PS do Sardoal nos querem impor de novo a todos nós? Será que os seus candidatos não deram já provas que nunca serão a solução, mas farão sempre parte do problema?

Um passou 4 anos a lavar as mãos e a atirar as culpas dos fracassos para as costas do "chefe" sem nunca se demarcar das suas posições porque em matéria de defesa de interesses, os seus sobrepunham-se claramente aos do Concelho. Como não convinha hostilizar quem poderia comprometer tais interesses, nada melhor que concordar pela frente o que se discordava nas suas costas e esperar que o tempo passasse depressa.

Ei-lo agora a prometer confiança no futuro! Que futuro? O dele ou o nosso?

Pela forma como soube capaz de ignorar os interesses do Concelho durante estes anos será difícil acreditar que o futuro que fala seja o nosso.

O outro, pouco mais fez do que assobiar para o lado. Residindo e trabalhando a cerca de 150 Km do Sardoal revelou-se nestes 4 anos como um autêntico “toca e foge”, a ver pelo tempo que por cá ficava quando era “obrigado” a tal. 

Alguém consegue perceber que encontrando-se o Concelho numa verdadeira encruzilhada haja reuniões quinzenais do Executivo Municipal que durem 15 ou 20 minutos (!!!)  e a média das reuniões ronde os três quartos de hora (!!!), conforme se pode confirmar pelas reuniões realizadas nos primeiros 6 meses deste ano?

Quem nos garante que caso fosse governo, o candidato do PS não continuaria a adoptar a táctica do “toca e foge”?  

Quando um governo é fraco e a oposição a ele não existe, o resultado final só pode ser o pior possível. EIS O CONCELHO DO SARDOAL!

Com toda a amizade e estima pessoal que eles a todos nós nos merecem, que mais poderemos esperar senão eles continuarem a dar prioridade aos seus interesses pessoais e dos clubes a que pertencem?

É tempo de dizermos: BASTA! 

Platão que viveu uns séculos antes de Cristo nascer, dizia: "O PREÇO A PAGAR PELA TUA NÃO PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA É SERES GOVERNADO POR QUEM É INFERIOR"

Para percebermos o alcance destas palavras basta olharmos á nossa volta e fixarmos os nossos olhos no nosso Concelho, e pensarmos que toda a incompetência que ao longo dos anos por aqui fez carreira se deveu em grande medida às mordaças que foram impostas a todos nós, por quem era efectivamente inferior, cultivando a nossa divisão e valendo-se da força do medo para impor a força de uma razão que nunca teve.

E o que fizemos?

Voluntariamente aceitámos essas mordaças, colaborámos na cultura da nossa divisão e nada fizemos para as rejeitar. 

Pela primeira vez na história do Sardoal cerca de 10% dos seus eleitores decidiram romper as amarras do medo e, hoje e aqui, dizem: BASTA!

Eis o GIS, um grupo de Mulheres e Homens Sardoalenses que empunhando uma só bandeira, a bandeira do seu Concelho, se recusa aceitar a História que outros pretendem escrever e que é uma História onde se fala do sucesso de alguns, muito poucos, e onde o insucesso de toda uma comunidade é apagado, porque deles nunca trata a história.

 A tarefa que nos espera é Hercúlea, porque a correcção de certos erros é geralmente mais onerosa que os custos que os originaram. Muitos são os erros que deverão ser corrigidos e escassos são os recursos disponíveis para os solucionar.       

É chegada a hora de reescrevermos a História de um Concelho que é de todos nós e que dá pelo nome de SARDOAL.

Um grande bem hajam para todos os mais de 300 eleitores do Concelho que responderam ao nosso apelo e tornaram possível estarmos aqui hoje a projectarmos uma nova esperança para o Concelho do Sardoal.   

Obrigado a todos!

VIVA O CONCELHO DO SARDOAL! 

VIVA O GIS!

 
(P.S. Por decisão própria decidi não fazer parte da lista do GIS, uma vez que o meu tempo na política activa “já passou” e é tempo de dar a vez a outros.) 

 
(No Próximo artigo: “ Festas e Bolos ”)


terça-feira, 2 de julho de 2013

Contagem Final

O “Trêsbicas” está prestes a “fechar portas” depois de uma "interessante aventura” iniciada em 30 de Março de 2008.

Penso que é chegada a hora de dizer “Adeus” depois de longos períodos de silêncio interrompidos pontualmente nos últimos 12 meses, os quais serviram para avaliar a certeza desta decisão. 

Confirmada a certeza, e depois de muito ponderar, entendi que esta despedida não poderia resumir-se a um simples “Adeus!”. Havendo ainda algo por dizer sobre um assunto que foi muito caro ao “Trêsbicas” (o exercício da política no Concelho do Sardoal) talvez o mais correcto não fosse apresentar o seu fim como se de um simples acto de desligar um qualquer interruptor se tratasse. 

Nunca ninguém saberá se as teses que ao longo de todos estes anos fui aqui formulando sobre como julgava deverem ser os caminhos que o Concelho do Sardoal deveria trilhar, caso fossem adoptados, poderiam guindar, ou não, o Sardoal para um plano elevado. O que hoje todos os Sardoalenses sabem é que os caminhos efectivamente adoptados por aquele sobre quem recaiu a responsabilidade de conduzir este Concelho ao longo dos últimos 20 anos, foram errados e hoje o Concelho do Sardoal é um Concelho pobre, sem esperança no futuro e onde o medo prolifera.

Não sei se o tempo que aí vem nos permitirá corrigir os erros que foram cometidos e que muitos, na salvaguarda dos seus interesses pessoais, tudo fizeram por ignorar. Penso que nada temos a perder, conquanto sejamos capazes de olhar para o passado e percebermos que a repetição da história nos trará os mesmos resultados que a própria história já nos revela.

E porque o homem só progride se for capaz de olhar para a história e não a repetir, entendi que, antes do “Adeus” final, deveria dizer algo mais sobre sobre a história de uma comunidade onde a cultura do medo e da divisão sempre premiou a incompetência ao longo dos últimos 20 anos e onde o pensar diferente sempre foi entendido como uma “grave ofensa” ao poder instalado, "tudo" valendo para a “reparação” de tal afronta.

Assim, dentro de dias passarei a publicar os seis últimos artigos do “Trêsbicas”, que têm como título: “Festas e Bolos”; “Não à Concorrência à CMS”; “O Sistema de Informação e a Punição dos “Desalinhados””; “A Mocidade Sardoalense”; “A Oposição” e “O Futuro e… Adeus!”    

   

(No Próximo artigo: “ Festas e Bolos ”)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Madeira - Trinta e Um Anos Depois


Nestes dias em que alguns (muito poucos) comemoraram os 39 anos do 25 de Abril de 1974 (a tal revolução que era para ser da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade… ah! ah! ah!), motivos profissionais, fizeram-me “refugiar” na Ilha da Madeira.
 
Trinta e um anos depois de a ter visitado pela última vez, não a reconheci.

 Agora percebo porque é que um “tal” de Alberto João Jardim, tido por uns como um “esbanjador dos dinheiros públicos portugueses” e por outros como “o arquitecto que foi capaz de dar vida á pedra e ao calhau” foi capaz de governar a Ilha da Madeira, desde 1974, sem que alguém lhe fosse capaz de fazer “sombra”, pese os seus “atropelos” à democracia (o que é isso?), à liberdade de imprensa (e os outros?), ao compadrio (e os outros?), às dívidas geradas (e os outros?) e à língua “afiada” (será que o que ele diz pela frente não dizem os outros por trás?).

 O que há 31 anos era “quase” um monte de “pedras e calhaus”, estradas estreitas e íngremes… a obra aí está! Nem a adversidade da natureza que às vezes a compromete é capaz de o negar.

Quantos políticos de pacotilha a quem um dia confiámos o nosso voto são capazes de apresentar a obra que AJJ é capaz de apresentar? E o estranho, ou talvez não, é que de alguns Madeirenses ainda fui capaz de ouvir muitas críticas à sua obra. Conhecessem eles as “obras” que por cá se fazem no “Continente” e talvez experimentassem algum arrependimento pelos seus lamentos. (Porque é que eu me lembro do meu Concelho e de algumas dezenas deles como ele?).   

E a Madeira aí está pronta para mostrar o que é que um Povo é capaz de fazer, quando para se ser agricultor ou construtor é necessário ser-se primeiro alpinista.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 











sexta-feira, 12 de abril de 2013

Apetece Fugir!

Penso que se fosse perguntado a todos os portugueses para traduzirem, em apenas duas palavras, sobre o que sentem ante o estado a que o seu País chegou, talvez o “apetece fugir” figurasse no topo das preferências.

Para onde quer que olhemos, seja ele Palácio de Belém, Palácio de São Bento, Praça do Comércio ou para o nosso “quintal” (o meu dá pelo nome de "Praça da República") e ante a nossa incapacidade de compreendermos o incompreensível, penso que, a única coisa que nos resta é mesmo fugirmos para muito… muito longe.

Quando há mais de um ano escrevia que Portugal havia entrado num “salve-se quem puder”, estava muito longe de imaginar que tal pudesse vir a ser tão determinante para a nossa própria sobrevivência. Sem nos darmos conta, de repente, até a nossa capacidade de sonhar nos tem sido cerceada. Do tal povo heróico e sonhador que a pena de Luís de Camões nunca se cansou de elogiar, apenas resta um povo moribundo que ordeiramente se posiciona numa fila esperando a hora de se entregar nas mãos do algoz.

Como chegámos aqui, todos o sabemos. Na ânsia de uma vida fácil, premiámos (e vá lá saber-se porquê continuamos a premiar) aqueles que, com “apurados” dotes oratórios a conquistaram da noite para o dia, independentemente de serem verdadeiros vendedores da banha da cobra ou de ilusões baratas. E eis-nos a eleger oportunistas, vigaristas e trafulhas para nos governarem, na esperança de que, um dia, algumas migalhas que sobrassem das suas bocas vorazes pudessem cair no “nosso colo”.

E essa gente, qual praga, foi-se proliferando à custa da divisão de todos nós acusando todos aqueles que possam, eventualmente, “fazer-lhes sombra” de terem "sede de poder" e serem o reflexo dos seus próprios defeitos. E assim foi engrossando o "bando" que, sob o manto protector de uma justiça que se fez de cega e surda, conseguiu (e ainda consegue) ver legalizados os seus desmandos e desvarios.

Agora, que a “comida” escasseia e mal dá para alimentar o "bando" e quando as migalhas já não caiem, eis-nos de repente “nus e de olhos vendados” vagueando num labirinto de dúvidas e incertezas procurando uma saída segura.

Nunca como agora foram tantos os ingredientes explosivos reunidos na "panela da desgraça". Os inquilinos-mor de Belém e da “minha” Praça da República são cidadãos que assumindo a sua condição de reformados, aparecem às suas janelas presidenciais apenas ao domingo, quando não chove e quando não fazem falta. Nos governos de São Bento e da “minha” Praça da República não se sabe quem manda, ninguém confia em ninguém, os culpados dos seus erros são sempre os outros e ambos esperam por novos milagres de Fátima. As oposições de São Bento e da “minha” Praça da República merecem tanta confiança como aquela que poderemos ter ao confiarmos a um incendiário a tarefa de levarem 10 litros de gasolina a um carro dos bombeiros paralisado numa frente de fogo.

Eis-me assim cidadão de um País em "frangalhos" residindo num Concelho em cacos!

Porque nós só temos uma vida, duas opções nos restam: ou a aproveitamos ou nos resignamos a que outros a aproveitem por nós:
- Que tal a aproveitarmos?
- Que tal recuperarmos de novo a capacidade de sonharmos?
- Que tal voltarmos a ser o Povo que outrora já fomos, valorizando o mérito conquistado através do trabalho e punindo severamente todos aqueles que o queiram conquistar á custa do seu ócio e do trabalho dos outros?
- Que tal escolhermos para lideres homens com H grande que pensem em nós antes deles?

- CONSCIÊNCIA! Porque tardas?

- JUSTIÇA! Porque dormes?


POST SCRIPTUM

Porque poderá ser no passado que possamos encontrar energias para enfrentar o futuro, talvez seja altura de fazermos algumas "visitas" ao nosso próprio passado e buscar nele o alento que nos possa eventualmente agora faltar.

Permitam-me que partilhe instantâneos de uma certa viagem que realizei há cerca de um ano. Esta partilha tem uns destinatários muito especiais, uma vez que, só eles conseguem perceber o quanto elas são capazes de “acordar” sonhos adormecidos. Elas remetem-nos para um tempo no qual os tais oportunistas, vigaristas e trafulhas que agora nos governam, governando-se com a maior das impunidades, eram isso mesmo: oportunistas, vigaristas e trafulhas que rejeitávamos com todo o desprezo e vigor.

Eis o meu regresso 37 anos depois a um espaço que me conheceu durante sete anos como "sofrível" aluno, mas grande companheiro.

Que saudades!


sábado, 6 de abril de 2013

Olá!!!

Não consegui resistir! Depois de quase um ano a que me votei ao silêncio neste “cantinho”, penso que, independentemente de eu continuar na busca do tal novo caminho que me prometi experimentar (tem sido entusiasmante) talvez se justifique que face ao “desmoronamento social” do meu País volte a dar “alguma vida” ao ”tresbicas”. A todos aqueles que, ao longo de todo este tempo continuaram a visitar o “tresbicas” na esperança (?) de poderem encontrar algo de novo, gostaria de lhes agradecer a “salutar teimosia” que muito me envaidece. Porque será que passados todos estes anos ainda conseguimos ficar indiferentes ante sapateiros que ao pretenderem tocar rabecão não só são capazes de danificar o instrumento que não lhes pertence como não se coíbem, em alguns casos, de culpar do facto o inocente do músico apenas e só porque se sentem com poder para tanto? Isto até nem seria relevante se sobre o sapateiro recaísse a responsabilidade de reparar os danos por si praticados, contudo, uma vez que a outros (nós) cabe tal responsabilidade, a coisa muda de figura. E são tantos os casos a que assistimos diariamente!... (Um dia destes trarei aqui um desses casos que, por sinal, aconteceu (e ainda acontece) perto da “minha porta”.) Depois de anteontem ter assistido à queda de um anjo (apenas e só porque queria ser "doutor a pouco custo") e de ontem todos ficarmos a perceber, ainda mais, a situação explosiva em que todos nós nos encontramos (porque quem nos governa não presta e quem se dispõe a substituir tão irresponsável gente, também não é melhor) fez-me recordar um artigo que aqui escrevi há pouco mais de um ano: “SALVE-SE QUEM PUDER!” http://tresbicas.blogspot.pt/2012/02/salve-se-quem-puder

domingo, 13 de maio de 2012

Ponto Final (?)

Os habituais visitantes deste blogue estranharão por certo o facto de já há algumas semanas não colocar aqui qualquer texto de opinião. Em quatro anos de existência deste blogue, tal facto nunca aconteceu, por isso tal estranheza será normal. Essa ausência não se deveu por motivos de doença ou cansaço, mas apenas e só porque talvez tenha chegado a hora de procurar “outros caminhos” diferentes daqueles que tenho trilhado nos últimos 17-18 anos. Existem alturas da nossa vida em que deveremos perguntar a nós próprios, se os caminhos da vida que habitualmente escolhemos são os melhores e se não haverá outros que deveríamos experimentar. Diante de uma sociedade que se “esfrangalha” a cada dia que passa, talvez seja esta a tal altura para “olhar” para outros “caminhos” e aí buscar uma nova forma de vida. Neste “caminho” que agora pretendo deixar, não quero deixar ressentimentos, e por isso aqueles que tudo fizeram para que eu “tombasse” gostaria que soubessem que, TODOS, sem excepção, estão desculpados pelas “rasteiras” que me fizeram, porque, de cada vez que caía mais forças ia adquirindo para melhor me poder levantar. (Já quanto às rasteiras, será impossível esquecê-las porque algumas delas provocaram cicatrizes difíceis de apagar. Talvez um dia, neste blogue descreva algumas delas e que falam de “perseguição pessoal e profissional” a alguém, apenas e só porque foi capaz de pensar diferente. Não sei se a verdade me pertencia ou se a outros pertencia, porém ao fim destes anos em que venho trilhando o caminho que agora estou prestes a abandonar, diante do actual estado em que se encontra o meu Concelho e o meu País há uma certeza que tenho: a verdade não esteve do outro lado). Este “abandono” carrega alguma “nostalgia”, uma vez que a história também fala de homens bons e eu encontrei muitos, que me fizeram ser melhor cada vez que os conhecia. Para eles, o meu profundo OBRIGADO! Ponto Final? NÃO! Até um dia destes!